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ARTIGO

Vale a pena ser político?

Se há um povo que gosta de ouvir discursos recheados de frases de efeito é, sem dúvida alguma, o brasileiro


    • São José do Rio Preto
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No Brasil, infelizmente, o conceito popular de que goza o politico não é nada lisonjeiro. É sinônimo de pessoa dotada de grande esperteza e que emprega métodos, às vezes reprováveis, para a conquista do poder. Aqui, o nível das campanhas é muito baixo. Não se discute um prévio programa administrativo, nem se o postulante é o melhor candidato em termos de capacidade e, principalmente, se cumprirá o que prometeu em sua campanha.

Por outro lado, é fato mais do que constatado pela experiência política de nossa vida republicana, o eleitorado é levado por aquele que foi mais pródigo em promessas vãs. E o caminho mais curto para se chegar à vitória se prende ao palavreado empolgante e fluente, que tem o condão de arrebatar a grande massa embevecida pela postura demagógica do que se aventurar em ser eleito para qualquer cargo público. Se há um povo que gosta de ouvir discursos recheados de frases de efeito é, sem dúvida alguma, o brasileiro.

Faz parte do anedotário político aquele interessante diálogo de um demagogo com seus correligionários absortos em sua pregação, numa aquecida cidade do interior. Após prometer todos os melhoramentos para aquela comuna, rematou que construiria uma ponte. Alertado por um ouvinte, atento de que naquele município não existia nenhum rio, o triunfante político não se deu por vencido, e respondeu, inocentemente: "Irei conseguir um rio para que a ponte seja construída".

No nível municipal, as verbas conseguidas são comparadas como uma verdadeira esmola. Quando por milagre da fé, sai alguma obra, verdadeira benção divina, o governo, no alto de sua realeza, prestigia mais o partido oficial da sua comuna do que o trabalho do sus alcaide. Isso é norma usada por todos os governos, independentemente de sigla partidária.

Além se duas atribuições constitucionais, prefeito de lugar pequeno é médico, padre e conselheiro, Não tem sossego. A sua casa, nos de sua gestão perde totalmente, a intimidade. Não tem dono, é dos seus eleitores, os quais sob pretexto de lhe terem dado substancial apoio nas eleições.

Homens de grande poder econômico se realizam, plenamente, em suas atividades poderiam viver até os restos de seus dias, sem as atribuições que experimentam ao adentrar numa guerra eleitoral que se assemelha a uma verdadeira selva de pedras, onde a honra é salpicada com as mais descabidas acusações dos seus desafetos. Qualquer ato desabonador, mesmo na loucura da mocidade que é descoberto de imediato, é trazido ao conhecimento público, distorcido e interpretado ao sabor das conveniências dos seus adversários.

Não há outra explicação para que esses poderosos troquem a vida rica e feliz ao lado de suas indústrias, dos seus impérios econômicos, de sua família, pela desgraça de trilhar esse caminho mesquinho, violento e sem ética da política: é a magia cativante do poder que os encanta.

Evidentemente por mais poderosos que sejam no aspecto econômico-financeiro, apenas a política e o eventual poder é que os lançarão no centro dos acontecimentos diários registrados pelos órgão da imprensa. Tornam-se mais poderosos e se aventuram numa luta eleitoral para a pura satisfação de suas vaidades pessoais. Pretendem subjugar o poder, sob os seus poderosos pés, alçar voos mais altos e quem sabe, se os fatos o permitirem, repousar no aconchegante ninho do Palácio da Alvorada.

Abdo Hassem, Advogado; Cardoso