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Editorial

Cenário alarmante


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Apesar de Rio Preto ter fechado o mês de janeiro com 117 casos, a metade em relação aos confirmados da dengue na comparação a janeiro do ano passado, o município não tem nada a comemorar e muito com o que se preocupar. Primeiro estudo do ano, o Índice de Breteau (IB), que mede a quantidade de larvas do mosquito Aedes aegypti dentro dos quintais, trouxe números alarmantes, cinco vezes acima do limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde. Apresentou 5%, ou seja, a vistoria feita pelos agentes encontrou larvas em 5 de cada 100 imóveis visitados, enquanto o esperado seria de apenas 1 por 100.

Quando se observa a cidade por setores específicos, a situação é ainda mais comprometedora. A reportagem publicada pelo Diário no último sábado mostrou que as regiões com maior infestação são Lealdade e Amizade (16,3%), Parque da Cidadania (12%) e Vila Toninho (11,1%). Os setores são divididos pela Secretaria Municipal de Saúde em 27 áreas, de acordo com a localização das unidades básicas de atendimento. Portanto, a infestação de larvas dentro das residências chega a estar até 16 vezes acima do tolerável. Quando o índice geral supera 1%, o cenário já é de alerta. Quando supera 4%, caso de Rio Preto, indica risco de surto.

Não se pode dourar a pílula, ou seja, de nada adianta usar palavras amenas quando a realidade está escancarada. Por isso, a definição não pode ser outra: alarmante é a palavra, e convém que a população e as autoridades tenham esse entendimento de forma muito clara. Igualmente claro é o fato de que a origem do problema, quando se trata do Índice de Breteau, está dentro dos quintais em ambientes controlados pelos próprios moradores. Ressalte-se, a propósito, que a sujeira no quintal é particular, mas o dano é coletivo. De nada adianta um morador manter seu quintal limpo se o vizinho não cumpre a elementar obrigação de fazer a sua parte.

Não significa, absolutamente, jogar toda a responsabilidade em cima dos moradores. Trata-se de uma questão que precisa ser administrada pelas autoridades públicas. Fazer esse mapeamento e identificar as causas é apenas parte da missão de um governo ciente de seu papel. O desejável seria agir por antecipação no sentido de evitar a causa. Uma vez identificada a causa, cabe ao governo atuar para neutralizá-la e, ao mesmo tempo, combater as consequências. Neste sentido, campanhas de conscientização são sempre necessárias, de preferência com criatividade, sustentadas por medidas que não se esgotem no inútil ato de enxugar gelo.