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FUGA DO CORONAVÍRUS

Repatriados devem aterrissar na madrugada deste domingo


    • São José do Rio Preto
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Os brasileiros que estão na cidade de Wuhan, na China, epicentro do surto do novo coronavírus, embarcaram nesta sexta-feira, 7, no voo que irá trazê-los de volta para o Brasil - mais especificamente para Anápolis, em Goiás. Ao chegar no País, o grupo formado por 31 pessoas irá cumprir um período de quarentena de 18 dias. A previsão é de que eles cheguem na madrugada deste domingo, 9.

A estudante Indira dos Santos, de 34 anos, relatou ao pai, José Rubens Campos, a emoção do embarque. "Foi emocionante de verdade. Quando a gente entrou no avião disseram 'bem-vindo ao Brasil", escreveu Indira, que faz doutorado em Economia e vive na China há cerca de um ano.

Já o servidor público aposentado José Neves de Siqueira Junior, pai do estudante Vitor de Siqueira, de 28 anos, foi para Anápolis mesmo sabendo que não poderá ter contato com o filho pelas próximas semanas. "Nós estamos extremamente ansiosos. Formamos um núcleo pequeno de pais que estão aqui em Anápolis para que eles saibam que, mesmo sem poder abraçá-los agora, eles se sintam fortalecidos ao saber da nossa presença", disse ele, de Belo Horizonte. O jovem faz especialização em Mandarim na cidade chinesa.

Durante a quarentena, três vezes ao dia, cada pessoa terá que passar por exames médicos, a fim de verificar sinais vitais e demais sintomas que possam surgir. Todos poderão circular por uma área externa e delimitada do prédio da base aérea, mas terão de usar máscaras cirúrgicas nesses momentos. A refeição será levada para o local e colocada em recipientes, para que todos se sirvam.

Concluída a quarentena de 18 dias sem nenhum tipo de reação suspeita, os repatriados e a tripulação acompanhante serão liberados para irem para suas casas.

A China tinha 718 mortes por coronavírus e 31.211 casos confirmados até esta sexta, 7, de acordo com o balanço do governo Chinês. Ao menos 1.540 pessoas já se recuperaram do vírus. Há mais de 220 casos confirmados em outros 24 países, sendo que no Brasil há 9 casos suspeitos e nenhum confirmado até agora. O 1º caso confirmado do coronavírus em latino-americanos é um argentino em cruzeiro do Japão.

Pangolim

Pesquisadores chineses apontam que o único mamífero com escamas, chamado pangolim, pode ter sido o hospedeiro intermediário do novo coronavírus, que já matou mais de 630 pessoas na China.

Acredita-se que o bicho teria sido ponte para o vírus entre morcegos, os portadores iniciais, e seres humanos. Em um comunicado, a Universidade Agrícola do Sul da China apontou que "esta descoberta será de grande importância para controle e prevenção da origem [do novo coronavírus]".

Conforme a ONG World Wildlife Fund (WWF), o pangolim é um dos animais mais traficados na Ásia e está ameaçado de extinção, ainda que protegido por leis internacionais. Na região, sua carne é considerada iguaria e as escamas têm usos na medicina tradicional. Acredita-se que a epidemia tenha começado em um mercado na cidade de Wuhan, na província de Hubei. O local vendia animais silvestres ainda vivos.

No estudo realizado, a sequência do genoma do novo coronavírus encontrado nos pangolins é 99% idêntico ao encontrado em pessoas infectadas.