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CAPITÃO MORTO NA BAHIA

Moro liga morte de miliciano a gestão PT


    • São José do Rio Preto
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Pressionado por deputados da oposição a se manifestar sobre o ex-policial militar Adriano Magalhães da Nóbrega, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, atribuiu ao governo da Bahia, hoje comandado pelo PT, a operação que resultou na morte do miliciano. "A pessoa foi morta nesse confronto com a polícia. E veja: nem estou criticando a polícia lá, vai ser apurado. Mas é a polícia de Estado governado pelo Partido dos Trabalhadores", afirmou o ex-juiz em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira, 12.

A Bahia é governada pelo petista Rui Costa. Segundo as informações oficiais, Adriano morreu após confronto com homens do Batalhão de Operações Especiais baiano. Ele estava foragido desde janeiro de 2019, até que foi localizado em Esplanada, no interior baiano.

O ex-PM teve a ex-mulher, Danielle Mendonça da Costa, e a mãe, Raimunda Veras Magalhães, contratadas no gabinete de Flávio Bolsonaro quando ele era deputado estadual. Ambas são investigadas por suposta participação em esquema de rachadinha (desvio de dinheiro dos seus salários para o parlamentar). Também era ligado a Fabrício Queiroz, outro ex-assessor de Flávio, filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

A versão de queima de arquivo para a morte de Adriano da Nóbrega foi explorada pela oposição durante parte dos debates travados na terça-feira, no plenário da Câmara. Flávio já homenageou o ex-policial na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Moro aproveitou a audiência para rebater versões sobre suposto interesse do governo em poupar o ex-policial. Uma das críticas que sofreu foi por não ter incluído Adriano da Nóbrega na mais recente lista de criminosos mais procurados. De acordo com o ministro, a inclusão não ocorreu por razões meramente técnicas.

"Ninguém protegeu essa pessoa, ela foi encontrada. Se estivéssemos protegendo alguém, estaríamos fazendo um péssimo trabalho", disse, em resposta à provocação lançada pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS).

Bate-boca

A sessão da CCJ da Câmara acabou com confusão. "Eu não tenho outra coisa a dizer, a não ser chamar um ministro da Justiça que blinda a família Bolsonaro quanto a estes temas [envolvimento com as milícias] de capanga da milícia", disse o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) dirigindo-se a Moro.

O presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), tentou controlar a situação, mas quando Sergio Moro retrucou Glauber, o chamando de desqualificado, a confusão tornou-se generalizada. Éder Mauro (PSD-PA) foi pra cima de Glauber Braga e colegas parlamentares precisaram intervir para que os dois não se agredissem fisicamente.