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ARTIGO

Telemedicina

A humanização do atendimento está relacionada com o exercício da empatia do médico com o paciente


    • São José do Rio Preto
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) define a telemedicina como "o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, educação, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde". Podemos citar como exemplos do exercício da telemedicina: entrevistas e consultas médicas online.

Através de plataformas digitais; diagnósticos clínicos realizados à distância; telecirurgias conduzidas com o auxílio de robôs; monitoramento de pacientes mediante o uso de dispositivos eletrônicos não invasivos; capacitação, treinamento e aperfeiçoamento dos profissionais da saúde por ensino à distância; campanhas online de profilaxia de doenças infectocontagiosas; dentre outros.

Quando se fala em telemedicina, a principal preocupação se volta ao receio de desumanizar o atendimento oferecido ao paciente. Há, ainda, a preocupação com o impacto financeiro que a

A implantação dessas tecnologias poderá refletir aos pacientes, hospitais públicos e privados e planos de saúde, bem como o temor da substituição do trabalho humano por robôs, reduzindo os postos de trabalho dos profissionais da saúde.

Todos esses temores são relevantes, contudo, a humanização do atendimento médico não tem relação direta com o uso da tecnologia.

Na realidade, a humanização do atendimento oferecido está relacionada com o exercício da empatia do médico com o paciente, o que se reflete na forma como este conduz a consulta, seja pessoal ou virtual, com ou sem o uso de recursos tecnológicos.

Assim, a humanização da assistência médica está no respeito do médico com o paciente, no exercício de se colocar no lugar daquele indivíduo e dos seus familiares, na capacidade de compreender suas dores e de buscar o maior conforto possível, o que independe da proximidade física.

Aliás, não há barreiras físicas para a humanização. Os recursos disponibilizados pela telemedicina possibilitam que pacientes isolados e desassistidos, que vivem em localidades afastadas dos centros urbanos, tenham acesso à assistência médica, tais como teleconsultas, fazendo com que o deslocamento ocorra apenas quando necessário.

Em se tratando de saúde mental, a telemedicina também possibilita a realização de terapias individuais ou coletivas através de plataformas digitais, tirando pacientes do isolamento, sem que haja necessidade de deslocamento físico.

Esta assistência digital continuada possibilita cuidados integrativos ao paciente, contribuindo com a sua qualidade de vida e bem-estar, além de ampliar os canais de acesso à informação.

Evidente que como em qualquer atendimento, o profissional da saúde deve sempre se pautar pela ética. Para tanto, recomenda-se aos estabelecimentos de saúde que adotarem a telemedicina a elaboração de códigos de conduta, estabelecendo os critérios, limites e padrões de comportamentos permitidos.

Portanto, a telemedicina não desumaniza. Vamos desconstruir este mito?

Cibele Naoum Mattos, Advogada, sócia do escritório Ferreira de Mello, Neves e Vaccari Advogados Associados; Rio Preto