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ESTREIA

'Adoráveis Mulheres' é uma das novidades nos cinemas

Chega aos cinemas de Rio Preto o filme 'Adoráveis Mulheres', a nova adaptação do icônico romance lançado pela escritora Louisa May Alcott no século XIX


    • São José do Rio Preto
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Será que uma obra literária ainda pode render um filme relevante depois de cinco adaptações para o cinema, sem contar montagens feitas no teatro e até uma ópera? A resposta é sim se a obra em questão for "Little Women" (Mulherzinhas), o romance de inspiração autobiográfica da escritora norte-americana Louisa May Alcott (1832-1888).

Quem assume a nova empreitada em torno da história das quatro irmãs que crescem em plena Guerra Civil dos Estados Unidos sob os cuidados da mãe enquanto o pai está no campo de batalha é a diretora e roteirista Greta Gerwig, a mulher por trás do premiadíssimo "Ladybird - A Hora de Voar" (2017). E "Adoráveis Mulheres", que estreia nos cinemas de Rio Preto nesta quinta-feira, 9, consegue colocar a atemporalidade do romance de Louisa em sintonia com as questões do presente, que, de certa forma, não são tão diferentes das da segunda metade do século XIX. E se você gosta de filmes e quer ficar por dentro dos últimos lançamentos nos cinemas, é só ficar ligado na programação dos canais da SKY TV.

Em "Little Women", a escritora norte-americana consegue materializar, sobretudo na personagem Jo March - a filha de temperamento forte que escreve no sótão da casa (e que é inspirada na própria autora) -, o que é ser mulher em uma sociedade dominada por homens e como empreender no desejo pela escrita. A personagem é um ícone feminista e sempre foi referendada por importantes escritoras, como Simone de Beauvoir, Susan Sontag e Ursula Le Guin. 

Desta forma, não haveria figura melhor para conduzir uma nova adaptação cinematográfica desse romance do que Greta, cuja trajetória traz curiosidade que se assemelham à impetuosa Jo. Antes de ser aclamada pela crítica e pelo público com "Ladybird", ela foi uma mulher à sombra de um homem, já que colaborou em alguns roteiros e ainda foi atriz em trabalhos do marido, o cineasta Noah Baumbach ("História de Um Casamento").

E é exatamente esse aspecto íntimo, pessoal e, ao mesmo tempo, representativo de um gênero na leitura de uma obra literária que faz "Adoráveis Mulheres" ser superior a qualquer outra adaptação de "Little Women" já feita para o cinema, até mesmo o clássico "Quatro Irmãs" (1933), de George Cukor, que trazia Katharine Hepburn na pele da icônica personagem. Agora, o papel dessa mulher que peitou a sociedade machista de seu tempo é vivido por Saiorse Ronan, atriz que já trabalhou com Greta em "Ladybird".

Aliás, o elenco é apontado pela crítica como o maior trunfo de "Adoráveis Mulheres". Além de Saiorse, o filme conta com Laura Dern - que ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante, mas pela sua atuação em "Histórias de Um Casamento" (olá, Baumbach) -, Meryl Streep, Emma Watson, Florence Pugh e Timothée Chalamet. E ainda tem Tracy Letts, dramaturgo premiado com o Pulitzer que agora também ataca como ator - e está ótimo na representação do editor a quem Jo leva seus escritos no filme.

Empatia. Esse é o ingrediente que faltava em uma adaptação de "Little Women" para o cinema. E nada melhor que uma mulher para saber o que uma mulher espera dessa sociedade que ainda tem muito a evoluir para alcançar a tão desejada igualdade de gênero.

Livro que inspirou o filme "Adoráveis Mulheres", de Greta Gerwig, "Mulherzinhas" invade as livrarias com pelo menos seis edições diferentes, sem contar as versões digitais, 150 anos depois de seu lançamento.

Em uma enquete feita pelo programa "The Great American Read" em 2018, que somou 4 milhões de votos, "Mulherzinhas" foi considerado o 8º melhor livro de todos os tempos na opinião dos leitores norte-americanos. O melhor foi "O Sol é Para Todos", de Harper Lee.

O movimento de reedição de "Mulherzinhas" começou em 2017 com o volume traduzido por Denise Bottmann e Frederico Carotti e lançado em edição de bolso pela L&PM (332 págs.; R$ 28,90). Depois do anúncio do filme "Adoráveis Mulheres", surgiram vários outros.

Em maio de 2019, a Via Leitura publicou a primeira parte da obra traduzida por Giu Alonso, e agora lança a versão completa, com tradução de Giu e de Daniel Moreira Miranda (464 págs.; R$ 53,90).

Um mês depois, em junho, a Martin Claret lançou uma edição em capa dura com tradução de Diego Raigorodsky (680 págs,; R$ 69,90). Em outubro, a Zahar publicou, pela sua coleção de clássicos, a edição integral comentada e acrescida de sua continuação, de 130 ilustrações e de uma cronologia (600 págs.; R$ 89,90). Saiu em capa dura e Bruno Gambarotto foi o tradutor.

Um pouco depois do volume da Zahar chegar às livrarias, a Planeta apresentou a sua edição: também integral, com tradução de Marina Dela Valle e posfácio da escritora espanhola María Dueñas (480 págs.; R$ 59,90).

Para completar a estante, a Penguin lança agora o seu "Mulherzinhas" (592 págs.; R$ 59,90). A obra ganhou tradução de Julia Romeu e conta ainda com prefácios de Patti Smith e Elaine Showalter.