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ARTIGO

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A solução é ampliar o canal do rio Preto, ou retardar a chegada das águas, a montante da represa


    • São José do Rio Preto
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Só quem não nasceu e viveu 70 anos, em Rio Preto, não sabe o comportamento das águas dos rios Preto, Borá e Canela. Quando menino vivia, juntamente com meus irmãos, primos e amigos, pescando e nadando no Rio Preto, de onde, inclusive, tirava nosso sustento. As cheias, do Rio Preto, transformavam em um mar de águas, o fundo de vale que iniciava nas antigas algodoeiras, local onde foram instalados(as), hoje, a Biblioteca Municipal e o novo Terminal Urbano, estendendo-se até a antiga estrada da Fonte Conceição, sem contar Rio abaixo, a jusante do referido ponto. Lembro-me, ainda, que o transbordo do Rio chegava a cobrir as traves do campo de futebol do Palestra E.C. e as ruas Bernardino de Campos e General Glicério, que ficavam interditadas. Quem morava do lado da Vila Maceno, não podia vir para o centro, ou vice-versa, até que as águas baixassem. O local tornava-se um ponto turístico para os curiosos observarem tal paisagem.

Não é necessário ser um engenheiro, nem estudioso, para saber que, quando o leito do rio não suporta o volume de água, esses pontos de alagamento servem de vasão para os excessos de águas. Infelizmente, não foi planejado, no passado, para que não se construísse nesses locais.

Com a obra de execução dos paredões/arrimo, às margens do Rio Preto, mais a impermeabilização do leito, houve um confinamento das águas condicionadas naquele canal (apesar de sempre meu discurso ser de que aquelas paredes/arrimo deveriam ter sido construídas, no mínimo, com 6 metros de alargamento a mais do existente).

Com a ampliação dos canais dos rios Bora e Canela, a bacia do Rio Preto começou a acelerar o escoamento de águas, embora tenham sido criados piscinões e retentores de águas, acima da Rodovia W. Luís, para retardamento temporária de águas pluviais. Porém não fizeram o mesmo processo, a montante da represa municipal e em caso de chuvas de alto índice pluviométrico, nesse setor, fatalmente irá encher o canal do rio Preto. Qualquer leigo sabe que as águas interligadas manterão o mesmo nível.

Resumindo, quando o canal do Rio Preto sobe mais do que o nível das Avenidas Alberto Andaló e Bady Bassitt, haverá refluxo de águas na Avenida Alberto Andaló, na altura do Automóvel Clube, bem como na Avenida Bady Bassitt, próximo ao Supermercado Pastorinho, com o agravante de correr o risco do canal do Rio Preto transbordar para a biblioteca municipal, novo Terminal Urbano, Palestra E.C. e Avenida Philadelpho Gouveia Neto.

A solução é ampliar o canal do Rio Preto, ou retardar a chegada das águas, a montante da represa através de construção de comporta em algum ponto da mesma.

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem". (Bertolt Brecht)

Marco Antonio Rillo, Vereador em Rio Preto