O filme 'Parasita' entrou para a história do OscarÍcone de fechar Fechar

OSCAR 2020

O filme 'Parasita' entrou para a história do Oscar

Longa do diretor sul-coreano Bong Joon-ho entrou para a história do Oscar ao ser a primeira produção de língua não-inglesa a conquistar a estatueta de melhor filme


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Longa do diretor sul-coreano Bong Joon-ho que retrata a desigualdade social por meio de uma trama que combina drama, humor e suspense, "Parasita" entrou para a história do Oscar no domingo, 9, ao ser a primeira produção de língua não-inglesa a vencer na categoria de melhor filme. Além disso, também conquistou as estatuetas de melhor diretor, melhor filme internacional e melhor roteiro original.

A vitória de "Parasita" foi a grande surpresa de uma premiação praticamente previsível, que seguiu a tendência dos prêmios que antecedem o anúncio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A estatueta de melhor filme conquistada por "Parasita" é mais um reflexo do momento de transição que pauta a história do Oscar, marcado, sobretudo, pela valorização da diversidade e da representatividade.

"É muito surpreendente ver uma produção asiática conquistando o prêmio principal do Oscar, mesmo se tratando de um país [Coreia do Sul] que é o terceiro maior produtor de filmes do mundo. Chega a ser um contrassenso, já que o Oscar é um dos grandes símbolos da indústria cultural e 'Parasita' é um filme anticapitalista do começo ao fim", comenta o jornalista, professor e escritor Alaor Ignácio dos Santos Júnior, de Rio Preto.

No entanto, a trama dirigida por Joon-ho faz jus ao destaque que teve no Oscar 2020, e em outras muitas premiações que o consagraram desde o ano passado, incluindo o Festival de Cannes, onde "Parasita" ficou com a Palma de Ouro de melhor filme. "Pela primeira vez na história do cinema um filme vence em um grande festival que privilegia o aspecto mais artístico das obras e em um grande festival que dá espaço a produções com apelo mais popular", destaca o cineasta e roteirista rio-pretense Daniel Gomes Martins.

Para Martins, "Parasita" era, sem sombra de dúvida, a produção que mais merecia levar a estatueta de melhor filme. "É um filme extremamente orgânico, desde a atuação, passando pelo roteiro, edição, direção de arte... tudo se encaixa de uma forma muito boa. Joon-ho consegue dizer muita coisa com o mínimo de recursos, a começar pela potente metáfora da desigualdade social que ele cria ao colocar os pobres morando no subsolo e os ricos em mansões altas e suntuosas."

"Parasita" narra a história de uma família de desempregados, habitantes em um porão na periferia de Seul, que se infiltra aos poucos na vida de um casal rico a partir de pequenos golpes. A grande mansão que eles passam a frequentar, no entanto, guarda alguns mistérios. À medida que os mistérios são revelados, a trama caminha para um desfecho sangrento. "O desfecho que Joon-ho dá para a história pode levar à interpretação de que o embate entre classes só se revolve com um final impiedoso", pontua Santos Júnior.

Para o diretor Alexandre Estevanato, de Rio Preto, o título do filme é perfeito. "Não haveria nome melhor, pois nós, em algum aspecto, somos hospedeiro e parasita. O ser humano é um pouco dessas duas coisas. É um retrato muito bem feito da sociedade capitalista", diz ele, que também destacou o fato do sul-coreano ter conquistado a estatueta de melhor diretor. "Se o prêmio de melhor diretor tivesse ido para Sam Mendes ['1917'], o Oscar não teria confirmado o momento de transição em que está passando."

Cão que ladra não morde (2000)

Irritado com os latidos constantes de um cão da vizinhança, professor decide tomar medidas drásticas. Nas semanas seguintes, animais começam a desaparecer do prédio onde ele reside, levando o síndico responsável a uma caça às bruxas

Memórias de um assassino (2003)

Em 1986, na Coreia do Sul, uma mulher é encontrada morta, com marcas de tortura. Dois detetives ficam responsáveis pelo caso, o segundo assassinato de uma mulher na cidade. Sem avançar na investigação, os dois não apresentam qualquer suspeita e terão de trabalhar com outro detetive, que está convencido de que é um caso de assassinatos em série. Quando uma terceira mulher é vítima do serial-killer, eles começam a encontrar pistas que os levarão até o assassino

Gwoemul - O Hospedeiro (2006)

Na beira de um rio moram Hie-bong e sua família. Seu filho mais velho tem 40 anos, mas é um tanto imaturo. A filha do meio é arqueira do time olímpico e o filho mais novo está desempregado. Todos cuidam de uma menina cuja mãe saiu de casa há muito tempo. Um dia surge um monstro no rio, levando com ele a garotinha. É quando os membros da família decidem enfrentar o monstro

Tokyo! (Segmento Shaking Tokyo) (2008)

Um homem vive isolado do resto do mundo há dez anos, até a visita de uma jovem entregadora de pizza. Um terremoto acontece na cidade, fazendo com que eles se apaixonem

Mother - A busca pela verdade (2009)

Uma mulher viúva cuida sozinha de seu filho único. Este homem de 28 anos, ingênuo e infantil, costuma se comportar de maneira inconsequente, dependendo com frequência da mãe. Um dia, ele é acusado do assassinato de uma adolescente, mas parece sequer compreender a acusação. Diante da incompetência do advogado de defesa, a mãe parte em busca do verdadeiro assassino

Expresso do Amanhã (2013)

Quando um experimento para impedir o aquecimento global falha, uma nova era do gelo toma conta do planeta. Os únicos sobreviventes estão a bordo de uma imensa máquina chamada Snowpiercer. Lá, os mais pobres vivem em condições terríveis, enquanto a classe rica é repleta de pessoas que se comportam como reis

Okja (2017)

Nova York, 2007. A CEO de uma empresa apresenta ao mundo uma nova espécie animal. Apelidada de 'super porco', ela é cuidada em laboratório e tem 26 animais enviados para países distintos. A ideia é que os animais permaneçam espalhados por dez anos, sendo que, após esse período, participarão de um concurso. Uma década depois, uma jovem convive desde a infância com Okja, o 'super porco' fêmea criado pelo avô. Prestes a perdê-la, decide lutar para ficar ao lado dela, custe o que custar

Parasita (2019)

Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um

The Academy/Divulgação

Confirmando o favoritismo, Joaquin Phoenix conquistou a estatueta de melhor ator no Oscar 2020 por sua atuação em "Coringa". E, assim como fez em premiações anteriores, proferiu um discurso carregado de desabafo e emoção, levantando questões políticas e destacando a possibilidade que ele e seus colegas artistas têm de "dar voz aos que não têm".

"Não me sinto acima de nenhum dos outros indicados ou de qualquer outra pessoa nesta sala. Todos nós compartilhamos o mesmo amor pelo cinema. Esse meio me deu tantas coisas extraordinárias que nem sei o que eu seria sem ele. Mas acho que o maior presente que me deu, e a muitos nessa sala, é a oportunidade de usar nossa voz pelos que não têm", disse, no início de seu discurso.

"Seja falando sobre desigualdade entre gêneros, racismo, direitos LGBTQ ou indígenas, direitos dos animais, estamos falando sobre lutar contra a ideia de que uma nação, uma raça, um gênero ou uma espécie tem o direito de dominar, controlar, usar e explorar outros sem impunidade. Acredito que nos desconectamos demais do mundo natural, e nos sentimos culpados por ter uma visão egocêntrica, a crença de que estamos no centro do universo", continuou.

"Entramos no mundo natural, roubamos seus recursos. Nos sentimos no direito de inseminar artificialmente uma vaca e então roubar seu bebê quando ele nasce, mesmo que seus gritos de angústia sejam perceptíveis. E então bebemos o leite que é destinado ao bezerro e colocamos em nosso café e cereal", disse o ator, que é vegano.

"Quando usamos amor e compaixão como nossos princípios, podemos criar, desenvolver e implementar sistemas de mudança que são benéficos para todos os seres e ao meio ambiente", completou o ator, que ainda destacou como o cinema mudou sua vida para melhor. "Fui um canalha minha vida toda. Fui egoísta, cruel às vezes, alguém difícil de trabalhar. Estou grato porque muitos aqui nessa sala me deram uma segunda chance. Acredito que estamos no nosso ápice quando apoiamos uns aos outros. Não quando nos cancelamos por erros passados, mas, sim, quando nos ajudamos a crescer. Educamos uns aos outros, e nos guiamos no caminho pela redenção."

Por fim, o ator lembrou de seu irmão, River Phoenix, que sofreu uma overdose aos 23 anos, em 1993. "Quando tinha 17 anos de idade, meu irmão escreveu uma música em que dizia 'vá ao resgate com amor, e a paz o seguirá'."

Melhor filme

• "Parasita"

Melhor ator

• Joaquim Phoenix - "Coringa"

Melhor atriz

• Renée Zellweger - "Judy: Muito Além do Arco-Íris"

Melhor diretor

• Bong Joon Ho - "Parasita"

Melhor atriz coadjuvante

• Laura Dern - "História de um casamento"

Melhor ator coadjuvante

• Brad Pitt - "Era uma vez em... Hollywood"

Melhor roteiro adaptado

• "Jojo Rabbit" - Taika Waititi

Melhor roteiro original

• "Parasita" - Bong jooh Ho e Han Jin Won

Melhor documentário

• "Indústria Americana"

Melhor edição

• "Ford vs Ferrari"

Melhor fotografia

• "1917"

Melhor maquiagem e cabelo

• "O escândalo"

Melhor mixagem de som

• "1917"

Melhor curta-metragem

• "The neighbors’ window"

Melhor figurino

• "Adoráveis Mulheres"

Melhor canção original

• "(I’m gonna) love me again" - "Rocketman" - Elton John e Bernie Taupin

Melhor trilha original

• "Coringa" - Hildur Guadnotóttir

Melhor animação

• "Toy story 4"

Melhor curta de animação

• "Hair love"

Melhor curta documentário

• "Learning to skateboard in a warzone"

Melhor filme internacional

• "Parasita" - Coreia do Sul

Melhor design de produção

• "Era uma vez... em Hollywood"

Melhor efeitos visuais

• "1917"