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Desafio que viralizou na internet gera risco de morte

Menina que entrou na "brincadeira" morreu em decorrência de um traumatismo craniano


    • São José do Rio Preto
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Uma adolescente de 16 anos morreu após participar de um desafio que se popularizou na internet nos últimos dias. Emanuela Medeiros bateu a cabeça no chão e sofreu traumatismo craniano ao entrar na brincadeira em uma escola municipal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A garota chegou a ser socorrida pela direção do colégio e foi levada a um hospital da região, mas não resistiu.

A morte de Emanuela foi em novembro do ano passado, mas só agora gerou repercussão porque o desafio, conhecido como "quebra-crânio", viralizou nas redes sociais. A "brincadeira" precisa de três participantes. Os dois que estão nas extremidades pulam primeiro. O participante do meio, sem entender a brincadeira, pula em seguida, sofrendo uma rasteira dos outros dois.

Normalmente, as pessoas caem de costas e batem a cabeça no chão, correndo o risco de sofrer ferimentos sérios no crânio e na coluna. Por isso, médicos de diversas especialidades têm compartilhado imagens com o intuito de alertar os pais. "Traumas como esses podem levar a uma hemorragia intracraniana, necessitar de cirurgia de emergência, levar ao coma e até mesmo a morte", alerta a pediatra Lilian Gonçalves Zaboto em suas redes sociais.

"As crianças e adolescentes que entram nessa brincadeira fazem por ingenuidade, pois a maioria não sabe que os supostos amigos vão derrubá-los", explica a pediatra. Ela acrescenta que os adolescentes nem sempre têm noção do perigo em que estão colocando o amigo que caiu. "Cabe aos pais orientar os filhos para que não participem dessa brincadeira", afirma.

"Apesar de a altura não ser grande, a queda pode levar a uma fratura na coluna, principalmente lombar ou torácica. Se a força for maior, pode resultar em um trauma de crânio, com consequências mais imprevisíveis, ou, ainda, um trauma na coluna cervical, que seria evidentemente pior", afirmou a especialista. "A prevenção quanto a isso é informar crianças e adolescentes sobre os riscos de lesões graves, pedindo para que eles não participem dessas brincadeiras", finaliza a especialista.

Fraturas no braço ou de punho também são possíveis, pois a pessoa pode tentar usar como apoio pra não cair e bater a cabeça.

Iniciativas

Em Rio Preto, a Coopen começou um projeto de orientação sobre os perigos do desafio. Segundo o coordenador pedagógico da instituição, George Trindade, o tema está sendo discutido em sala de aula com a presença de um psicólogo. Os alunos também fizeram vídeos que foram publicados nas redes sociais. "Orientamos os funcionários para que fiquem atentos a atitudes suspeitas".

O supervisor de ensino da Diretoria Regional de Ensino de Rio Preto, Bento Teixeira dos Santos, disse que já existe um programa de prevenção à violência nas escolas. "Até o momento, não tem orientação específica sobre as brincadeiras. Mas temos um programa novo, o Conviva, para prevenção de conflitos e violência nas escolas", disse.

A Secretaria Municipal de Educação informou que não há programas sobre o assunto.

(Colaborou Ingrid Bicker)