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Editorial

Corredores ociosos

Sistema para uso de faixas exclusivas do transporte coletivo pode e deve ser aprimorado


    • São José do Rio Preto
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Reportagem especial publicada pelo Diário da Região na edição de hoje apresenta um dado curioso e que pode ser levado em consideração para o aperfeiçoamento dos corredores exclusivos de ônibus implantados há cerca de dois meses em Rio Preto. Conforme medição da própria Prefeitura, alguns trechos chegam a ficar até 12 minutos nos horários de pico sem que nenhum ônibus circule, enquanto os demais veículos se espremem nas outras faixas. O cenário mais expressivo foi verificado na rua General Glicério, na altura do bairro Redentora.

Os dados são relativos aos horários em que as faixas não podem ser compartilhadas - de segunda a sexta-feira, das 5h às 8h e das 16h30 às 19h30. Os períodos de ociosidade, que variam entre 6 e 12 minutos, é observado especialmente em ruas mais centrais e de bairros próximos. São vias nas quais o trânsito já é tradicionalmente caótico, não apenas devido ao comportamento de motoristas impacientes e infratores, mas em razão da própria concepção das ruas com problemas de origem.

Não foram vias projetadas para suportar um projeto dessa natureza, e mesmo antes de receber os corredores de ônibus já eram marcadas por um fluxo intenso de veículos. Tanto que, desde o início dos anos 2000, passaram a ter área de estacionamento de veículos apenas em um dos lados. Com as faixas exclusivas, materializou-se um fenômeno: o ônibus, que pode usar, não usa tanto, enquanto os carros, que precisam do espaço, não podem trafegar por ali, sob pena de salgadas multas.

Diante da constatação revelada pelo monitoramento da administração municipal, entende-se que o sistema para uso de faixas exclusivas do transporte coletivo pode e deve ser aprimorado. Trata-se de uma conclusão que deve ser recebida, antes de tudo, como importante subsídio para a identificação de possíveis soluções - técnicas e políticas, focadas no interesse de toda a sociedade. Obviamente, em qualquer estudo nesse sentido é preciso ter visão de futuro, considerando, por exemplo, o aumento da frota, não só de ônibus como veículos em geral.

Certamente não será uma tarefa fácil. Ao contrário, será desafiadora, ainda mais considerando que a condição fundamental é que nenhuma alternativa pode descaracterizar um projeto dessa magnitude - são 42 quilômetros de corredores, implantados ao custo de R$ 64 milhões. De todo jeito, é de se esperar que as autoridades municipais não subestimem o tamanho do problema nem apelem para gambiarras.