Passo atrásÍcone de fechar Fechar

ARTIGO

Passo atrás

Sem ensino básico de qualidade, sem investimento em conhecimento e pesquisa, seguimos feito nau à deriva


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

"Moralidade e crenças não se decretam pelas leis nem se impõem pela força, vêm da educação. É preciso que nos convençamos para sempre que em toda parte e em todos os assuntos que digam respeito ao progresso dos países, encontramos a eterna e fundamental questão da educação".

No momento em que observo a várzea com que estão tratando a Educação, vide o resultado pífio obtido pelas escolas estaduais da Diretoria de Ensino de Rio Preto, das quais mais da metade não atingiu a meta estabelecida pelo Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo (Idesp) no Ensino Médio, salta aos olhos o que uma senhora de profundo olhar questionador e grandes laços de fita na cabeça escreveu há pouco mais de um século.

São de Risoleta Góes, então professora e presidente da "Creche-Asylo Anália Franco", as palavras acima, conforme consta no Álbum de Rio Preto, primeiro livro publicado aqui, datado de 15 de maio de 1919.

O governo deveria refletir muito mais, fechar a boca e trabalhar. Sem discursos "engajados" e segredadores, sem cortinas de fumaça, sem malabarismos ideológicos, sem perseguições. Apenas e tão somente aquilo que se espera da principal pasta de um governo que, por conseguinte, é o pilar vital de qualquer país que pretenda ser reconhecido de fato como Nação: um Ministério da Educação com postura técnica, com ações planejadas, com políticas que abarquem as reais necessidades que vão muito além de ações risíveis e patéticas de um ministro enredado na própria língua (com duplo sentido!).

Um país que não valoriza seu professor, que não investe no ensino fundamental sistematicamente de forma que tenhamos alunos realmente preparados ao final de um ciclo que não raro inicia-se cheio de deformações e termina - quando termina - com alunos completamente despreparados, sem que tenham absorvido o básico nas disciplinas essenciais, não faz a verdadeira lição de casa. Um país que não fornece o suporte necessário para que o ensino superior tenha os meios necessários a fim de promover a necessária revolução do conhecimento, não consegue dar um passo consistente rumo ao futuro. Sem ensino básico de qualidade, sem professores valorizados, sem investimento em conhecimento e pesquisa, seguimos feito uma nau à deriva em um mar cada vez mais revolto e implacável.

Como bem ressaltou a professora do departamento de educação do Ibilce Ana Maria Klein em reportagem publicada ontem pelo Diário sobre o baixo rendimento das escolas no Idesp, é fundamental buscarmos meios para diminuirmos tanta desigualdade. Uma desigualdade que só pode ser de fato mitigada pela Educação. Lembra-nos a professora Maria Klein: "Temos alunos que estão entrando no mercado de trabalho, principalmente, na rede pública. Será que não tínhamos que ter uma política de permanência para que esses meninos mais carentes pudessem ter algum tipo de bolsa? Muitos acabam abandonando porque precisam de dinheiro em casa", afirmou a educadora.

O governo precisa ter uma resposta efetiva a esta pergunta. E ter de fato uma política de educação pública, com 'pe' maiúsculo. Sem isso não teremos Educação, Saúde, trabalho, segurança Como disse dona Risoleta, nada é pela força!

Marival Correa, Editor no jornal Diário da Região; Rio Preto