O 'parasita' de GuedesÍcone de fechar Fechar

editorial

O 'parasita' de Guedes


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Combate às mordomias de políticos e servidores públicos, apadrinhados ou concursados, todos eles mantidos à custa do pagamento de pesados tributos pelo cidadão dito "comum" desde sempre deveria ser uma questão imperiosa. Num mundo ideal, nem deveria ser uma questão necessária. Ao se descortinar o volume dos escândalos revelados ao longo dos últimos anos, o mínimo a se esperar é a criação de sistemas confiáveis de controle, inclusive previstos na Constituição Federal. É inaceitável a manutenção descontrolada de privilégio, nem é justo com quem trabalha honestamente, dentro ou fora do serviço público.

O bom senso manda acreditar que foi nessa linha de raciocínio que o ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu na última semana a necessidade das reformas administrativas pretendidas pelo governo federal. Guedes criticou o reajuste anual dos salários dos servidores que, segundo ele, já têm como privilégio a estabilidade no emprego e "aposentadoria generosa". O ministro argumentou que a carreira do funcionalismo precisa ser revista porque a máquina pública, nas três esferas de governo, não se sustenta financeiramente por questões fiscais.

O problema de Paulo Guedes, como tem ocorrido com outros ministros do governo Bolsonaro, é a falta de jeito e a inacreditável habilidade para se expressar mal - e nem sempre de forma involuntária, mas muitas vezes para agradar o chefe, imitando seu estilo; um defende a volta do AI-5, outro copia e cola um discurso nazista, e assim por diante. Rende material suficiente para uma rica reedição das obras do cronista Stanislaw Ponte Preta e seu "Febeapá" - Festival de Besteiras que Assola o País.

Pois o ministro Guedes protagonizou mais uma dessas besteiras do governo ao argumentar sobre a necessidade de reformas dizendo que "o hospedeiro está morrendo", referindo-se ao Estado. E acrescentou, generalizando sobre o servidor público, que "o cara virou um parasita, o dinheiro não chega no povo e ele quer aumento automático".

Bobagens à parte, o fato é que o País necessita, sim, de um caminho que contemple de forma mais objetiva a avaliação do servidor público por produtividade, qualidade, inovação, responsabilidade e capacidade de iniciativa, sempre com foco no interesse do cidadão-cliente. Seria, a propósito, uma forma de valorizar o profissional sério, cumpridor de metas e de suas obrigações mais elementares - aquele que, definitivamente, não merece e não pode ser confundido com parasitas.