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Tênis

Rumo ao maior torneio de tênis da América do Sul

Convidado pela organização, rio-pretense renova energias em casa para tentar furar o quali do Rio Open, maior torneio de tênis da América do Sul, que começa sábado


    • São José do Rio Preto
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Colecionador de bonecos da cultura pop, como da série Game of Thrones, o rio-pretense Mateus Alves, 19, começa também a colecionar títulos como tenista profissional. São dois troféus conquistados em futures em Cancún, no México, do jovem que vai para o Rio de Janeiro nesta quinta-feira, 13, para tentar furar o qualifying do Rio Open, ATP 500, maior torneio da América do Sul. "Espero jogar meu melhor tênis, entrar em quadra e fazer meu melhor. Ano passado bati na trave, perdi um jogo duríssimo no terceiro set para um espanhol que na época era 170 do mundo. Espero elevar meu nível e buscar as vitórias no quali", disse Mateus.

Em 2019, ele parou na primeira rodada após derrota para Pedro Martinez Portero por 2 sets a 1. Neste ano, serão duas rodadas para chegar à chave principal que terá Dominic Thiem, quarto no ranking da ATP e vice-campeão do Australian Open, e Matteo Berrettini, número oito do mundo. Alves estreia no sábado, 15, com adversário ainda não definido.

"Ano passado cheguei no Rio com 18 anos, um ou dois pontos na ATP e começando no circuito profissional. Agora já me vejo bem mais experiente, principalmente em torneios profissionais. Vejo isso como uma vantagem e chego para jogar mais confiante", comentou.

A confiança veio após a conquista dos primeiros títulos como profissional - um future em Cancún no fim do ano passado, seu primeiro título, e na última semana faturou o primeiro título em duplas, também no México.

"Acho que essas semanas lá foram de bastante luta, busquei vários jogos perdendo o primeiro ou segundo set. Mas a lição que fica é do espírito de luta dentro de quadra. Se conseguir trazer isso ao Rio, lutar todo ponto, acredito que os resultados podem ser especiais", torce.

No ano passado, a animação da torcida havia dado um fôlego a mais ao tenista, que também estará em contato com grandes nomes do tênis mundial. "Quero contar com o apoio de todos os brasileiros. Espero me sentir em casa para jogar à vontade", contou. "É uma experiência bem diferente pra gente que acabou de sair do juvenil e está começando. Lá é uma atmosfera incrível, estão os melhores do mundo, alguns que vejo jogar na televisão desde pequeno e estarão do meu lado treinando e no vestiário. Espero aproveitar a oportunidade."

Fôlego renovado

Após um mês no México, Alves passou três dias em Rio Preto com a família. Acostumado a rodar o mundo pelo tênis, ele acredita estar de fôlego renovado para encarar o torneio carioca. "O mais importante do período aqui é aproveitar a família, descansar um pouco, recarregar a bateria e sair mais motivado. As condições no Rio serão diferentes, então vamos uns dias antes para nos adaptar e sentir o clima". Ele e o técnico Augusto Laranja chegam ao Rio nesta quinta, 13, e realizam três treinamentos até a estreia.

'Te quiero', México

Foram quatro futures seguidos no local em que Alves conquistou o primeiro título profissional. Acumulou neste ano um vice-campeonato e uma quartas de final, além do título das duplas. Por conta disso, a cidade é figurinha carimbada no passaporte do tenista, que deve voltar ao México ainda este ano.

"Foi bem especial aquele título, vinha de resultados que poderiam ser melhores e a conquista me motivou. No começo do ano, já estava acostumado às condições, às quadras e aos jogadores, então estava me sentindo à vontade e confiante", contou Mateus.

Conhecida pelas praias paradisíacas, o tenista não teve tempo suficiente para curtir o local como um turista comum. "Um dos principais motivos de voltar pra lá foi o título. Com certeza vou voltar ao México durante o ano, já que lá me sinto à vontade para jogar e é um lugar bem especial pra mim", contou. "Quem vê de fora pensa que saio da quadra e vou para a praia, mas das quatro semanas só um dia deu para ir e relaxar a mente. O principal foco está dentro da quadra e nos treinos."

Reprodução/Instagram

Ocupando a posição 626 no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP), com 34 pontos, o objetivo de Mateus Alves e seu técnico Augusto Laranja é estar perto dos 500 melhores do mundo até o meio do ano, o que poderia render a disputa de alguns torneios da classe challenger (segundo degrau na carreira do tenista profissional).

"Foi uma boa transição do juvenil ao profissional. É uma fase complicada para todos os atletas. Terminou o ano com título e já começou com uma final e uma conquista nas duplas. Tem muito caminho para percorrer ainda, mas das projeções iniciais ele está cumprindo as metas", disse o técnico, que acompanhou Alves no México e estará no Rio de Janeiro.

Os futures, torneios que Alves tem disputado, oferecem premiações de 15 mil dólares (em média R$ 65 mil). Já nos challengers, os prêmios variam entre 35 mil e 150 mil dólares (R$ 152 mil e R$ 653 mil), além de contarem mais pontos ao ranking da ATP.

A posição de Alves só não é a melhor da carreira porque uma semana antes da última atualização, estava em 625º lugar. Caso vença a primeira partida no quali do Rio Open, Mateus somará dez pontos. Se furar o quali, somará 20.

Nos três dias que passou em Rio Preto, Mateus treinou no Harmonia Tênis Clube, sua casa na cidade. "Em Cancún era em quadra rápida, condições de jogo diferentes. Aí aqui em Rio Preto também condições distintas, mas no saibro. No Rio Open o saibro é mais lento, no nível do mar. Estamos trabalhando pensando em como ele vai jogar lá", comentou Augusto Laranja. (VS)

 

Se Mateus Alves recebeu o convite para disputar o quali do Rio Open no simples, sua participação na chave de duplas não acontecerá. Nesta quarta-feira, 12, a organização confirmou que receberam o wild card para chave principal as parcerias Thiago Monteiro e Felipe Meligeni, e Orlando Luz com Rafael Matos. No quali, completarão a lista João Menezes e Thiago Wild.

No ano passado, o tenista jogou a chave de duplas ao lado de Thiago Wild e caiu na primeira rodada da chave principal, com derrota para os cabeças de chave número 1 Marcelo Melo e Bruno Soares.

Nas duplas, o rio-pretense tem 81 pontos e está em 480º lugar no ranking da ATP, sua melhor posição na carreira. Na chave principal das duplas, estarão Marcelo Melo e Lukasz Kubot, da Polônia, Bruno Soares e o croata Mate Pavic, e Marcelo Demoliner, atual 40 da lista, além da parceria número 1 do mundo de 2019, Robert Farah e Juan Sebastian Cabal.

Na chave de simples, além de Thiem e Berrentini, atuais número 4 e 8 do mundo, o torneio terá o croata Borna Coric, de 23 anos, um dos líderes da Croácia na conquista do título da Copa Davis em 2018, o ucraniano Alexandr Dolgopolov, que retorna ao circuito após quase dois anos fora se recuperando de lesões, e o argentino Guido Pella, que conquistou o vice-campeonato do Rio Open na sua edição 2016. (VS)

Após a disputa do Rio Open, Mateus Alves vai a Adelaide, na Austrália, fazer parte da Seleção Brasileira de Tênis que enfrentará os donos da casa pela Copa Davis, no começo de março. Será a segunda experiência do rio-pretense como parte da equipe de treinos do Brasil. "Fiquei feliz de ser chamado para vivenciar essa experiência. A Davis é bem diferente, especial, e mesmo indo para a Austrália, com outras condições, quero aproveitar ao máximo e ajudar da melhor forma", disse Alves.

Serão duas semanas com os principais tenistas brasileiros na atualidade. O capitão Jaime Oncins convocou Thiago Monteiro, João Menezes, Thiago Wild, Marcelo Demoliner e Felipe Meligeni. "Os principais jogadores do Brasil estarão lá e espero aproveitar e ajudar da melhor forma possível. E quem sabe um dia voltar como jogador oficial da equipe", torce Alves. O tenista já havia feito parte de treinos da Seleção Brasileira quando tinha 15 anos, em duelo contra o Equador, em Belo Horizonte.

O Brasil se credenciou para este duelo contra os australianos após vitórias sobre Barbados, pelo Zonal Americano I, disputado em setembro do ano passado, em Criciúma, Santa Catarina. Quem vencer no duelo de março segue para o Madrid Finals, etapa mundial da Copa Davis e com as melhores equipes do planeta. A Espanha é atual campeã do torneio. (VS)