Moro pede 'cabeça no lugar' ante tensão Diário da Região - Nacional

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25/02/2020 - 00h30min

CEARÁ EM PÉ DE GUERRA

Moro pede 'cabeça no lugar' ante tensão

Com policiais amotinados, Estado já registrou 147 mortes em cinco dias

Fotos: Reprodução/Facebook Ministro embarca em helicóptero para sobrevoar Fortaleza
Ministro embarca em helicóptero para sobrevoar Fortaleza

Após sobrevoar Fortaleza conflagrada por tropas amotinadas, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, conclamou nesta segunda de carnaval, 24: "Temos que colocar a cabeça no lugar". Apenas entre quarta, 19, e domingo, 23, 147 homicídios foram registrados no Estado. Com mais de 70 mortes somadas, a sexta-feira e o sábado foram os dias mais violentos desde 2012, ano do último ato de PMs no Ceará.

"Pensar o que é necessário daqui em diante para solucionarmos essa crise específica, para os policiais poderem voltar a realizar o seu trabalho. Esse é o ponto", disse Moro, que chegou à capital cearense acompanhado do ministro Fernando Azevedo (Defesa) e do chefe da Advocacia-Geral da União, André Mendonça.

O motim teve início por falta de acordo dos PMs com o governo estadual quanto à reestruturação salarial. Com a crise de segurança pública instalada, Moro foi acompanhar a operação do Exército e da Força Nacional de Segurança para fazer cumprir a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Ceará, decretada pelo presidente Bolsonaro em vigor desde o dia 20. O ministro ainda participou de reunião com a presença do governador Camilo Santana.

Já durante entrevista coletiva na sede do Palácio da Abolição, sede do governo estadual, Moro afirmou: "O governo federal veio para permitir que o governo (estadual) possa resolver essa situação sem que nesse lapso temporal a população fique desprotegida."

"Nosso trabalho é exclusivamente garantir proteção da população diante dessa paralisação. O envio (das forças federais) é para garantir a tranquilidade e a segurança da população", declarou. E sobre eventual reintegração de posse dos quartéis, o ministro disse: "Viemos aqui para serenar os ânimos e não para acirra-los. O governo federal veio aqui para substituir essa ausência das polícias. Serenar é importante."

Moro e Lula

O Ministério da Justiça informou, ontem, que errou semana passada ao dizer que abriu inquérito por ordem de Moro, com base na Lei de Segurança Nacional (LSN). O inquérito, que tramita em sigilo, investiga o ex-presidente Lula por suposto crime de calúnia ou difamação contra Bolsonaro. Em novembro, Lula afirmou que "não é possível que um país do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano". A fala, segundo o ministério, "não configura violação à LSN".

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