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'MADE IN CHINA'

Produtos importados da China não têm risco do coronavírus

Diante da epidemia de coronavírus, que já se espalhou por 25 países, um dos temores é nas compras online, principalmente as feitas 'made in China', mas especialista afirma que não há risco de contágio


    • São José do Rio Preto
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A facilidade e o preço são fatores que influenciam diretamente na hora de comprar produtos pela internet. Dados da consultoria da App Annie, companhia internacional de análise do mercado mobile, revelam que o Brasil é o terceiro país no ranking mundial em tempo gasto em aplicativos (apps) de compras, atrás apenas da Índia e da Indonésia. Entre os apps mais baixados por brasileiros, destaque para dois aplicativos que comercializam diretamente produtos chineses: o AliExpress e o Wish. Porém, no meio do "furacão" coronavírus, comprar itens da China pode tornar-se uma dor de cabeça, já que o surto do vírus aconteceu na cidade chinesa de Wuhan e há dúvidas se as encomendas oriundas do país asiático podem chegar contaminadas ou não pelo vírus.

O virologista Maurício Nogueira Lacerda, chefe do laboratório de virologia da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), afirma que não tem perigo a pessoa receber encomendas compradas pela internet vindas da China. O tempo transcorrido entre o local do envio e o destinatário final, período em que o vírus permaneceria em tempo ambiente, inviabilizaria sua propagação.

Inclusive, entidades internacionais, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, destacam isso. "Em geral, por causa da baixa sobrevivência do coronavírus em superfícies, há um risco muito pequeno de disseminação por meio de produtos ou embalagens enviadas ao longo de dias ou semanas em temperatura ambiente", diz a nota da entidade americana traduzida para o português.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que, até o momento, o governo não impôs restrições neste sentindo e segue as normas impostas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que afirma não haver necessidade de medidas para evitar viagens ou comércio internacional com a China.

De acordo com o virologista, o coronavírus faz parte de uma família de vírus, conhecida como vírus de RNA (mais propensos a sofrer mutações genéticas), que infecta uma série de diferentes espécies já há bastante tempo. "São importantes patógenos em gatos, por exemplo; e mesmo em humanos - nós temos infecções respiratórias e diarreias causadas por coronavírus", informa.

Mas o que chama a atenção, segundo o especialista, é a capacidade do vírus de mudar de espécie. De tempos em tempos, o coronavírus de outras espécies se adaptam aos seres humanos. "Tivemos o Sars em 2000, o Mers em 2006, e agora temos esse novo vírus de 2019, que é um coronavírus de morcego, que começou a infectar humanos, causando uma síndrome respiratória grave, por enquanto, restrita à China, mas com casos importados em outros países."

Sem medo

Adepta das compras pela internet e por aplicativos, a auxiliar administrativa Camila Jitiako, 36 anos, tem preferência por sapatos, relógios e pulseiras. Inclusive, efetuou um pedido há 15 dias pelo aplicativo Wish e aguarda o produto chegar. Apesar do app de compras não informar e não passar nenhuma orientação sobre o coronavírus, Camila diz estar tranquila. "Não tenho medo. Mas também sei que nenhum vírus sobreviveria muito tempo, sem qualquer tipo de contato com algo que o mantenha vivo. Se surgir qualquer dúvida, posso seguir as orientações dadas pela Anvisa."

Procurada pela reportagem, a plataforma global Wish informou que acompanha as recomendações da OMS e "está monitorando essas diretrizes de perto e atualizará as políticas da empresa conforme e quando necessário". O AliExpress não retornou.

Mesmo que não haja recomendação estrita para quem reside no Brasil, por não existir a transmissão do novo coronavírus no País até o momento, a Secretaria de Estado da Saúde criou um Plano de Risco e Resposta Rápida. Antes de ir ao serviço de saúde, a pessoa que tiver sintomas de resfriado e histórico de viagem recente à China ou que teve contato com alguém que foi para aquela região deve telefonar com antecedência para a unidade relatando a situação. É que deslocamentos sem os devidos cuidados não devem ser feitos.

A investigação é feita pelas secretarias municipais de Saúde. Amostras biológicas dos pacientes são coletadas e enviadas para análise no Instituto Adolfo Lutz. O telefone da Secretaria Municipal de Saúde é o (17) 3216-9766 e, no site saude.riopreto.sp.gov.br, o morador encontra os telefones e endereços dos postos de saúde. (RP)

O que é coronavírus?

Conhecido desde meados da década de 60, o coronavírus faz parte de uma grande família de vírus e recebe esse nome por causa de pequenos espinhos que possui em sua superfície, lembrando uma coroa. O atual é apelidado pelos cientistas de 2019-nCoV, descoberto na cidade chinesa de Wuhan, em 31 de dezembro do ano passado

Sintomas

Na maioria dos casos, a pessoa apresenta infecções das vias aéreas superiores e febre. Em outros, há quadros de pneumonia e insuficiência respiratória aguda. Pacientes idosos, crianças ou com baixa imunidade apresentam manifestações mais graves. Os sintomas podem aparecer até 14 dias após a infecção. Também há registro de casos assintomáticos

Contaminação

A transmissão ocorre por meio do contato físico, pelo ar ou por secreções. Até agora, a maioria dos casos foram transmitidos entre pessoas com contato próximo, como familiares e profissionais de saúde. Uma pessoa infectada consegue contagiar, ao menos, três pessoas. Especialistas informam que o coronavírus não sobrevive em superfícies e objetos por muitos dias em temperatura ambiente

Tratamento

A recomendação é o paciente ficar em repouso, preferencialmente isolado, consumir bastante água e tomar medicamentos que aliviam os sintomas, como analgésicos e antitérmicos, para dor e febre. Por meio da sequência de DNA do vírus, cientistas de alguns países, como a própria China e os Estados Unidos, estão estudando a possibilidade de criar uma vacina específica. Segundo a OMS, os testes da vacina em humanos já poderão ocorrer no início de junho deste ano

Prevenção

Evitar contato próximo com pessoas que apresentam quadros de infecções respiratórias. Lavar frequentemente as mãos com água, sabão e álcool em gel, usar lenço descartável para higiene nasal. Se necessário, usar máscaras. Não compartilhar objetos de uso pessoal. Procurar ficar em ambientes abertos e bem ventilados e evitar contato com animais selvagens ou doentes em fazendas e criações

Fonte: Ministério da Saúde