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Serviço de transplante de medula infantil no HCM é inaugurado

Isadora, 6 anos, e Luiz Felipe, 8, são dois dos primeiros pacientes a passarem pelo transplante de medula óssea infantil no Hospital da Criança e Maternidade. Serviço foi anunciado oficialmente nesta sexta


    • São José do Rio Preto
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O sorriso contagiante de Isadora, 6 anos, e o olhar leve do pequeno Luiz Felipe, 8, têm o mesmo motivo: o sucesso após o transplante de medula óssea (TMO) realizado no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto. O serviço iniciou em agosto de 2019 e foi anunciado oficialmente nesta quarta-feira, 12. A nova ala conta com quatro quartos e oito leitos especializados em dois tipos de transplantes que serão oferecidos para Rio Preto, região e onde mais houver uma criança com até 15 anos que necessite de uma vaga para uma nova chance de vida. A expectativa do HCM é fazer 48 transplantes todos os anos.

Isadora Neves Felisardo é de Novo Horizonte e recebeu o transplante no hospital em 12 de dezembro do ano passado. Ela chegou no HCM com suspeita de leucemia, mas ao passar por exames foi diagnosticada com Aplasia Medular - uma doença que ataca a medula óssea e causa falência na produção das células sanguíneas. "Foi quando eu entrei em choque, porque há um ano e quatro meses já tinha perdido meu pai", conta a mãe dela, Daneila Pereira Neves, 34 anos.

Vinte e um dia depois do transplante, os resultados do hemograma da pequena mostraram o mais aguardado pela família: a "pega" medular com o início da produção de novas células do sangue no corpinho de Isa, como é chamada pela mãe. "É uma graça Divina. Um dia tinha 2 mil plaquetas, no outro dia mais de 100 mil", celebra Daneila.

A menina continua em acompanhamento pelo hospital com exames e medicação. Os dias de Isadora ainda são privados de locais muito movimentados, uma vez que a resistência dela ainda é frágil. Na mesma situação está o flamenguista de coração Luiz Felipe, encaminhado ao HCM por meio de um sistema do Ministério da Saúde. O garotinho veio de Goiânia (GO) para ser transplantado e realizou a cirurgia no dia 13 de dezembro do ano passado.

Desde julho de 2018 na luta contra a Leucemia Mieloide Aguda (LMA) - o câncer das células brancas do sangue (leucócitos) -, a criança recebeu a medula do pai, Walteir Luiz Correia Ferreira, 32 anos, 50% compatível com a dele. Quinze dias depois do procedimento, o organismo da criança reagiu positivamente com a produção de novas células. "Foi perfeito. Desde o dia que nos receberam aqui a gente começou a se acalmar e a confiar que o tratamento ia dar certo", afirmou Walteir.

Casos considerados de sucesso até aqui, que devem se somar a tantos outros no hospital daqui para frente. Coordenada pelo médico João Victor Piccolo Feliciano e pela hematologista pediátrica especializada em transplante de medula óssea Laila Fortunato, a equipe multidisciplinar está preparada para realizar tanto o transplante autólogo - inserção de células-tronco do próprio paciente depois de uma alta dose de quimio ou radioterapia - e também o alogênico, cujas células vêm de um doador.

"Aqui vamos realizar esse tipo de transplante com doadores 100%, 90% e 50% compatíveis", explicou Piccolo. O especialista não quis estimar um percentual sobre as chances de cura em razão da possibilidade de o transplante ser oferecido no centro de tratamento. Segundo ele, a cura depende do tipo de câncer, se está bem ou pouco estável no momento do transplante e da reação de cada organismo. "Mas o que podemos afirmar é que o acesso faz diferença", disse.

Segundo Piccolo, os oito leitos vão agilizar a fila do transplante de medula óssea no Brasil. O gerenciamento das vagas será feito pelo próprio HCM, uma vez que as filas são descentralizadas, embora o Ministério da Saúde atue para encaminhamentos. "Vamos seguir critérios que editam as necessidades", finalizou.