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RIO PRETO EM CRISE

Cartola exime goleiro, mas culpa macarrão

Depois de culpar goleiro, Zé Eduardo critica preparador por alimentação pré-jogo


    • São José do Rio Preto
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O presidente do Rio Preto, José Eduardo Rodrigues, voltou atrás em seu discurso da madrugada da quinta-feira, 13, depois que a equipe perdeu por 3 a 2 para o Olímpia. Na ocasião, o cartola havia culpado o goleiro Roni pela derrota no Riopretão após duas falhas. À tarde, eximiu o arqueiro da culpa, mas atribui ao macarrão servido aos atletas antes do jogo, o rendimento e a decisão pela saída do preparador físico Rafael Bighetti. A crise interna levou também à saída do técnico Régis Angeli e do auxiliar Zé Mário Crispim, em uma verdadeira 'caça às bruxas' na equipe que venceu dois de cinco jogos no Campeonato Paulista da Série A-3.

"Uma hora e meia antes do jogo o preparador físico pediu para ser servido macarrão com molho à bolonhesa e frango. Um dos jogadores teve princípio de congestão. Além disso, o Rio Preto se tornou um hospital. Não tem um treino ou jogo que um jogador não se contunde. Foram se somando algumas coisas erradas na preparação", disse o cartola ao Diário nesta quinta.

Após a derrota no dérbi regional, Zé Eduardo deu entrevista à um site parceiro do clube culpando o goleiro esmeraldino pela derrota, dizendo que vem sofrendo falhas assim há muito tempo, discurso totalmente diferente do adotado depois. "Foi um equívoco, não estamos apontando o dedo, falhou, mas em outras vezes foi bem. Falei para ele que não sai bem do gol, mas é um jogador que tem um histórico. Ele será submetido a treinos e reciclagem", afirmou o cartola.

Zé Eduardo pediu as cabeças do preparador físico e do goleiro ao treinador, que negou e pediu que saísse junto caso se confirmassem as demissões. "O Carlinhos (Guerreiro, supervisor de futebol) me chamou e transmitiu a mensagem do presidente: de que a partir de hoje o goleiro e o preparador físico não vestiriam mais a camisa do Rio Preto. Não concordei e disse que se estava demitindo eles, estava me demitindo também, já que fazem parte da minha comissão e do meu grupo de jogadores", contou Régis.

No acesso com o Monte Azul à Série A-2 no ano passado, Régis trabalhou com Rafael durante toda a temporada. "É muita divergência. Falou do macarrão antes, mas foi um lanche especial, às 16 horas. Todos os clubes usam o macarrão. Agora você acha, em sã consciência, um presidente falar isso pra imprensa do macarrão? O time está correndo. Ele poderia pôr culpa em outra coisa, como em mim, mas não na parte da preparação física", comentou Angeli.

O Jacaré tem sofrido com lesão de atletas. Estiveram machucados Ernani e Trevizan (que já saíram do clube), Beto e Glauco. O lateral-esquerdo Marquinhos sofreu lesão no joelho na quarta e aguarda exame para saber quanto tempo estará fora. "Talvez ele fez isso (as desculpas) para que eu saísse. Em relação às lesões não tem nenhum nexo, uma ou outra lesão muscular vai existir", afirmou Régis.

Interinamente o técnico João Santos e o preparador físico Ivan Canela comandam o time diante do Paulista, sábado, em Jundiaí. O preparador de goleiros Bruno Rebolo e o massagista José Carlos Sapucaia seguem no clube. O gerente Marcelo Castán foi dispensado pelo clube uma semana antes do torneio começar.

Falta profissionalismo

De saída, Angeli participou da montagem do elenco desde quando foi apresentado, no fim de novembro. A falta de profissionalismo do clube, porém, chamou a atenção do treinador. "Precisaria de pessoas com mais capacidade profissional de futebol. O clube precisa estar cercado de pessoas profissionais. O nível é muito baixo, principalmente os do futebol e que cuidam da manutenção do estádio. Muito amador o pessoal que cuida disso", disse Régis. "No Monte Azul foi dado macarrão o campeonato todo. Eu e o Rafael fizemos a programação de lá e aqui também, e estão nos questionando sem argumentos."

O Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) de Rio Preto está cobrando o Rio Preto na Justiça para que pague tarifas de esgoto e a diferença de consumo de esgoto apurada sobre leitura efetuadas entre os anos de 2005 e 2018, que totalizam R$ 2,3 milhões. São duas ações de execução fiscal, uma na 2ª Vara da Fazenda, no valor de R$ 409.783,25, cuja citação foi expedida pela juíza Tatiana Pereira Viana Santos em 3 de fevereiro, e a maior na 1ª Vara da Fazenda, de R$ 1.923.624,78, com decisão do juiz Adilson Araki Ribeiro, na mesma data.

Todos os proprietários de poços artesianos na cidade foram obrigados a instalar hidrômetros para medição de consumo e cobrança da tarifa de esgoto. O Rio Preto foi acionado em 2011 para essa instalação e só fez ano passado. Porém, questiona o valor das contas, uma vez que a maior parte da água retirada dos poços é usada na irrigação do gramado do Riopretão e não há descarte da mesma no sistema de esgoto.

"O Rio Preto nem foi citado ainda. Pedimos um recalculo no Semae das contas com base na leitura após a instalação dos hidrômetros e até houve resposta que estão apurando. Esse valor é de referências anteriores", disse o diretor jurídico do Jacaré, Gustavo Goulart Escobar. "São valores baseados numa média irreal, eram contas era R$ 7 mil, R$ 8 mil e agora, com o clube em atividade, é de R$ 1,5 reais."

Em setembro de 2019, a Justiça condenou o clube a pagar R$ 264.295,02 de honorários advocatícios ao Semae por conta da dívida estimada no processo que o obrigou a instalar os hidrômetros.