Fim ou recomeço?Ícone de fechar Fechar

ARTIGO

Fim ou recomeço?

No futuro, haverá emprego somente para quem enxergar o fim como um recomeço


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Um recente estudo publicado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - Ipea, abordou como as novas tecnologias digitais (inteligência artificial, internet das coisas, entre outras) deverão alterar a produção, a distribuição e a comercialização de produtos e serviços. Estas futuras e, ao mesmo tempo, próximas alterações criarão novas oportunidades de negócios, emprego e renda. No entanto, representarão um risco de extinção ou de profundas transformações para muitos postos de trabalho.

Os pesquisadores do Ipea fazem, também, uma menção a outros estudos, anteriormente publicados, os quais já haviam explicitado uma preocupação, em especial, com a extinção de vagas formais de trabalho. Em 2013, um artigo publicado por pesquisadores da Universidade de Oxford apontou que 47% dos empregos dos EUA seriam suscetíveis à automação. Falando em EUA, em 2017, o Mckinsey Global Institute, por meio da utilização de um algoritmo que classificou mais de 2 mil atividades em 18 capacidades, previu que haveria um potencial de automação de 46% das atividades existentes no mercado de trabalho americano. Este número, aliás, é muito parecido ao que foi apresentado pelo estudo de Oxford.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE, publicou, em 2018, um relatório que estimou que 14% dos empregos de países participantes do Estudo de Competências de Adultos (Piaac), apresentavam uma probabilidade de automação superior a 70%. No caso do Brasil, o próprio Ipea apontou, em 2019, com base na mesma metodologia utilizada pelo estudo de Oxford, que 54,5% dos empregos formais estão expostos ao risco alto ou muito alto de automação.

As estimativas de todos estes estudos impressionam e, em certa medida, assustam. Imaginem só o que deve se passar pela cabeça de quem está em situação de desemprego, ao tomar conhecimento deste possível cenário futuro? Seria o fim das esperanças? Talvez, não.

Desde a Revolução Industrial e, mais precisamente, do intenso processo de mecanização, a partir do início do século 20, que a automação tem o poder de destruir e de criar oportunidades. Um bom exemplo foi o que aconteceu e o que vem ocorrendo com a indústria automobilística.

Por volta de 1910, a fábrica americana da Ford, a de River Rouge, tinha mais de 70 mil operários trabalhando em três turnos diários. Naquele período, a fábrica era capaz de produzir 300 mil unidades/ano do principal modelo: o Ford T. Vale lembrar que Henry Ford foi o criador da linha de montagem que revolucionou a fabricação de veículos e dos demais processos de fabricação em geral.

Do início do século passado até a atualidade, a automação e a introdução de novas tecnologias nunca mais deixaram de fazer parte do cotidiano da indústria automobilística. Em 2019, as montadoras instaladas no Brasil produziram 2,9 milhões de veículos, utilizando 107 mil operários, apenas. Cada operário de Ford produzia 4,3 veículos/ano. Nas fábricas da segunda década deste século, cada operário produz 27 veículos/ano.

A automação fechou milhares de postos de trabalho. Porém, deve-se considerar que as tecnologias disponíveis e as que ainda serão criadas, significam grandes oportunidades. No futuro, haverá emprego somente para quem enxergar o fim como um recomeço.

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro-SP; diretor da Fatec de São José do Rio Preto