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Eu Repórter

Entenda como a taxa Selic influencia no dia a dia

Taxa básica de juros influencia todas as demais taxas de juros do Brasil, como as que são cobradas em empréstimos, financiamentos e retornos em aplicações


    • São José do Rio Preto
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A taxa de juros básica, quando alta, é um entrave e leva os Países a grandes desafios para encontrar saídas para o desenvolvimento econômico. O Brasil historicamente sempre teve taxas de juros elevadíssimas que provocaram estragos irreparáveis na economia. Isso explica-se pelo tardio processo de industrialização, pela concentração das atividades comerciais e financeiras na mão de pouquíssimos grupos formados pela oligarquia e também pela insegurança jurídica que acabaram desembocando numa cultura rentista. Mas finalmente os novos tempos vem oxigenando a economia, quer por intermédio da concorrência, com a chegada dos bancos digitais, quer da globalização econômica.

Mas, apesar de estarmos no caminho certo, o Banco Central (BC) ainda tem muito entulho a remover. É nesse contexto que, no dia 20 de junho de 1996, o BC criou o Comitê de Política Monetária (Copom) e, no dia 1º de julho daquele ano, teve início a série histórica da taxa Selic (sigla para sistema especial de liquidação e custódia). Aquele foi um período em que a economia brasileira enfrentava um cenário de hiperinflação. Seu objetivo sempre foi ser uma ferramenta de controle da inflação.

A Selic influencia todas as demais taxas de juros do Brasil, como as que são cobradas em empréstimos, financiamentos, retornos em aplicações financeiras e entrada de investimentos estrangeiros. Quem investe em títulos públicos federais ganha com os juros altos, o que faz entrar mais dinheiro no País. Quanto mais dólares entram, menor é a cotação dessa moeda por aqui. A Selic é a taxa de juros básica do Brasil e, para se chegar a esse número, é feito o cálculo da média dos juros dos títulos públicos federais que o governo brasileiro paga por empréstimos tomado dos bancos.

Quando a Selic aumenta, os bancos preferem emprestar ao governo porque são bem remunerados. Quando cai, os bancos são "empurrados" para emprestar dinheiro ao consumidor e auferir lucro maior. Assim, quanto maior a Selic, mais "caro" fica o crédito que os bancos oferecem aos consumidores, já que há menos dinheiro disponível.

O papel da Selic na economia brasileira é muito importante. Ela direciona e mostra os caminhos que as demais taxas de juros do mercado irão tomar. É uma bússola para os empresários, consumidores e investidores internacionais. A cada 45 dias ocorre a reunião do Copom para definir o valor da taxa. Sem dúvida, a Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central na política de preços. Daí surge a necessidade de termos um Banco Central independente, que não interfira na formação dessa taxa, dada a fundamental importância para o sistema econômico. São essas garantias institucionais que vão alicerçando e consolidando a solidez da moeda e consequentemente derrubando as taxas de juros, proporcionando a todos aqueles que queiram produzir, que possam fazê-lo.

A taxa básica de juros de um País é uma das rodas da economia e, como sabem, um carro não anda com três rodas. O Banco Central vem tomando medidas corretas para diminuir a taxa básica de juros. Em julho de 2015, ela estava em 14,25% ao ano e hoje está em 4,5% ao ano. Descontando a inflação, hoje estamos com uma taxa real de juros de 0,62% ao ano, nível civilizado e muito próximo dos Países desenvolvidos, fato inédito na história do Brasil.

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Do ponto de vista macroeconômico, o tripé Poupança-Consumo-Investimento necessita de uma taxa de juros compatível com a renda e as necessidades do mercado. Como diz Gustavo Franco (ex-presidente do BC), os juros medem a distância econômica entre o hoje e o amanhã. A Selic bem administrada é um fator importante de desconcentração de renda e fomentadora das grandes ideias que passam pela cabeça dos empreendedores.

O Brasil, por muito tempo, viveu num sistema monetário selvagem que sempre privilegiou o compadrio e o mantinha sob o poder da oligarquia. O monopólio/ oligopólio do crédito explica em parte o atraso econômico. Felizmente estamos saindo desse pesadelo que tantos transtornos trouxe para o Brasil. A taxa Selic é estratégica para a estabilidade monetária do País e, quando bem calibrada, traz ganhos para toda a sociedade e o seu impacto no dia a dia das pessoas é visível e necessário.

Hipólito Martins Filho, Economista

A queda da Selic vai exigir muita atenção do investidor não somente em relação à própria Selic como também à taxa administrativa cobrada pelos bancos, o imposto de renda. Ganhar dinheiro nesses investimentos vai exigir algum malabarismo , mas é assim no mundo civilizado e não poderia ser diferente aqui. Por outro lado, com a Selic baixa dá para fazer um planejamento financeiro que atenda as suas necessidades.

É interessante dizer que pesquisas recentes mostram que o comprometimento de renda do brasileiro com pagamentos de juros é de aproximadamente 20%, ou seja, um quinto de sua renda, enquanto que nos 17 Países mais desenvolvidos é de 10%. Portanto pagamos o dobro que eles pagam. Com a queda da Selic, esses 10% que pagamos a mais ficará no nosso bolso, estamos caminhando para isso.

Já nas contas públicas teremos dois ganhos, o primeiro é a credibilidade que estamos construindo e passando para os investidores, mostrando a eles que começamos a levar a sério essa questão fiscal e não daremos calotes, o reflexo imediato é mais investimentos direto entrando no País. Segundo, teremos em dez anos uma economia próxima de R$ 100 bilhões com a queda da taxa, dinheiro que irá para os investimentos.

E o que levou a Selic para o menor nível da história foram vários fatores: controle da inflação, reformas estruturais em andamento, queda dos juros internacionais, cadastro positivo, diminuição do recolhimento compulsório, mudanças na forma de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a forte retração econômica por qual passamos, e sem dúvida, a mais importante, foi a decisão de controlar as contas públicas. No entanto precisamos em seu devido tempo aprofundar nas reformas monetárias e bancárias. O mercado vê a taxa em 4,0% ao ano em 2020, um número menor que em 2019. Vencemos a luta contra a inflação e começamos a vencer a batalha das contas públicas e da taxa de juros. Que ninguém atrapalhe.

Juros baixos significam mais dinheiro no bolso do consumidor, o crédito fica mais barato e acessível. Os bancos tendem a diminuir as taxas de juros tanto para os empréstimos, quanto para o cheque especial e o cartão de crédito, coisas que já vêm ocorrendo. O comércio também abaixa o juro do crediário e parcelam em mais vezes. E quando se paga o produto ou serviço à vista, consegue-se descontos maiores.

Com os juros em queda, as empresas tomam mais crédito e passam a investir em seu negócio, gerando produção e empregos, entram em novos mercados, tendem a ser mais competitivas, criando empregos mais qualificados, formais e com salários melhores. As empresas captam recursos a custos menores e repassam para o preço de seus produtos aumentando o poder de compra do trabalhador. Com juros menores, a possibilidade de especular diminui e a médio e longo prazo, para ganhar dinheiro, é necessário trabalhar mais, inovar, competir, fazer novas parcerias trazendo ganhos para o trabalhador e consumidor.

Outro ganho inestimável é com o aumento da produtividade, que dá a possibilidade de manter a inflação estável e aí o ganho é certo e escapamos desse terrível imposto chamado inflação, que só beneficia os mais ricos, concentrando a renda.

Boa parte das pessoas não estava consumindo não só pela falta de recursos, mas também pelos juros abusivos que eram cobrados. O que explica a taxa selic cair de 14,5% para 4,50% e os juros terem demorado tanto para cair e não ter caído para um patamar adequado, apesar da queda.

Sim, se os juros caírem ainda mais, e é o que esperamos, as coisas poderão melhorar muito mais. Os investimentos das pessoas físicas e jurídicas também são afetados pela queda da Selic, que está relacionada à rentabilidade desses produtos, pois parte considerável dos ganhos dessas aplicações são corrigidas por ela. Os títulos do tesouro direto (tesouro Selic), caderneta de poupança, investimentos de renda fixa (CDB, LCI, LCA ), entre tantos.