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ARTIGO

Um mês de aprendizado

A lição que ficou, depois de janeiro, foi a de que o ser humano deve evitar desafiar a natureza e valorizar a vida


    • São José do Rio Preto
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Se os demais meses de 2020 forem marcados por fatos tão preocupantes quanto os que ocorreram durante o mês de janeiro, duas boas alternativas seriam: primeiro, tentar mudar de planeta. Não havendo possibilidade de sucesso na primeira alternativa, se preparar, da melhor maneira possível, para futuras tragédias e profundas preocupações, novamente. Estas alternativas valem para as pessoas de todas as partes do mundo.

Fazendo uma rápida retrospectiva, o primeiro mês do ano, mais precisamente no dia 02 de janeiro, houve a possibilidade real de que uma guerra se iniciasse, inclusive com a utilização de armamento nuclear, depois que o Pentágono confirmou que o bombardeio que matou Qassem Soleimani, homem influente no Irã, foi autorizado pelo presidente Donald Trump. Em resposta, o Irã disparou 22 mísseis contra duas bases aéreas americanas no Iraque, além de abater, por engano, um avião civil ucraniano, provocando a morte de 176 pessoas, de 7 nacionalidades. Detalhe: todos inocentes.

Falando em morte, estima-se que 1 bilhão de animais tenham morrido na pior temporada de incêndios da história da Austrália. Estima-se, também, que o fogo tenha devastado mais de 11 milhões de hectares de floresta, por lá.

Os incêndios fazem parte de um conjunto de tristes episódios relacionados às mudanças climáticas decorrentes, dentre outros fatores, da elevação crescente dos níveis de CO2 e que provocam o aquecimento do planeta. Clima mais quente e seco é sinônimo de ocorrência de incêndios com proporções cada vez maiores. Mas, há aqueles que defendem a tese de que as mudanças climáticas são apenas um mito.

O mesmo mito que provocou chuvas intensas em Minas Gerais, deixando cerca de 30 mil pessoas desabrigadas e causando a morte de mais de 50 pessoas. Difícil conseguir explicar para as pessoas que perderam suas moradias e para aquelas que perderam amigos e familiares, que esta história de aquecimento global é lorota, coisa de ambientalista.

Janeiro foi muito cruel. Fez os mineiros, de Brumadinho, lembrarem da tragédia que ocorreu há um ano e de como é complicado fazer justiça, por aqui. Especialmente, quando as tragédias são provocadas pela irresponsabilidade de grandes corporações ou decorrem de interesses corporativos.

Em janeiro, foi quando o ex-Secretário Especial da Cultura, Roberto Alvim, descobriu que usar as teclas Ctrl C e Ctrl V para escrever discursos é uma péssima ideia. Principalmente, se estiver copiando e colando discursos feitos por membros da equipe de governo de Hitler. Fica aqui a dica para a sucessora de Alvim e para os demais membros do governo federal.

Por fim, até o dia 31 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde informou que os casos do novo coronavírus são uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Na China, até o último dia do mês, mais de 200 pessoas haviam morrido. Em todo o mundo, 10 mil casos de pessoas infectadas haviam sido registrados.

A lição que ficou, depois de janeiro, foi a de que o ser humano deve evitar desafiar a natureza e valorizar a vida, sempre. O fogo, a água e um vírus mostraram, em um mês, como o homem é insignificante.

Ademar Pereira dos Reis Filho, Doutor pelo IGCE - Unesp de Rio Claro-SP; diretor da Fatec de São José do Rio Preto