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PANE SECA

A cada dia, 5 motoristas ficam sem combustível nas estradas da região

O "descuido" é considerado infração de trânsito e pode render multa de R$ 130,16


    • São José do Rio Preto
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A falta de combustível fez com que cinco motoristas, em média, precisassem ser socorridos todo dia, no ano passado, nas rodovias da região. Ao todo, foram 2.004 condutores que pararam no meio do caminho por não abastecer o veículo e ficar sem combustível. Entretanto, esse número pode ser ainda maior, já que os dados são apenas das rodovias Washington Luís e BR-153, cujo trajeto é administrado por concessionárias. Sem contar os inúmeros motoristas que nem chegam a acionar o socorro e a pane seca não é registrada.

O motorista Denis Ribeiro passou por essa situação em 2015. Contudo, no caso dele, a pane seca aconteceu em uma vicinal da região de Matão (SP), onde o socorro foi ainda mais difícil. "Achei que ia dar o combustível e, por fim, acabou. Era uma rodovia vicinal aí tive que pedir 'beira' e ir até um posto de combustível. Lembro que estava chovendo forte, mas no final deu tudo certo", contou.

Quem também passou pela situação foi o caminhoneiro Fernando Pilone. No trajeto, o combustível da carreta acabou. "Eu me enganei com o nível de combustível e achei que ia dar. Aí peguei uma locação e fui no posto para sair da estrada", lembrou o condutor.

Na região, apenas no trecho paulista da BR-153, entre Icém e Ubarana, 1.255 motoristas foram socorridos após sofrerem pane seca na rodovia federal no ano passado. Já na rodovia Washington Luís (SP-310), entre Santa Adélia e Mirassol, a concessionária fez 749 atendimentos de veículos. Em 2018, foram 2.068 atendimentos nas duas rodovias (1.239 na BR e 829 na Washington Luís).

Ficar na estrada sem combustível pode render multa, segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O "deslize" é considerado infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de apreensão do veículo.

Segundo o inspetor da Polícia Rodoviária Federal Flávio Catarucci, por mais óbvio que pareça, este tipo de conduta é muito frequente na BR-153. "É praticada, principalmente, por motoristas que usam a BR-153 como avenida para de deslocarem de um bairro a outro da cidade. Também constatamos essa infração em motoristas que se deslocam entre cidades vizinhas", afirma o inspetor.

Catarucci destaca que antes de colocar o veículo em circulação nas vias públicas, o motorista deve verificar a existência de boas condições de funcionamento dos equipamentos de uso obrigatório e assegurar a existência de combustível suficiente para chegar ao local de destino.

"É importante salientar que as rondas da PRF realizam a averiguação de todo veículo parado às margens da rodovia. Nem sempre a falta de combustível é causada pela displicência do motorista, pois pode haver algum vazamento no sistema de alimentação. Cada caso é analisado pelo policial, realizando a autuação caso seja comprovada a negligência do motorista", disse o inspetor da PRF.

Para o gerente de operações da Triângulo do Sol, Ailton Pontes, a pane seca expõe várias pessoas para o risco de acidentes graves. "Ao parar na rodovia, o veículo pode ser atingido por outro. Esta é uma situação que pode ser evitada com o planejamento da viagem", disse Pontes. A Triângulo administra a rodovia Washington Luís.

De acordo com a PRF, é primordial pensar primeiro nas medidas para retirada com segurança do veículo e seus ocupantes das margens da rodovia, minimizando os riscos de acidentes. "A falta de combustível pode fazer com que o veículo acabe parando em algum trecho de alto risco, como aclive, declive ou curva, onde não há visibilidade suficiente para que os outros motoristas possam desviar para evitar a colisão", elencou o inspetor Catarucci.

A Triunfo Transbrasiliana, concessionária que administra a BR-153, informou que o monitoramento por câmeras de segurança na via também ajuda na localização de muitos condutores que sofrem pane seca e não pedem socorro. "O procedimento da concessionária inclui comunicar a Polícia Rodoviária Federal (PRF), uma vez que pane seca é considerada uma infração média. A concessionária não faz autuações, prestando somente o serviço de atendimento ao usuário", informou a nota.

O atendimento nas ocorrências de pane seca inclui a sinalização do local do veículo e o deslocamento para garantir a segurança de todos que trafegam na rodovia. "Muitos casos de pane seca ocorrem pelo simples fato do condutor não se atentar às condições do seu veículo antes de seguir viagem, como o cálculo do quanto de combustível será necessário para chegar ao seu destino", informou a concessionária.

Além dos funcionários das concessionárias que administram as rodovias e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), a Polícia Militar também trabalha em resgates nas estradas vicinais. (RC)

Atendimentos de veículos que apresentaram pane seca na BR-153 e na rodovia Washington Luís (SP-310)

BR-153 (entre Icém e Ubarana)

  • 2018 - 1.239 atendimentos
  • 2019 - 1.255 atendimentos

Rodovia Washington Luís (entre Santa Adélia e Mirassol)

  • 2018 - 829 atendimentos
  • 2019 - 749 atendimentos

Total de atendimentos

  • 2018 - 2.068 atendimentos
  • 2019 - 2.004 atendimentos

Fonte: Triunfo Transbrasiliana, Triângulo do Sol e Detran.

Como proceder em caso de pane seca?

Para não causar acidentes, sempre é importante sinalizar a parada do veículo. Para isso, o primeiro passo é ligar o pisca-alerta.

Na sequência, colocar o triângulo a, pelo menos, 30 metros de distância, o equivalente a 30 passos largos dados a partir da traseira do veículo, que, de preferência, deve estar parado no acostamento. Além disso, procure se manter em um local seguro e longe do fluxo de veículos da via enquanto aguarda socorro

Autuação

Ter o veículo parado na via por falta de combustível pode render multa de R$ 130,16, considerada infração média com quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

Outro tipo de infração

Transitar com veículo derramando ou lançando combustível que esteja utilizando também pode render multa, considerada gravíssima, de R$ 293,47 com sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)

Como funciona o atendimento?

O atendimento nas ocorrências de pane seca inclui a sinalização do local do veículo, o seu deslocamento para o acostamento da pista e a garantia de segurança de todos que trafegam na rodovia, além de em alguns casos fornecer um auxílio-carona ao motorista ao posto de combustível mais próximo

Qual o motivo de grande parte das ocorrências de pane seca?

Muitos casos ocorrem pelo simples fato de o condutor não se atentar às condições do seu veículo antes de seguir viagem - ações que incluem o cálculo básico do quanto de combustível será necessário para chegar ao seu destino

Como evitar casos de pane seca?

A revisão no veículo antes de pegar a estrada é indicada. Os usuários devem verificar as condições e os itens de segurança do automóvel antes de viajar