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Cidades inteligentes: o futuro já começou

Soluções tecnológicas para otimizar o trânsito, os serviços de saúde, a educação e promover melhorias na qualidade de vida dos cidadãos compõem a discussão do momento

Embora as primeiras discussões sobre cidades inteligentes (ou smart cities, a nomenclatura internacional) tenham iniciado nos anos 1980, nos Estados Unidos, recentemente o tema vem ganhando mais força e repercussão. Não é à toa: além dos avanços tecnológicos constantes, em especial o da internet das coisas, a aceleração do processo de urbanização global avança a passos largos.

Em palestra no TED Talk, o especialista em cidades inteligentes Renato Castro afirmou que, em 2016, 18 pessoas mudaram-se para a capital paulista por minuto. O resultado? Quase 10 milhões de novos habitantes na metrópole somente naquele ano, estatística que impactou diretamente a economia, o trânsito e a saúde pública, entre outras áreas. Em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há a previsão de que 90% da população brasileira se concentre nos centros urbanos.

Para dar conta dessa demanda, transformar certas metrópoles em smart cities é a solução mais viável. Mas, afinal de contas, o que define uma cidade inteligente? O conceito envolve a construção de espaços tecnológicos em diversos setores para proporcionar maior bem-estar à população. Saneamento, transporte, trânsito, educação, saúde, mobilidade, sustentabilidade e segurança são os pilares básicos. Avanços na tecnologia 5G para melhorar a capacidade de transmissão e gestão de dados devem viabilizar a expansão e aplicação do conceito.

Ricardo Andriani, diretor de inovação da Pumatronix, empresa que fabrica e desenvolve soluções para ITS (Intelligent Transportation Systems), afirma que o transporte é o setor mais sensível e necessário para o conceito de smart city. "Não se trata apenas de sincronizar semáforos para o trânsito fluir, mas de desenvolver um sistema que identifique e combata os momentos de pico ao longo do dia. O ideal é que haja ainda integração com outros sistemas, como a programação de horários do transporte público", observa.

No ponto de vista de Andriani, o Brasil tem alguns desafios pela frente na implementação de "inteligência" em seus municípios. Embora cidades com Curitiba (PR) e Campinas (SP) tenham dado o "start" para algumas iniciativas nesse sentido, o principal problema é levá-los adiante. Outro ponto para o qual ele chama a atenção é o respeito à geografia brasileira, que impede que projetos bem-sucedidos em outros países sejam replicados por aqui. "Há, ainda, uma confusão sobre o próprio conceito de cidade inteligente. Muita gente acredita que ela tem um caráter futurista, mas não se trata disso, e sim de funcionar bem e otimizar a qualidade de vida dos seus cidadãos", pontua.

Iniciativas que deram certo

É possível apontar alguns exemplos de cidades inteligentes no país. Em Curitiba, a Alameda Prudente de Moraes foi apelidada de "rua inteligente" e é considerada a primeira "rua interativa do Brasil". Ela conta com "beacons", dispositivos de tecnologia de localização minúsculos, capazes de transmitir informações sobre serviços existentes para smartphones, via Bluetooth, sem que seja necessário baixar um aplicativo. O funcionamento é simples: por meio de um pop-up no celular, quem passa em frente aos estabelecimentos comerciais recebe informações sobre descontos e promoções. A região também tem patinetes compartilhados e calçadas amigáveis e acessíveis.

O designer Guto Indio da Costa assina o projeto das plataformas do corredor BHLS Transoceânica, em Niterói (RJ), onde cada abrigo tem um megatotem eletrônico interligado ao ônibus para informar aos passageiros a posição e o tempo previsto de espera de cada veículo. Cada plataforma tem pelo menos dez bicicletários para que o passageiro deixe a bike, embarque no ônibus e pegue a bicicleta de novo ao voltar.

Outra consequência positiva das smart cities é o aquecimento do mercado imobiliário, já que um empreendimento localizado em uma área mais conectada e segura tende a ter um valor maior. Um bom exemplo é o bairro Pedra Branca, em Palhoça (SC), referência em sustentabilidade, modernidade e qualidade de vida por características como a integração dos edifícios com áreas centrais de convivência e a mobilidade facilitada.

Para o senior principal, digital & value engineering da Infor LATAM, Antonio Brito, muita gente torce o nariz para o assunto com receio de que as cidades inteligentes possam criar nas pessoas a sensação de um "Big Brother" - o personagem fictício da obra clássica "1984", que inspirou o reality show da Rede Globo - ao coletar dados sobre os cidadãos. "Outro motivo de medo é a possibilidade de que um ataque de hackers cause interrupções nos serviços de água e eletricidade", diz. No entanto, os benefícios oferecidos superam – e muito – esses temores.

As cidades inteligentes propõem que os cidadãos tenham mais acesso a serviços ligados à saúde, como banco de dados integrados aos hospitais, clínicas e postos de vacinação que permitem agendar o serviço desejado pelo cidadão pelo celular. O mapeamento de crimes reportados pelos cidadãos e melhorias nos serviços de educação, como gestão de inscrições de crianças em creches e escolas municipais e bibliotecas digitais são outras vantagens. "O impacto dessas tecnologias na vida das pessoas inclui a redução das filas de atendimento e dos exames feitos em múltiplos laboratórios, o estabelecimento de rondas ostensivas em locais mais visados e a adequação da oferta e da demanda por vagas em escolas", conclui Brito.

Evento em Curitiba destaca ações e soluções

Marcado para os próximos dias 26 e 27 de março, em Curitiba (PR), o Smart Cities Expo 2020 tem como proposta transformar o cidadão em protagonista para materializar ações de smart cities. "Vamos abranger não só o planejamento, mas abordar como cada um de nós pode agir para transformar nossas cidades", explica Caio Castro, sócio-diretor do iCities, empresa que organiza o evento no Brasil.

Segundo estimativas do iCities, a previsão é receber 10 mil visitantes, o que representa um crescimento de 40% em relação ao ano passado. A feira deve reunir 6.790 participantes, em contraponto aos 5.577 da edição anterior, que devem promover novas e diferentes experiências ao público. Outra novidade é a montagem de um espaço gastronômico exclusivo e novas salas para workshops.

Vale ressaltar que o iCities vem organizando uma comitiva brasileira para participar do Smart City Expo World Congress, promovido pela FIRA Barcelona, na Espanha, entre os dias 18 e 22 de novembro deste ano. Trata-se do principal evento mundial sobre smart cities. Gestores públicos, empresários, investidores, pesquisadores, acadêmicos e demais interessados nos temas abordados podem integrar a missão internacional.

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