Compositor faz uma 'ode' ao parceiro violão em obra instrumentalÍcone de fechar Fechar

ANDRÉ FERNANDES

Compositor faz uma 'ode' ao parceiro violão em obra instrumental

André Fernandes manifesta a sua gratidão ao violão, talvez o maior parceiro das canções que já compôs, com o lançamento do EP música instrumental 'Amora'


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Em 20 anos de carreira, o cantor, compositor e músico André Fernandes, de Rio Preto, foi mais requisitado como violonista do que como intérprete ou letrista nas parcerias que estabeleceu com artistas dos quatro cantos do Brasil. Apesar de não ter estudado violão clássico, o que lhe exigiria muita disciplina - "não consigo ficar tocando violão por oito horas de boca fechada [risos]" -, ele é muito grato ao instrumento, talvez o maior parceiro das canções que já compôs. E essa gratidão é manifestada em forma de música com o lançamento do EP "Amora", que já está disponível nas plataformas de streaming. 

Primeiro projeto de Fernandes voltado à música instrumental, "Amora" conta com quatro faixas, que foram compostas em diferentes períodos dessas duas décadas de trajetória do artista na seara da música. "A última faixa do EP ['Taimi'] foi composta há 19 anos, no comecinho da minha carreira. Não tinha nem maturidade espiritual para compor", sinaliza ele, que emenda com uma frase dita, certa vez, pelo cantor e compositor João Bosco: "o instrumento devolve a atenção que você dá para ele".

"Tenho muitas canções que nasceram inicialmente no violão, assim como outras que a letra veio primeiro. No entanto, nunca tive a pretensão de ser um Yamandu Costa [violonista e compositor]", declara Fernandes, que até criou no Spotify uma playlist, intitulada "Cancionário", com músicas de diferentes artistas que contaram com a sua parceria, seja como letrista ou melodista.

Para dar vida ao EP "Amora", Fernandes selecionou quatro músicas em que considera maior a sua desenvoltura com o violão. O novo projeto é estampado por uma fotografia feita por Amanda Barros, que trabalhou com ele no disco "Dia de Lua" (2007). Trata-se da imagem de uma árvore em meio a uma planície após uma queimada.

"A Amanda [Barros] fez essa foto há cerca de dez anos, quando ela morava em Itapeva, usando a câmera do aparelho de celular. Eu fiquei emocionado quando vi, pois aquela árvore era eu, e disse a ela que gostaria de usá-la em um projeto futuro", relembra o artista. "Utilizei a foto sem nenhum tipo de manipulação. Queria o registro daquele momento, uma imagem meio craquelada. E a música é isso, o registro de um momento. Acho lindo chamar um disco de álbum, pois, assim como um álbum de fotografias, ele é um registro de um momento musical, um compilado das experiências de um artista", acrescenta.

Fernandes recorre aos versos da canção "Tudo Que Eu Tenho", de Jorge Vercillo, para sintetizar a gratidão manifestada em "Amor": "Eu me entreguei de corpo e alma | Para a dor e a alegria | De ter a música |Como crença, como um deus | O meu amor, o meu sustento | Minha sabedoria tudo que eu tenho | Foi a música quem deu."

Entre o erudito e o popular

O parceiro e amigo André Fernandes, mesmo sendo um exímio intérprete e um letrista diferenciado, nos presenteia com seu EP solo 'Amora', em que se utiliza de toda sua sensibilidade como instrumentista para se comunicar com a força e doçura de sempre.

Eu, que conheço tantas pérolas de seu repertório, continuo me emocionando com seu talento de nos conectar a frases melódicas e harmonias cuja beleza é tão consoladora que se torna impossível não travar o diálogo proposto. 

Diálogo este entre o erudito e o popular, entre o original e o familiar, entre as raízes da margem e a fluidez das águas.

Um trabalho que nos permite compor com o autor. Uma canção nova dentro de nós a cada apreciação.

Bruno Kohl, é cantor e compositor de Porto Belo (SC)

 

André Fernandes reconhece que 2019 foi um ano complicado para os artistas, e não apenas os da música. No entanto, ele tem muito a agradecer pelo ano que passou. "Foi um ano em que tive muito êxito nos festivais. Não participei de muitos, mas nos que eu estive presente consegui obter um aproveitamento melhor. Também fiz várias canções para discos de amigos parceiros, sem contar o meu projeto em parceria com o Vinícius Paes", diz ele, referindo-se ao álbum "Par", que foi lançado na última edição do Festival Nacional de MPB de Rio Preto - "Vinícius Nucci Cucolicchio".

Aliás, uma das faixas de "Par", a "Dono Só de Mim", foi a vencedora da edição 2019 do FEMA - Festival de Música Autoral de Araraquara, e a premiação se deu em outubro, dois dias antes do show de lançamento do álbum na capital paulista.

Para 2020, Fernandes pretende lançar dois novos projetos. O primeiro será uma coletânea de seus 20 anos de carreira, envolvendo os parceiros com que o artista contou em Rio Preto - nomes como André Madi, Luís Dillah e Zeca Barreto. "Esse álbum será uma espécie de baú da minha carreira musical. Quero ter participações especiais em todas a faixas do disco". O outro projeto será composto apenas de canções inéditas.