Moro pede 'cabeça no lugar' ante tensãoÍcone de fechar Fechar

CEARÁ EM PÉ DE GUERRA

Moro pede 'cabeça no lugar' ante tensão

Com policiais amotinados, Estado já registrou 147 mortes em cinco dias


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Após sobrevoar Fortaleza conflagrada por tropas amotinadas, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, conclamou nesta segunda de carnaval, 24: "Temos que colocar a cabeça no lugar". Apenas entre quarta, 19, e domingo, 23, 147 homicídios foram registrados no Estado. Com mais de 70 mortes somadas, a sexta-feira e o sábado foram os dias mais violentos desde 2012, ano do último ato de PMs no Ceará.

"Pensar o que é necessário daqui em diante para solucionarmos essa crise específica, para os policiais poderem voltar a realizar o seu trabalho. Esse é o ponto", disse Moro, que chegou à capital cearense acompanhado do ministro Fernando Azevedo (Defesa) e do chefe da Advocacia-Geral da União, André Mendonça.

O motim teve início por falta de acordo dos PMs com o governo estadual quanto à reestruturação salarial. Com a crise de segurança pública instalada, Moro foi acompanhar a operação do Exército e da Força Nacional de Segurança para fazer cumprir a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Ceará, decretada pelo presidente Bolsonaro em vigor desde o dia 20. O ministro ainda participou de reunião com a presença do governador Camilo Santana.

Já durante entrevista coletiva na sede do Palácio da Abolição, sede do governo estadual, Moro afirmou: "O governo federal veio para permitir que o governo (estadual) possa resolver essa situação sem que nesse lapso temporal a população fique desprotegida."

"Nosso trabalho é exclusivamente garantir proteção da população diante dessa paralisação. O envio (das forças federais) é para garantir a tranquilidade e a segurança da população", declarou. E sobre eventual reintegração de posse dos quartéis, o ministro disse: "Viemos aqui para serenar os ânimos e não para acirra-los. O governo federal veio aqui para substituir essa ausência das polícias. Serenar é importante."

Moro e Lula

O Ministério da Justiça informou, ontem, que errou semana passada ao dizer que abriu inquérito por ordem de Moro, com base na Lei de Segurança Nacional (LSN). O inquérito, que tramita em sigilo, investiga o ex-presidente Lula por suposto crime de calúnia ou difamação contra Bolsonaro. Em novembro, Lula afirmou que "não é possível que um país do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano". A fala, segundo o ministério, "não configura violação à LSN".