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Editorial

Reformas suspeitas


    • São José do Rio Preto
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O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo, cumpriu óbvia obrigação ao determinar, de imediato, o que chamou de "rigorosa apuração" sobre as obras suspeitas em escolas para reconstrução de calçadas. Conforme a reportagem do Diário revelou na edição de quarta-feira, 4, em pelo menos três escolas municipais as calçadas reformadas estavam em perfeito estado de conservação. Foram destinados R$ 480 mil dos cofres públicos à empresa S.M.S. Serviços, contratada para executar o trabalho.

Quando o repórter Rodrigo Lima fez os primeiros registros fotográficos da investigação no começo de janeiro, surgiu a expectativa de alguma explicação convincente, possivelmente alguma série de aprimoramentos das calçadas, com piso tátil e mais acessibilidade geral, por exemplo. A continuação das obras mostrou que as calçadas voltaram do mesmo jeito - com exceção de um ou outro rebaixamento de guias de sarjeta, o que também não justificaria a necessidade de demolição total das calçadas.

Pelas fotos que acompanham a reportagem, portanto, fica muito claro o estado anterior de conservação dos pisos reformados. As imagens feitas antes, durante e depois das obras permitem que qualquer cidadão de olhar minimamente atento tire suas próprias conclusões. No entendimento de especialistas consultados pelo jornal, o cenário indica desperdício. O caso também já despertou a atenção do Ministério Público, que vai investigar os procedimentos.

O prefeito informou ter determinado que sua equipe "reúna toda a documentação técnica referente à obra, inclusive com relatório fotográfico, para envio ao Ministério Público e outras providências que o caso venha a exigir". Acrescentou que "toda ordem de serviço para a execução de reforma ou nova calçada é solicitada pelos diretores de escola e autorizada após análise técnica do piso existente nos locais, seguindo critérios para reforma ou, se for o caso, demolição e construção de nova calçada, dependendo da conservação, buracos, depressões ou rebaixamentos."

Portanto, caso as suspeitas escancaradas se confirmem, cabe à Prefeitura identificar e apontar os responsáveis e adotar as providências com o rigor que o episódio requer. Mais do que isso, cabe à administração municipal fazer uma grande varredura e rever todos os processos no estabelecimento de contratos afins. E garantir, necessariamente, que a conta de eventual desídia não seja debitada no bolso do cidadão-eleitor-contribuinte.