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ARTIGO

Ainda o ócio

O futuro profissional deverá ser voltado mais à criatividade do que à rigidez das burocracias


    • São José do Rio Preto
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Ócio não é apenas ficar sem fazer nada. Ócio é oportunidade criativa! Agite-se menos, reflita mais! Esta é a ideia do escritor Domenico De Masi, autor do livro O Ócio Criativo. Livro este muito divulgado e pouco praticado pela maioria das pessoas, neste mundo agitado, instantâneo, de amores líquidos e sentimentos efêmeros.

Ócio criativo é o ser humano fazer melhor uso de seu tempo, criar tempo livre de obrigações e nestes momentos, reavaliar-se e buscar progresso como ser humano. Domenico sugere que também nas empresas haja um tempo livre (ou seja, sem controle individual) para os funcionários poderem exercer o ócio criativo. Estimular que os colaboradores tenham ideias, reflitam sobre suas funções e no que poderiam contribuir a mais para a própria empresa. Sairiam, então, das amarras do conservadorismo, da rotina estressante, e abririam novas perspectivas como seres humanos úteis verdadeiramente ao ambiente profissional. E consequentemente, úteis a si mesmos.

A definição deste estado de espírito do ócio é aproveitarmos nossos momentos, incluindo lazer, descanso, conversa com os amigos, estudo, enfim, tudo o que não seja denominado trabalho para absorvermos o que nos vai ao redor. E assim, criarmos as condições necessárias para aprender e crescer com as experiências.

Diferente do que possamos imaginar, ócio, na visão deste filósofo contemporâneo, não é um conceito com sentido negativo. Isso porque, o ócio geralmente é sinônimo de preguiça, acomodação, falta de ação, fracasso.

O escritor espelhou-se no termo ociosidade que vem dos gregos para criar sua interpretação. Na antiguidade, o ócio era a denominação que se dava às manifestações mentais (o que não exigia esforço físico, como a música, a poesia, o estudo, a filosofia, a política). Somente as classes sociais mais abastadas eram denominadas ociosas, pois eram as que mais tinham tempo para este crescimento intelecto/espiritual. O trabalhador, como hoje, tinha que trabalhar, e não tinha tempo para pensar, criar.

A sociedade pós-industrial na qual vivemos faz com que procuremos ser menos mecânicos e mais dinâmicos. Valorizam-se os profissionais pela condição de adaptar-se às situações, criar e ser flexível.

Domenico afirma que o futuro profissional, frente à escassez de empregos que nos afigura, deverá ser voltado mais à criatividade do que à rigidez. Nos processos seletivos, cada vez mais há empresas que diferenciam seus candidatos como os que são perspicazes e criativos versus os que são "apenas" capacitados intelectualmente. Estes, embora possuam melhor conhecimento do mercado em que buscam se colocar, são "engessados" em termos de idéias e funções, não se permitindo criar novas situações, ou vêem-se estressados quando precisam modificar o estabelecido. Seguem bem as normas. Mas não são flexíveis.

Já os ociosos, conforme definição de Domenico, mesmo sem a mesma capacitação técnica dos outros, tendem a ficar com a vaga oferecida. Já que o jogo de cintura, a inteligência emocional, a criatividade frente ao inesperado que possuem, suprirão as necessidades dos clientes futuros ou contribuirão no relacionamento com pares e superiores.

Carlos Alex Fett, Consultor empresarial e em franchising; contato pelo e-mail [email protected]