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Consultório Sentimental

Sem desculpas

Ou ele aceita fazer um tratamento dentro dos moldes que ele rejeita ou você o rejeita

Alexandre Caprio - 04/01/2020 00:15

Olá, Alexandre. Meu nome é C.R.Z., tenho 24 anos e estou em um namoro há três. Embora não sejamos casados, moramos juntos em um apartamento que eu alugo em São José do Rio Preto. Nós não temos grandes problemas, exceto quando ele bebe. Isso pode acontecer em casa, festas ou quando ele sai com os amigos. Ele simplesmente se transforma. Fica agressivo, me trata muito mal e me humilha. Se estamos em um evento, na frente dos outros ele não diz nada. Mas quando entramos no carro, ele me acusa de ter olhado pra outros homens e me chama de todos os nomes possíveis. Às vezes ele até vem pra cima de mim. No dia seguinte, se eu não volto no assunto, ele fica um doce, como se nada tivesse acontecido. Mas já houve duas situações em que eu não deixei barato e disse que não dava mais. Aí ele quer conversar, diz que vai mudar e pede outra chance. Alexandre, se não fosse a bebida, ele seria uma excelente pessoa. Mas ele insiste que não precisa de tratamento médico, nem de grupos de apoio, que psicólogo é coisa de louco e que ele pode parar quando ele quiser. O que eu faço?

Espere aí, espere aí! Vamos atribuir responsabilidades aqui. Temos duas pessoas dentro do seu namorado: o homem lúcido que você acha que é excelente e o bêbado agressivo que te humilha e levanta a mão para você. Perfeito. Agora pense por um minutinho em quem bebe. Quem coloca o copo na boca sabendo que vai virar um agressor é o lúcido carinhoso ou o monstro cego? Exatamente, quem bebe é o homem que está consciente, que sabe que não pode beber porque vai cometer excessos. Quem dá o primeiro gole é o homem que sabe que vai te tratar mal, que sabe que vai ser injusto e que vai até tentar te bater. Então não venha me dizer que a culpa é do álcool, porque até onde eu sei, garrafas de bebida não sequestram homens inocentes e se enfiam goela abaixo neles. Se esse seu namorado fosse tão excelente como você diz, ele não se atreveria a continuar bebendo sabendo que isso faria ele se transformar na pessoa que faz tudo o que ele faz com você. O que nos leva a uma pergunta importante: por que então ele continua bebendo? Simples, porque na balança dele, é mais importante atender o desejo de beber do que o seu de não ser agredida. Além do mais, ele parece precisar de um ‘saco de pancadas’ para extravasar as frustrações dele. E adivinhe só quem está fazendo esse papel? Por isso que, no dia seguinte, ele está bonzinho e atencioso. Ele sabe direitinho de tudo o que ele fez, mas vem oferecendo paz e carinho justamente pra te desencorajar a falar do dia anterior. Como você está cansada das agressões, acaba ficando quieta e, com isso, ele não precisa pedir desculpas e nem rever o comportamento dele. Dizer que não precisa de tratamento e que pode parar quando quiser piora ainda mais as coisas. Primeiro porque ele sabe que o tratamento envolve parar de beber de verdade e isso ele não quer. Segundo que, se ele não se vê um dependente, então seria o desejo dele beber e te agredir? Finalmente, se você cria coragem e se levanta dizendo que não dá mais, só aí ele recua e finge se preocupar, quando na verdade só quer fazer mais uma promessa, que será cumprida por algum tempo, até você se acalmar. E pra quê? Pra que ele continue fazendo as coisas do jeito que ele quer, independentemente do prejuízo que isso crie na vida dele ou na sua.

Acho que a resposta para sua pergunta é muito simples. Ou ele aceita fazer um tratamento dentro dos moldes que ele rejeita (psiquiátrico, psicológico e grupos de apoio) ou você o rejeita. Até porque a tendência disso é piorar bastante. Se ele não quiser abrir mão da bebida, terá que abrir mão do resto. Ah, e quanto a psicólogo ser coisa de louco... louco é aquele que não aceita se tratar.

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