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Além da estética: toxina botulínica pode ser uma grande aliada da saúde

Jessica Reis - 01/02/2020 00:11

A toxina botulínica, popularmente conhecida pelo seu nome comercial 'botox', é uma grande aliada da beleza, para amenizar o aspectos das indesejadas marcas de expressão e sinais do tempo, como as rugas. Mas você sabia que a toxina botulínica também pode ser usada como alternativa para o tratamento de alguns problemas de saúde? É isso mesmo, a toxina botulínica tem o poder de paralisar alguns músculos por um tempo determinado e, dessa forma, ajudar no tratamento de hiperidrose (excesso de suor), estrabismo, bruxismo, incontinência urinária e até a temida enxaqueca. Especialistas ouvidos pela revista Vida&Arte explicam como é o tratamento para cada um desses problemas.

Hiperidrose (excesso de suor)

Um dos problemas que podem ser tratados com a toxina botulínica é a hiperidrose, que é caracterizada pela sudorese excessiva isolada ou associada nas axilas, na testa, nas mãos e nos pés, segundo a dermatologista Renata Meneguette Lacerda, da Duopelle, em Rio Preto. "O tratamento é de fácil aplicação, em consultório médico, feito com anestesia tópica ou local. É feito a marcação das áreas com maior sudorese e aplicação da toxina em seguida realizado micropunturas na região com a toxina. O tratamento é temporário, pode durar de 4 a 12 meses, uma média de 7 meses", explica a especialista.

Além da hiperidrose, na dermatologia a toxina botulínica também pode ser usada no tratamento de rosácea, rugas do colo, levantamento da ponta nasal, sorriso gengival (exposição das gengivas ao sorrir) e no pescoço, para a diminuição das rugas horizontais.

Estrabismo

A toxina botulínica também é utilizada para alguns problemas oculares, como o estrabismo (desvio de um dos olhos da direção correta). Segundo o oftalmologista Marco Antonio C. Olyntho Jr, da clínica Olyntho, em Rio Preto, a toxina paralisa o funcionamento de alguns músculos, ou seja, ela é capaz de enfraquecer temporariamente músculos que estão muito ativos. "É feita uma aplicação no músculo que faz a movimentação do olho e a toxina vai fazer com que ele pare de trabalhar e fique em um estado relaxado. Com a paralisia desse músculo a gente faz com que o olho volte a ficar alinhado, evitando uma cirurgia, que seria um tratamento de eleição", explica o médico.

Ainda segundo Olyntho, o tratamento é feito sob sedação e depois da aplicação o efeito pode durar de 3 a 6 meses, podendo ser reaplicado. A toxina botulínica é indicada apenas para alguns casos de estrabismo e o procedimento cirúrgico ainda é o tratamento mais indicado para o problema.

"Na área de oftalmologia, a toxina botulínica também é indicada para o blefaroespasmo, que é quando a pessoa tem contrações involuntárias da pálpebra, a toxina pode aliviar esses sintomas ou até mesmo tratá-las adequadamente. Da mesma forma como a utilização para o estrabismo, a toxina vai ter um tempo de ação de 3 a 6 meses e é necessário uma nova aplicação", complementa o especialista.

Bruxismo

O bruxismo é o hábito de ranger os dentes, que pode ser durante à noite ou durante o dia. O problema pode causar muitos danos à saúde bucal, principalmente na estrutura dental e nas articulações temporomandibulares. “Pode levar até a perda do dente. O bruxismo causa tanto desgaste que pode ser necessário até o tratamento de canal”, explica o cirurgião-dentista Rafael Puglisi, especialista em odontologia estética, de São Paulo.

Segundo o especialista, a toxina botulínica é indicada para o tratamento do bruxismo no consultório dentário. “A aplicação é uma forma de paralisar o músculo do masseter de forma involuntária. Outra indicação é fazer o uso de placa acrílica na parte da arcada superior à noite para dormir”, finaliza o cirurgião-dentista.

Incontinência urinária

A toxina botulínica também é usada no tratamento de várias disfunções uretrais e vesicais. Segundo o urologista Rui Nogueira Barbosa, Chefe da Clínica Urológica da Beneficência Portuguesa de Rio Preto e professor de Urologia na Faculdade de Medicina Unilago, com o avanço dos estudos, o uso da toxina tem se expandido para tratar mulheres com espasticidade do assoalho pélvico, bexiga hiperativa não neurogênica e cistite intersticial.

O tratamento é feito com a toxina botulínica tipo A, que é injetada através de técnica endoscópica (cistoscopia) em múltiplos pontos da parede da bexiga urinária, em sua musculatura sob anestesia. "Uma resposta satisfatória ocorre após 7 dias da injeção e sua resposta máxima ocorre em torno de 30 dias da injeção. Seu efeito não é definitivo, com variação de 3 a 6 meses, podendo haver a necessidade de reaplicações. Melhora os sintomas de urgência, frequência e incontinência urinárias em pacientes refratárias aos tratamentos medicamentosos convencionais", explica o urologista.

Entre os possíveis efeitos colaterais, o médico cita: sangramento urinário (hematúria), infecção do trato urinário, aumento do resíduo pós-miccional (quantidade de urina que fica na bexiga imediatamente depois de uma micção) e retenção urinária.

Enxaqueca

Já imaginou reduzir as crises de enxaqueca com a toxina botulínica? Um estudo publicado em janeiro de 2019 na Plastic and Reconstructive Surgery, revista médica oficial da Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS), confirma que o tratamento com a toxina botulínica pode ser usado para diminuir as dores de cabeça. “A toxina botulínica é usada para prevenir a ocorrência das crises, melhorando a qualidade de vida dos pacientes afetados com tal condição clínica”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

As aplicações devem ser realizadas a cada três ou quatro meses, já que a substância é absorvida pelo organismo e o efeito não é permanente. “Mas os primeiros resultados, com melhora das crises, aparecem em torno de 15 dias após a aplicação”, diz o médico. O tratamento pode ser feito em pacientes com diagnóstico de enxaqueca crônica. Por outro lado, as aplicações não podem ser feitas em alérgicos aos componentes da fórmula da toxina botulínica, pessoas com doenças neuromusculares e gestantes. “É fundamental que as aplicações sejam realizadas por um cirurgião plástico especializado ou um neurologista que conheça a técnica. Além disso, o paciente deve verificar a procedência da substância e do profissional antes de submeter-se à técnica”, recomenda Rubez.

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