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NEM CARRO NEM ÔNIBUS

Corredor exclusivo fica ocioso por até 12 minutos, em Rio Preto

Levantamento mostra o número de ônibus que trafegam nas faixas exclusivas. Na General, passa um circular a cada 12 minutos


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

A faixa exclusiva para ônibus na rua General Glicério, na Redentora, recebe um ônibus a cada 12 minutos e 51 segundos, em média, no horário de funcionamento dos corredores na parte da tarde. Em pleno horário de pico, das 16h30 às 19h30, quando apenas ônibus podem circular por ali, a faixa recebe 14 veículos - sem contar os carros e motos que invadem o corredor. Enquanto isso, os outros automóveis ficam enfileirados na faixa destinada a todos os tipos de veículos - em alguns momentos os pontos ficam congestionados.

A General, na Redentora, é a via que menos recebe coletivos entre todas as 18 ruas e avenidas que receberam os corredores de ônibus de Rio Preto. Segundo levantamento da Secretaria de Trânsito, apenas cinco linhas passam pela rua. Pela manhã, o número de viagens é um pouco maior: 29 ônibus passam na pista, deixando uma média de um coletivo a cada seis minutos e 12 segundos.

Outras cinco ruas ou avenidas têm média de frequência de ônibus que ultrapassa os cinco minutos (veja a média de cada via no infográfico). Constatação que reforça a reclamação de motoristas sobre a necessidade de corredores de ônibus em algumas ruas de Rio Preto.

Eduardo Morais, por exemplo, sempre trafega no período da manhã pelo corredor da avenida João Bernardino de Seixas - nesse horário, a média é de um ônibus a cada quatro minutos no sentido bairro-Centro. Ele destaca que o trânsito fica com apenas uma faixa para carros na avenida e em algumas ruas do Centro. "Em algumas ruas do Centro está atrapalhando, por exemplo, na General Glicério e Bernardino de Campos", disse.

Já o condutor Daniel Aparecido diz que os corredores são benéficos, mas acredita que o projeto precisa ser revisto em alguns pontos. "Eu acho que não tem que ter corredor em todas essas vias. Tem rua que tem corredor de ônibus que já era trânsito, agora com uma faixa só, piora a situação". Opinião similar à do aposentado Geraldo Daniel. "Tem algumas ruas que não precisava."

Até quem pega ônibus relata a fila de carros, como a dona de casa Neuza Lopes. "Numa parte foi bom os corredores, mas fica aquela fila imensa de carro. E direto acontece isso", disse. Alguns motoristas destacam as infrações. "Foi bom, mas o pessoal não tem respeitado as faixas", disse a motociclista Claudia Barcelos.

Em análise

O secretário de Trânsito de Rio Preto, Amaury Hernandes, disse que a pasta está monitorando se algum tipo de alteração precisará ser feita nas vias com corredores de ônibus. "Temos que analisar durante dois meses, verificar os horários que têm maior número de ônibus, para depois tomarmos alguma medida. Então vamos analisar todos eles [corredores] para ver se é possível fazer alteração para não prejudicar o todo em seu funcionamento."

Hernandes afirma que uma das hipóteses já descartada pela pasta é de cada corredor funcionar em um horário específico. "Não tem como fazer como as pessoas falam de tal corredor funcionar em tal hora. Se fizer um horário para cada corredor, imagina como vai ficar a cabeça do condutor. A hora que entrar num corredor ele não sabe se aquele é de um horário ou de outro. Isso viraria uma loucura", afirmou.

Para o secretário, novas rotas precisam ser buscadas pelos condutores da cidade com o funcionamento dos corredores. "As pessoas que transitam num determinado lugar têm que buscar outros caminhos, ou em alguns casos usar o transporte público. O corredor foi criado para dar agilidade ao transporte público. Você tem que fazer regras que ajudem o transporte público e não que o prejudiquem".

Economia de espaço

Para o especialista em trânsito Renato Campestrini, é necessário destacar que o número de pessoas transportadas nos ônibus em muitos casos supera o total de gente levada nos carros. "Quando se implanta faixas exclusivas, os usuários do transporte coletivo podem ter a possibilidade de usufruir de maior tempo livre, que não seja aquele preso no trânsito."

Segundo Campestrini, enquanto um ônibus com 48 passageiros ocupa 90 metros quadrados (m²) na via, 48 veículos particulares ocupam 840 m². "Fato esse que mostra o quanto priorizar o transporte coletivo é uma decisão acertada, e com isso, quem sabe, mais pessoas se sintam motivadas a mudar seu modo de transporte".

O especialista e engenheiro de trânsito José Bernardes Félex ressalta que as reclamações dos motoristas são comuns no início de operação dos corredores. Mas ele diz que os dados de cada via precisam ser analisados pela Secretaria para possíveis alterações. "Cada caso é um caso. Usualmente quando o corredor é de ônibus e tem bastante ônibus passando, ninguém consegue dizer que não tenha sentido ter o corredor de ônibus. Mas quando o corredor tem pouco ônibus, ou seja, o tempo entre um ônibus e outro é grande, isso gera uma discussão", falou.

Ainda segundo o especialista, a reclamação dos motoristas sobre as faixas exclusivas para o transporte coletivo procede quando a rua não tem grande movimentação de carros. "Aí não está prestando qualquer serviço para ao transporte coletivo. A rua não tendo movimento, eu não preciso do corredor, mas se a rua tiver muito movimento, mesmo passando um ônibus de vez em quando, o transporte coletivo se beneficia", opinou.

Corredor 1 - Pedro Amaral (sentido bairro) / João Mesquita (sentido Centro)

  • 9 linhas passam pelas ruas

Manhã

  • 95 viagens em cada rua
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 53 segundos

Tarde

  • 101 viagens em cada rua
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 47 segundos

Corredor 2 - General Glicério (sentido Centro) / Bernardino de Campos (sentido bairro) - Vila Maceno

General Glicério (sentido Centro)

  • 7 linhas passam pela rua

Manhã

  • 54 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 20 segundos

Tarde

  • 66 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 43 segundos

Rua Bernardino de Campos (sentido bairro) Vila Maceno

  • 7 linhas passam pela rua

Manhã

  • 95 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 53 segundos

Tarde

  • 66 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 43 segundos

Corredor 3 - XV de Novembro (sentido Centro) / Antônio de Godoy (sentido bairro)

Rua XV de novembro (sentido Centro)

  • 7 linhas passam pela rua

Manhã

  • 66 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 43 segundos

Tarde

  • 72 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 30 segundos

Rua Antônio de Godoy (sentido bairro)

  • 15 linhas passam pela rua

Manhã

  • 110 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 38 segundos

Tarde

  • 102 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 46 segundos

Corredor 4 - Alberto Andaló (ambos os sentidos de fluxo)

  • 20 linhas passam pela avenida

Manhã (Centro-bairro)

  • 119 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 30 segundos

Tarde (Centro-bairro)

  • 126 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 25 segundos

Manhã (bairro-Centro)

  • 133 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 21 segundos

Tarde (bairro-Centro)

  • 128 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 24 segundos

Corredor 5 - Bady Bassitt (ambos os sentidos de fluxo)

  • 10 linhas passam pela avenida

Manhã (Centro-bairro)

  • 92 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 1 minuto e 57 segundos

Tarde (Centro-bairro)

  • 78 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 30 segundos

Manhã (bairro-Centro)

  • 50 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 36 segundos

Tarde (bairro-Centro)

  • 41 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 4 minutos e 23 segundos

Corredor 6 - João Bernardino de Seixas (ambos os sentidos de fluxo)

  • 4 linhas passam pela avenida

Manhã (Centro-bairro)

  • 45 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 4 minutos

Tarde (Centro-bairro)

  • 26 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 6 minutos e 55 segundos

Manhã (bairro-Centro)

  • 35 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 5 minutos e 8 segundos

Tarde (bairro-Centro)

  • 34 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 5 minutos e 17 segundos

Corredor 7- General Glicério (sentido bairro) / Bernardino de Campos (sentido Centro) - Vila Redentora

Rua General Glicério (sentido bairro) - Centro/Redentora

  • 5 linhas

Manhã

  • 29 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 6 minutos e 12 segundos

Tarde

  • 14 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 12 minutos e 51 segundos

Rua Bernardino de Campos (sentido Centro) – Redentora/Centro

  • 5 linhas

Manhã

  • 26 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 6 minutos e 55 segundos

Tarde

  • 42 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 4 minutos e 16 segundos

Corredor 8 - Mirassolândia (ambos os sentidos de fluxo)

Avenida Mirassolândia

  • 6 linhas passam pela avenida

Manhã (Centro-bairro)

  • 55 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 16 segundos

Tarde (Centro-bairro)

  • 51 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 31 segundos

Manhã (bairro-Centro)

  • 56 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 12 segundos

Tarde (bairro-Centro)

  • 52 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 27 segundos

Avenida Ernani Pires Domingues

  • 3 linhas passam pela avenida

Manhã

  • 46 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 54 segundos

Tarde

  • 41 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 4 minutos e 23 segundos

Corredor 9 - Philadelpho Gouvea Neto (ambos os sentidos de fluxo)

Avenida Philadelpho Gouvea Neto

  • 9 linhas passam pela avenida

Manhã (Centro-bairro)

  • 59 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 3 minutos e 3 segundos

Tarde (Centro-bairro)

  • 67 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 40 segundos

Manhã (bairro-Centro)

  • 70 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 34 segundos

Tarde (bairro-Centro)

  • 67 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 2 minutos e 40 segundos

Avenida Elias Tarraf2 linhas

Manhã

  • 23 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 7 minutos e 49 segundos

Tarde

  • 20 viagens
  • Frequência média: um ônibus a cada 9 minutos
Guilherme Baffi 7/2/2020

O corredor da avenida Alberto Andaló - que entrou em operação em dezembro de 2016, parou para correção e voltou a operar em outubro de 2018 - é o que possui maior fluxo de coletivos durante os horários exclusivos para ônibus.

Em média, 506 coletivos do transporte público de Rio Preto passam apenas nos horários de funcionamento do corredor (manhã e tarde) por dia. Sem contar os inúmeros ônibus intermunicipais que passam pela via para acessar a rodovia Washington Luís (SP-310) ou outras rodovias.

Segundo o estudo, em média, na Andaló, das 5h às 8h, um ônibus passa a cada um minuto e 21 segundos pela via no sentido Terminal. É a menor frequência média de coletivos entre todos os corredores de ônibus de Rio Preto. Já entre 16h30 e 19h30, em média, um ônibus passa a cada um minuto e 25 segundos pela via, com um total de 126 viagens.

Segundo Roger, a via também é uma das que menos possui multas. "Acredito que é por conta do tempo de operação dele. Assim, os motoristas estão mais acostumados", pontou. (RC)

Desde que os corredores entraram em operação em Rio Preto, de acordo com dados da Guarda Civil Municipal (GCM), 1.175 motoristas foram autuados por transitar, parar ou estacionar nos nove corredores da cidade. Média de 90 autuações por dia.

Os campeões de multas, segundo a GCM, são as faixas das avenidas Bady Bassitt e Philadelpho Gouvea Neto e da rua General Glicério. "Percebemos que em todos os corredores centrais as pessoas desrespeitam mais. Acredito que é por conta do fluxo maior de veículos", pontuou o porta-voz da GCM, Roger Assis.

Em contrapartida, segundo Roger o corredor da avenida Mirassolândia é um dos que possuem menor número de infrações. "Notamos muitos motoristas que, ao visualizar o guarda, tentam sair do corredor. Assim, quando não tem guarda, um entra no corredor e o outro vai atrás", destacou.

Sobre o tempo de adaptação dos condutores, o especialista em trânsito José Bernardes Félex afirma que depende da própria fiscalização. "Se for rigorosa, de três a quatro meses o corredor de ônibus será respeitado. Se a fiscalização acontecer de tempos em tempos, de um ano a três anos para o condutor se acostumar".

O motorista pode ser autuado de três formas nos corredores de ônibus de Rio Preto: por parar na faixa exclusiva, mesmo com o pisca-alerta ligado. Nesse caso, o motorista leva uma multa média, de R$ 130,16, com quatro pontos na CNH.

A segunda infração é estacionar no corredor em horário proibido. Quem for flagrado é multado em R$ 195,47 com cinco pontos na CNH - nesse caso, o estacionamento é permitido nas avenidas apenas entre 20h e 5h, com exceção da Mirassolândia, quando é liberado o estacionamento das 8h às 16h30 também.

A infração mais grave e também mais comum é por transitar na faixa no horário proibido. A multa é gravíssima com sete pontos na CNH e R$ 293,47. "Existem duas formas de a guarda aplicar a multa. O agente pode fazer a autuação dentro do carro, quando visualiza durante o trajeto pela via, ou quando para em um ponto próximo ao corredor e faz a fiscalização", explicou Roger.

Na opinião do secretário de Trânsito Amaury Hernandes, o número de infrações nos primeiros dias de autuação é baixo. "Eu acho que em função de uma cidade com mais de 400 mil veículos, você ter essa quantidade de infrações nesse período não é muito. É um número relativamente dentro dos parâmetros normais. E a tendência é que esse número diminua, porque as pessoas vão entendendo e vendo que estão sendo fiscalizadas e necessitam cumprir o que determina a sinalização", finalizou. (RC)

Tipos de autuações no corredor de ônibus

  • Transitar na faixa de trânsito exclusiva para transporte público coletivo de passageiros:
  • infração gravíssima com 7 pontos na CNH e multa no valor de R$ 293,47

Estacionar no corredor de ônibus em horário de estacionamento proibido pela sinalização:

  • infração grave com 5 pontos na CNH e multa no valor de R$ 195,47
  • Parar no corredor de ônibus em horário proibido especificado pela sinalização:
  • infração média com 4 pontos na CNH e multa no valor de R$ 130,16

Como será feita a aplicação das multas?

  • Resposta: Da mesma forma que ocorre no corredor de ônibus da avenida alberto Andaló, em que a fiscalização fica a cargo da GCM. Em caso de estacionamento irregular, uma cópia da notificação é colocada no para-brisa do veículo. Já no caso de trânsito em corredor de ônibus durante horário proibido, não é necessária a abordagem da PM ou GCM

É permitido usar o corredor de ônibus para acessar imóveis no limite ou fazer conversões de acesso às vias perpendiculares mesmo em horário de uso exclusivo?

Resposta: Sim. a conversão deve ser feita com cuidado, mas na parte pontilhada indicada pelo corredor de ônibus

Em quais horários o trânsito é exclusivo para o transporte coletivo?

Resposta: Das 5h às 8h e das 16h30 às 19h30. entre as 8h e as 16h30 a faixa exclusiva para ônibus poderá ser usada por todos os tipos de veículos automotores

Em quais horários será proibido estacionar nos corredores de ônibus?

Resposta: Nas avenidas Philadelpho Gouvea Netto, João Bernardino de Seixas e Bady Bassitt fica permitido estacionar apenas depois das 20h e antes das 5h. A única exceção é a avenida Mirassolândia, onde será possível estacionar entre as 8h e às 16h30, atendendo a lei municipal aprovada pela Câmara em 2017. Nas ruas e trechos de ruas contemplados por corredores, como na General Glicério, Bernardino de Campos, XV de Novembro, antônio de Godoy, João Mesquita, Pedro amaral, Boa Vista, Siqueira Campos, Tiradentes, Saldanha Marinho e independência, o estacionamento será liberado na faixa da esquerda