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Cartas do leitor

Criacionismo


    • São José do Rio Preto
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Achei curiosa a reflexão de um leitor na qual divide dois tipos de posição de crença. Primeiro, que é indiscutível a existência de Deus. Existir. Na segunda, mais generoso, admite que não se crê Nele. No primeiro caso, segundo ele, revela enorme ignorância e, como fosse pouco, o cético da existência divina demonstra mácula moral por seu automático egoísmo.

Embora com muitos janeiros, não havia percebido esse fenômeno. Ao contrário. Tenho visto todo tipo de gente com virtudes e defeitos, uns graves ou outros nem tanto, mas de todas as crenças e descrenças. Por questão estatística, a maioria crente em alguma entidade superior. Não significa dizer, obviamente, que os crentes são piores. São todos iguais, formados pela natureza humana, complexa porque virtuosa e falha. Não raro, ao mesmo tempo.

Depois de milênios de castigos atrozes, com penas capitais, por duvidarem da existência de Deus, algumas sociedades se civilizaram. Poucas ainda, mas já existem. Infelizmente, a maioria não. O Caso da Índia é o mais conhecido e atual. Definir um cidadão pelo parâmetro de sua crença Deus/religião, ou falta dela, é um absurdo medieval. Deus não deve estar satisfeito. Faz uns 5 mil anos que não têm prosperado a irmandade e o respeito mútuo. Guerras e morticínios. Basta ver o Oriente Médio, berço das três mais importantes religiões monoteístas que dizem reverenciá-lo. Procuro não ser pessimista. Sem desalentar, mas sem esquecer da definição do saudoso Ronald Golias em relação à nossa Civilização: "Definitivamente, essa Senhora não deu certo". Será?

Luiz Melo,Rio Preto.

Hilemorfismo

A TDI (teoria do "design inteligente") pode ser considerada a moderna vertente do Criacionismo no embate com o Evolucionismo de Darwin, alimentando o sempiterno debate sobre o mistério da origem do universo e da humanidade. A reportagem da Folha (Tendências / Debates, 8/2) pergunta se o design inteligente pode ser considerado uma teoria válida, pois a ciência se recusa a admitir qualquer forma de intervenção divina. As opiniões continuarão sempre discordantes, visto que a religião se fundamenta na crença no sobrenatural, enquanto a ciência na evidência factual.

A meu ver, é mais convincente recorrermos à filosofia, que utiliza apenas o raciocínio lógico para entendermos o mundo em que vivemos, sem a crença no que disseram os "profetas". A distinção entre real e ideal já foi discutida por filósofos gregos.

Aristóteles teve o grande mérito de conciliar o materialismo dos pensadores pré-socráticos com o idealismo do mestre Platão, formulando a famosa doutrina do "hilemorfismo", a conjunção da matéria ("hilê) e da forma ("morfê"), do corpo e da alma. Como as duas faces de uma folha de papel, são distintas mas inseparáveis.

A neurociência evidencia como as atividades mentais (inteligência e sentimentos) estão na dependência do órgão que as sustenta, o cérebro. A alma não é sempre a mesma, pois evolui junto com o corpo e a aprendizagem existencial: o meu espírito de agora, adulto e aculturado, não é o mesmo de quando era uma criancinha. E a deterioração da massa cerebral por doenças ou acidentes pode afetar a atividade espiritual.

O sobrenatural não existe, simplesmente, porque o divórcio entre espírito e matéria é uma postura mental desejável, mas, infelizmente, impossível de se realizar. A imortalidade da alma e a ressurreição dos corpos são mitos, crenças religiosas, sem nenhum fundamento científico. Acredite quem quiser!

Salvatore D'Onofrio, Rio Preto.

Educação

Quero parabenizar o doutor Toufic pelo artigo publicado no dia 12/02/2020 com o título "Serve para alguma coisa?", no qual o articulista questiona se a educação atual está alinhada com as necessidades do mercado de trabalho, finalizando com a seguinte pergunta: "Para que serve o que se aprende nas escolas?".

A resposta a essa pergunta foi dada em um artigo anterior, de minha autoria, onde disse que a educação que atualmente se aprende nas escolas serve apenas para os alunos prestarem vestibulares para ingressarem nas universidades, porque 90% do que aprendem no ensino fundamental e médio nunca será utilizado na vida profissional, portanto nossos jovens estão sendo bombardeados com informações que provavelmente nunca usarão e nunca sentirão falta.

Já passou da hora do governo rever o conceito da nossa educação para ajustá-la as necessidades da nossa economia, pois caso isso não aconteça seremos sempre um país de baixo desenvolvimento econômico, mesmo com todas as riquezas que temos. Acorda, Brasil.

Miguel Freddi, Rio Preto.

Lulopetismo

Depois de um breve hiato, eis que o arauto do lulopetismo ressurge na edição de 11/2, jactando novas sandices. Ambígua sua opinião. Quer criticar quem foi escolhido pela imensa maioria do povo (e não dos menos informados...), que repudiou e expulsou a rapinagem dos que anteriormente governaram esse País, esquecendo-se (?) que a esquerda está afundando, como explicitado pela revista Veja desta semana. As falas apocalípticas de seu ídolo somente faziam eco quando estava encarcerado, não mais tendo ressonância na sociedade. A velhinha de Taubaté não desiste.

Julio Cesar Schiavetto, Rio Preto.

Cafonismo

Uma indicação ao Oscar é o reconhecimento de um grande filme - goste-se ou não dele, mormente em países onde a grande produção cinematográfica se resume a dramalhões e comédias de gosto duvidoso. É a chance de estar entre os papas da sétima arte, curtir, de se divulgar, vender, promover e quem sabe levar nossos filmes a outro patamar. Contudo, há quem prefira o cafonismo de protestos frívolos à glória de uma noite com os melhores!

Arthur Merlotti, Rio Preto.