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Editorial

Ataque repugnante


    • São José do Rio Preto
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Merecedora do mais veemente repúdio a pavorosa atitude do técnico de uma empresa de marketing digital que, durante depoimento à CPMI das Fake News, afirmou que uma jornalista da Folha de S.Paulo se ofereceu para "sair" com ele em troca de informações. Em 2018, a repórter Patrícia Campos Mello publicou uma série de reportagens sobre empresas que faziam disparos em massa de notícias falsas por WhatsApp para influenciar o voto nas eleições presidenciais.

Funcionário da empresa de marketing digital Yacows, Hans River do Rio Nascimento ainda teve sua investida ultrajante prontamente defendida pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro. O parlamentar disse não duvidar que a repórter "possa ter se insinuado sexualmente" em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do então candidato a presidente Jair Bolsonaro.

Uma das primeiras reações chegou em forma de manifesto. Só no primeiro dia, mais de mil mulheres jornalistas assinaram o protesto, destacando o contrassenso materializado justamente no âmbito de uma inquérito destinado a investigar o uso das redes sociais para se espalhar mentiras. O jornal em que Patrícia trabalha reforçou a lisura da repórter publicando documentos que comprovam a veracidade das reportagens sobre o uso ilegal de disparos de redes sociais durante a campanha, além de apresentar o teor profissional da troca de mensagens entre ela e o acusador, então uma fonte.

Como destacou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), "falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei". Líder do PSL no Senado, o senador Major Olímpio também entendeu o comportamento como crime, e acrescentou que qualquer cidadão tem a obrigação de dizer a verdade, especialmente estando sob juramento, numa CPI.

O presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, considerou "lamentável que um depoimento em CPI repleto de inverdades seja usado para atacar a honra de uma repórter que fez o seu trabalho de trazer à luz práticas eleitorais questionáveis". Ressaltou a prática típica de autocracias como "tentativa de deslegitimar o jornalismo profissional".

Os ataques repugnantes, enfim, ofendem não apenas a jornalista, mas todos os profissionais, e todas as mulheres que exercem suas atividades com dignidade, independentemente da sua área de atuação, mas não enfraquecem o jornalismo profissional. Ao contrário. Reforçam. E ajudam a desnudar a vassalagem, a mentira e a alienação.