SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
Saúde

Esses seus cabelos brancos...

Ficar estressado pode favorecer condição, comprova ciência

Gisele Bortoleto
Publicado em 02/02/2020 às 00:30Atualizado em 07/06/2021 às 08:12

Todo mundo já ouviu falar da relação entre estresse e cabelos brancos, mas até agora ainda não havia sido descrita pela ciência. Um estudo publicado no periódico científico Nature comprovou o que as pessoas já imaginavam e desvendou o mecanismo que faz com que situações estressantes desencadeiem o aparecimento de fios grisalhos.

O estudo foi conduzido em parceria com um grupo da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, coordenado pela professora de biologia regenerativa Ya-Chieh Hsu e contou com a participação do cientista brasileiro Thiago Mattar Cunha, integrante do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID), o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fapesp, na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Eles descobriram após testes em cobaias que o processo de despigmentação capilar pode ocorrer de maneira acelerada em pessoas sob condições de estresse ou após um grande trauma.

Segundo a pesquisa, o estresse interfere no processo de produção das células responsáveis pela pigmentação dos cabelos. Sem elas, os novos fios nascem brancos. E o processo é irreversível.

Em seus estudos no Brasil, Thiago Cunha, que estuda dor, já tinha notado que as cobaias ficavam com a pelagem esbranquiçada após eventos de estresse. Em Harvard, onde passou um período como professor visitante, contou seu achado a outros pesquisadores que investigavam condição semelhante e foi convidado a participar da pesquisa.

Cunha explicou que a descoberta inicial foi feita por acaso. "Fazíamos um estudo sobre dor em camundongos, cuja pelagem é negra. Nesse modelo, administramos uma substância para ativar um receptor expresso nas fibras nervosas sensoriais e induzir uma sensação dolorosa intensa", diz. Cerca de quatro semanas após a injeção sistêmica da toxina, um aluno de doutorado observou que os animais estavam com os pelos completamente brancos.

Segundo o pesquisador disse em entrevista à agência Fapesp, o sistema nervoso simpático guarda uma relação íntima com o estresse. Essa divisão do sistema nervoso autônomo (composta por inervações que correm ao lado da medula espinhal)- controla as respostas do organismo a situações de perigo iminente. Por meio de uma onda de adrenalina e cortisol, o sistema nervoso simpático faz o coração bater mais rápido, a pressão arterial subir, a respiração acelerar e as pupilas dilatarem, entre outros efeitos sistêmicos que visam preparar o corpo para "lutar ou correr".

Os cientistas observaram que, nesse caso, o estresse leva a uma elevação simpática (ativação do sistema nervoso simpático), e o folículo do pelo é irrigado por esse sistema. O folículo está cheio de células-tronco, que dão origem às células que produzem o pigmento que dá coloração ao cabelo. A noradrenalina liberada diferencia as células-tronco, e elas perdem a capacidade de produzir as células de pigmento.

Fios começam a surgir após os 30 anos

Mais comuns após os 40 anos, normalmente, os fios brancos surgem após os 30 anos e em decorrência de fatores genéticos, formação de radicais livres, períodos de maior estresse físico e emocional, mas às vezes estão presentes até mesmo ao nascimento por doenças genéticas. "O bulbo apresenta um número limitado de células capazes de produzir a cor (melanina). Quando este estoque termina, aquele bulbo irá produzir apenas fios brancos", explica a dermatologista Claudia Marçal.

O processo, conhecido como canície capilar, pode ocorrer de forma precoce antes dos 20 anos de idade. Quando isso acontece, é importante procurar um dermatologista para exame e diagnóstico. "Pode ser apenas uma forma familiar (genética) de canície familiar ou estar relacionada a déficits nutricionais (como de vitamina B12) ou patologias (vitiligo, alopecia areata, alterações da tireoide)", explica a dermatologista Paola Pomerantzeff. A forma familiar precoce não tem nenhuma gravidade ou significado clínico.

 
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