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Consultório Sentimental

Resgate seu amor-próprio e sua identidade tratando-o com igualdade

Alexandre Caprio - 01/02/2020 00:20

Olá Alexandre. Me chamo F.A.S., tenho 21 anos e namoro uma pessoa há três anos. O problema do relacionamento são as constantes brigas. Perto dos outros, principalmente dos amigos, ele é a pessoa mais amável do mundo. Me chama de amor, me trata super bem. É só entrar no carro pra ir embora que ele se transforma. Fica estúpido, paranóico, fala que olhei para os outros e me ofende muito. Além disso, às vezes, ele desenvolve uma briga do nada e diz que não dá mais. Daí termina comigo, joga a aliança longe e me bloqueia de todas as formas possíveis. Depois de um tempo ele aparece de novo, pede pra conversar e eu, que sou tonta, volto. Só que andei percebendo, de uns tempos pra cá, que isso acontece muito quando tem alguma festa se aproximando. No Carnaval passado ele terminou comigo uma semana antes e apareceu cinco dias depois da quarta de cinzas. Ele também foi solteiro para a festa de Barretos e para a praia com os amigos, fora outras situações menores. Agora, com o Carnaval se aproximando de novo, estou entrando em pânico. Tem alguma coisa que eu possa fazer?

Esse é mais um dos muitos ‘homens’ duvidosos que existem por aí. Tratam os amigos com carinho e a mulher com violência. Dizem que estão sempre certos nas agressões que praticam, mas se acovardam em fazê-las em público, porque sabem que teriam que enfrentar consequências. Mas esse seu parceiro ainda tem mais uma peculiaridade. Ele é o que eu chamo de ‘traidor honesto’. Ele combina uma festa com os amigos, arruma uma desculpa esfarrapada para desenvolver uma briga, termina com você e cai na farra sabendo que, enquanto isso, você está caída na cama em prantos aguardando por ele. Depois que ele apronta tudo o que quer, te liga quase como um semi-deus, dizendo que pensou melhor, que te perdoa por ser imperfeita, e que está voltando pra casa pra comer aquele estrogonofe que só você sabe fazer do jeito que ele gosta. E o que você faz? Enxuga as lágrimas e corre para o fogão pra esquentar as panelas, agradecendo a Deus por estar trazendo o homem da sua vida de volta após tantas preces. De fato, uma história linda, de cortar o coração. Mas vamos para uma reanálise. O sujeito ficou com quantas mulheres pôde, deve ter trazido um HPV de presente pra te infernizar e você nem o questiona (vai que ele fica bravo). E, assim, ele aprende como o jogo funciona e planeja o calendário do ano. Daí é Carnaval, festa de peão, esquema dos amigos no rancho, tudo coincidentemente encaixado em uma briga aqui e outra ali. Mas sabe por que essa estratégia dele dá certo? Porque ele sabe que você jamais daria a ele uma dose do próprio veneno. Vamos imaginar que, nesse Carnaval, ele termine com você e que você não fique de molho esperando por ele. Que, mesmo não querendo, você reúna suas amigas e vá para as festas também. Não demorará e ele mandará uma saraivada de mensagens pedindo as satisfações que um ex-namorado não tem o direito de pedir. Se você sair, ele projetará os conteúdos dele em você e imaginará que você fará o que ele está fazendo. Daí a festa do sujeito virará um pesadelo e ele tentará provar de todas as formas possíveis que a lei que vale pra ele não vale pra você. Geralmente a única frase que conseguem formar nessa hora é a de que ele é homem e você é mulher, ou seja, ele pode sair, mas você não. Eu acho esse argumento muito engraçado porque, se fosse verdadeiro, só teríamos homens em festas. E nós sabemos que os homens vão até esses lugares justamente atrás de mulheres. Então, na verdade, todos podem sair e se divertir, menos você, porque você é dele até quando ele não é mais seu. Tem que ficar quietinha na estante aguardando a possibilidade do dono retornar. Vai deixando sua humanidade de lado para se transformar em um objeto, que pode ser usado ou meramente abandonado. Se está sendo tratada assim, é porque você está se assumindo dessa forma e se conformando com essa condição. Resgate seu amor-próprio e sua identidade tratando-o com igualdade. Levante-se, pegue sua fantasia de Colombina e mostre a esse Pierrot que as regras valem para os dois lados e que ele não passa de um palhaço. E que venham outros Carnavais!

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