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ESPECIALISTA RESPONDE

Reprodução Humana Assistida

Núcleo Digital - 04/01/2020 00:00

‘Fiz tratamento e não engravidei’, ‘Já tenho mais de 35 anos e quero ser mãe, mas tenho medo’, ‘Engravido, mas em seguida acabo abortando’, ‘Tenho uma alteração genética ou uma doença hereditária’. Esses são apenas alguns dos casos que estão presente na rotina de muitas pessoas que sonham em ter filhos. Já repararam que todo mundo tem um amigo ou alguém na família que está tentando engravidar e não consegue?

Pensando nisso, convidamos os diretores do Centro de Reprodução Humana de São José do Rio Preto, o especialista em infertilidade Dr.Edilberto de Araújo Filho e a embriologista Lígia Previato, para esclarecerem algumas dúvidas e falar para nossos leitores sobre análise genética dos embriões, afinal, cerca de um terço das falhas de implantação está relacionada a alterações embrionárias.

Quais fatores são fundamentais para o sucesso de um tratamento de reprodução humana?

Não só um tratamento, mas a gravidez natural também depende de alguns pontos importantes. Dentre eles, a qualidade do embrião é um dos fatores que mais influencia a chance de sucesso da gravidez. A qualidade do embrião está diretamente ligada à capacidade implantacional dele, que, por sua vez, depende diretamente da qualidade dos gametas que o formaram, mas em alguns casos esses gametas podem apresentar alterações nos cromossomos, formando embriões chamados de aneuploides, que podem originar embriões com síndromes cromossômicas, tais como a Síndrome de Down, Patau, Edwards, dentre outras. Também podem formar embriões inviáveis para gravidez, como ocorre na maioria das vezes, resultando em abortos espontâneos.

Como é possível identificar essas alterações?

Muitos casais optam por realizar um teste genético no embrião antes que ele seja transferido ao útero da mãe, identificando anormalidades no número ou na estrutura dos cromossomos e selecionando apenas os embriões cromossomicamente “normais”. Para realizar o exame é feita uma biópsia de algumas células extraídas do embrião, que passa por exames de biologia molecular. A partir de uma tecnologia chamada NGS (Next Generation Sequencing), que permite avaliar todos os cromossomos, é possível selecionar os embriões saudáveis, portanto, os que não apresentam riscos de alterações genéticas. Com os recursos laboratoriais que temos hoje, podemos verificar a presença ou ausência de mutações em genes específicos, que podem ser transmitidos dos pais para os filhos. Portanto, se um dos cônjuges carrega uma mutação genética de uma determinada doença que pode ser transmitida para os filhos (fibrose cística, hemofilia, doença de Tay-Sachs, entre outras), com a biópsia dos embriões préimplantacional e realização do estudo genético (PGD) é possível detectar quais embriões não tem a doença.

Quando o teste genético pré-implatacional é indicado?

Ele é indicado para alguns casais que realizam a FIV e apresentam chances aumentadas de falhas de tratamento devido a alterações cromossômicas. Vale lembrar que uma das principais causas para a formação de embriões com alterações cromossômicas é a idade feminina avançada. Além disso, existem outras condições nas quais os especialistas orientam que o casal realize o teste genético do embrião, tais como casais com histórico de abortamento recorrente; que possuem histórico de aborto espontâneo com alterações de cariótipo de um dos pais; casais que desejam realizar a transferência de embrião único e só desejam manter congelados embriões geneticamente normais.

Quais vantagens oferece esse estudo genético do embrião e quais os riscos da biópsia?

Realizar o teste genético do embrião antes de transferi-lo ao útero é a análise mais eficiente para detectar embriões saudáveis, diminuindo muito o risco de alterações genéticas do embrião transferido e otimizando as chances de sucesso da gravidez. A biópsia embrionária realizada por embriologistas treinados oferece risco mínimo aos embriões e é aprovada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nos casos em que há indicação médica, como os citados anteriormente.

 

CRH - Centro de Reprodução Humana de S. J. Rio Preto

Diretor técnico: Dr. Edilberto de Araújo Filho (CRM 69.058)

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