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Editorial

Um mar de carros


    • São José do Rio Preto
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Nos dados oficiais obtidos pelo Diário junto ao Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e publicados na edição deste sábado, Rio Preto rompeu a barreira dos 400 mil veículos registrados no município. São 86 veículos para cada 100 habitantes. É a maior proporção de motores entre as 15 maiores cidades paulistas. A cidade se mantém na liderança estadual também quando se compara apenas a proporcionalidade relacionada a motos e motonetas: são 22 veículos de duas rodas para cada grupo de 100 moradores.

Antes de se achar que parece bastante, é muito relevante adicionar mais uma observação que faz todo sentido, apresentada na reportagem da jornalista Francela Pinheiro pelo especialista em trânsito José Bernardes Felex. "Deve ter nas ruas praticamente dois carros por habitante", estima.

A afirmação leva em conta as características metropolitanas de Rio Preto. Trata-se de uma cidade que convive com a chamada "população flutuante" - tanto os visitantes que chegam atraídos pelo dinamismo da economia, especialmente nos setores de comércio, serviços e lazer, quanto os que para o município se deslocam a trabalho e aqueles que permanecem temporadas na cidade, caso do público universitário.

É preciso destacar que essa realidade já foi captada há algum tempo pelos radares da administração pública. O início da operação dos corredores exclusivos de ônibus, previsto para esta segunda-feira, é um desses indicativos. O nível de assertividade desse sistema, na prática, ajudará a mostrar o seu grau de eficiência e de resolutividade. Uma boa estrutura viária aliada a um serviço de transporte público de qualidade pode representar menos carros de passeio circulando na cidade.

Até sob a inspiração de grandes capitais, no Brasil e no Exterior, que têm apostado na mobilidade coletiva, é do interesse de Rio Preto que as políticas públicas sejam direcionadas nesse sentido. Nesse contexto está inserido o conjunto de projetos que se completam, dos corredores de ônibus à conclusão do anel viário, do contorno ferroviário à duplicação da BR-153, da manutenção das vias públicas à ampliação de ciclofaixas e ciclovias.

É natural que uma cidade com as características de Rio Preto continue a receber mais e mais veículos, inclusive com mais poluição sonora, visual e do ar, influenciando na qualidade de vida. O desafio é buscar soluções capazes de controlar esse crescimento e fazer nossa metrópole avançar sob a proteção dos conceitos de sustentabilidade.