Rio Preto bate recorde de chuva em início de anoÍcone de fechar Fechar

DESTRUIÇÃO E INTERDIÇÕES

Rio Preto bate recorde de chuva em início de ano

Início de 2020 é o mais chuvoso na cidade nos últimos sete anos, segundo medição do Semae. Quantidade de chuva que causou alagamentos e estragos - incluindo a interdição de quatro casas


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

O início do ano de 2020 em Rio Preto é o mais chuvoso dos últimos sete anos. Os 348 milímetros (mm) registrados entre 1º de janeiro e às 8h desta quinta-feira, 5, representa seis vezes mais o acumulado no mesmo período de 2019 e ultrapassa todos os outros anos - considerando os 35 primeiros dias. Os dados levados em conta são os registrados pelo Semae, na Estação de Tratamento de Água (ETA) na região da Represa Municipal - a autarquia começou a registrar os dados em setembro de 2013. A chuva intensa em pouco espaço de tempo tem provocado transtornos, como os desta terça-feira, 4, quando alagou avenidas e deixou casas interditadas.

Para a climatologista do CPTEC Marília Shinizu, a intensa quantidade de chuva em Rio Preto pode ser explicada pelo fato de a cidade estar dentro de uma faixa de nebulosidade que surge no sul da região amazônica até a região central do Atlântico Sul. "Vem numa diagonal que pega desde o estado do Amazonas até o Sudeste", afirma.

O professor aposentado da Unesp Samir Felicio Barcha analisa os dados como uma tendência. "Nosso regime pluviométrico tem 80% da chuva entre dezembro e março. Se você somar até aqui, já choveu quase todo o esperado para o período", afirmou. "Podemos considerar este como um ano chuvoso."

Para o professor, a quantidade de chuva fora da média tem relação, principalmente, com os ciclos da natureza. "Se você pegar uma série de 50 anos, você vai ver uma alternância de forma muito clara de períodos secos e chuvosos a cada sete ou oito anos", afirmou.

Embora as chuvas intensas tragam riscos para os moradores, as precipitações são consideradas como valiosas para a natureza, principalmente para a recarga dos aquíferos, como o Bauru, responsável por 27,4 milhões de metros cúbicos de água por ano (m3/ano) produzidos para o abastecimento de Rio Preto. "Essas chuvas recarregam o lençol freático e recarregam bastante", afirmou Barcha.

Estragos

A chuva que caiu na noite de terça em Rio Preto acumulou 62 mm na região do bairro Eldorado, onde está a estação meteorológica da Cetesb, e 56 mm na ETA. Quatro casas foram interditadas pela Defesa Civil e outras quatro estão sob alerta. As primeiras interdições foram na Vila Anchieta. Duas casas foram atingidas pela enxurrada e, segundo a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros precisou intervir com buracos nas paredes para escoamento, "senão a força da água ia derrubar as casas", disse José Carlos Sé, chefe da divisão de gestão e riscos da Defesa Civil.

Uma terceira casa, na rua Prudente de Moraes, foi interditada. Ela fica ao lado de uma construção, na Boa Vista. "A pessoa (construtora) não fez o muro de arrimo, fez buracos no terreno e com a chuva a parede dos dois quartos da casa ao lado veio abaixo", explicou Sé. O casal e os dois filhos moradores foram levados a um hotel, pago pela construtora. A quarta interdição também foi na Boa Vista.

Na Vila Itália, três casas foram atingidas por deslizamento de terra, mas não houve interdições. Em nenhum dos casos houve registro de vítimas. Já moradores do Jardim Canaã, próximo à avenida João Bernardino de Seixas, tiveram as casas alagadas. "Há 30 anos que estamos aqui e nunca alagou. Foi fazer a reforma da avenida que as casas da rua inteira alagaram", contou Graziela Cristina Figueiredo. "Água de esgoto que subiu pelos ralos dos banheiros", contou.

A chuva também causou uma cratera no asfalto no Parque da Cidadania, onde funcionários da Prefeitura trabalharam nesta quarta para conserto. Também houve registro de alagamento em avenidas e ruas como Constituição, Bady Bassitt e Alberto Andaló. A Secretaria de Serviços Gerais também registrou deslizamento de terra na avenida Juscelino Kubitschek. O secretário, Ulisses Ramalho, chamou atenção para os cerca de 50 bueiros em cada avenida, entupidos por conta de sacos de lixo. "A boca de lobo que absorvia mil litros de água de chuva por minuto passa a absorver 100 litros", disse.

Sobre os estragos, o secretário informou que providenciou os consertos. Sobre os alagamentos no Canaã, o Semae informou que não tem relação com o problema e que os moradores precisam instalar uma caixa de inspeção, determinada por decreto municipal.

 

Medição (em milímetros) de janeiro a 5 de fevereiro

  • 2020: 348
  • 2019: 57
  • 2018: 202
  • 2017: 261
  • 2016: 289
  • 2015: 169
  • 2014: 33

Dia mais chuvoso: 19/12/2018, com 124 mm

Dia mais chuvoso em 2020: 10 de janeiro, 91 mm

Próximos dias

O INMET publicou aviso com alerta amarelo na região de Rio Preto, o que indica chuva de até 50 mm/dia e ventos intensos (40-60 km/h)

Ações recomendadas

Em caso de rajadas de vento, não se abrigue debaixo de árvores, pois há leve risco de queda e descargas elétricas, e não estacione veículos próximo a torres de transmissão e placas de propaganda

Fonte: Índice Pluviométrico do Semae (na ETA, região da Represa)

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu alerta nesta quarta-feira, 5, com nível de perigo em potencial para chuvas intensas em Rio Preto e cidades da região. O aviso amarelo informava para chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora (mm/h) ou até 50 mm/dia, com ventos intensos de até 60 quilômetros por hora (km/h).

Para os próximos dias, o CPTEC prevê probabilidade de 80% de chuvas para Rio Preto e previsão de pancadas, principalmente no período da tarde. O CPTEC também emitiu alerta para chuvas fortes, com raios e vendaval em uma faixa do Estado, a qual passa pelo município. (FP)