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Abaixo-assinado

Pela proteção das águas do São Marco

Grupo de moradores do bairro promove abaixo-assinado para cobrar do poder público a revitalização de área de lago; há presença de fauna e minas d'água no local


    • São José do Rio Preto
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Abaixo-assinado coordenado pela Associação Comunidade São Marco (Acosama) pede ao poder público a revitalização do lago do Jardim São Marco. Na área, de cerca de 4 mil metros quadrados (m²), há olhos d'água que brotam da terra e formam o represamento de água. As presenças de aves e outros bichos no espaço também são apontados pelo movimento para transformar a área em um parque ecológico.

Até o final da tarde desta segunda-feira, 6, havia 855 assinaturas pela conservação do lago. "Esse abaixo-assinado é para sensibilizar o Poder Público de que ali é uma área muito rica e ao mesmo tempo um local que já foi muito judiado", afirmou a presidente da Acosama, Valdirene Dionísio Ribeiro. "É uma forma que a comunidade encontrou para pedir socorro para essa área", completou a vice, Sandra Campos.

O espaço do lago do Jardim São Marco, às margens da avenida Doutor Lotf João Bassitt, está sob vigilância da comunidade e ambientalistas há pelo menos cinco anos. Por meio da limpeza da área, reflorestamento e manutenção, o lago ganhou vida. "Fizemos eventos, criamos associação, fizemos matérias para chamar a atenção do Poder Público e despertar a conscientização das pessoas para a preservação da natureza", afirma Sandra.

Ao lado do córrego dos Macacos, afluente do rio Preto, o qual abastece a Represa Municipal, o lago do Jardim São Marco recebe plantios de mudas desde 2017, quando a Acosama iniciou um trabalho de preservação dos olhos d'água. "Plantamos 56 árvores ao redor das minas", disse Valdirene.

A conservação ganhou reforço com equipes de biólogos da Plantae e Consultoria Ambiental. Segundo Robson Reis Silva, 120 árvores foram plantadas na área do lago. "Árvores de 70 espécies diferentes com o propósito da diversidade para educação ambiental."

De acordo com Silva, a ideia dos protetores sempre foi cuidar da conservação com intuito de fazer do lago um parque ecológico, como o do Jardim Vivendas. "Fizemos um plantio de árvores nativas da região, árvores que vivem em área alagada e com isso o professor que for lá vai poder contar a história dessas árvores", explicou. "Quando a gente usa a cavadeira para plantar muda, brota água", disse. "A água brotando no solo é bem diferente, vale a pena conservar", defendeu.

O especialista em recursos hídricos da Unesp Samir Barcha disse que o lago deve ser preservado primeiro pela questão ambiental. "Ainda mais por ser uma área dentro da cidade. Conservando você tem a manutenção de um espelho d'água para uso de forma não predatória."

Segundo o especialista, a conservação é importante para desenvolver o espírito comunitário. "Na medida que preserva, desperta o sentimento de preservação e isso desenvolve o espírito de cidadania", afirmou. "Em terceiro lugar, tudo isso é feito por iniciativa da comunidade, o que demonstra co-responsabilidade. O poder público sozinho não consegue ver todas as coisas", opinou.

Revitalização

A Secretaria do Meio Ambiente informou que não há até o momento um levantamento de fauna na área. Segundo nota encaminhada pela pasta, a região do lago é uma área brejosa, com volume de água variável durante o ano. "Também é possível constatar o afloramento de água do lençol freático de modo difuso, ou seja, não existe um ponto específico onde a água surge", afirma a nota.

Sobre o projeto de revitalização da área, o Meio Ambiente informou que Secretaria de Serviços Gerais realiza ações para "drenagem, colocação de filete para fazer a pista, construção da pista, plantio de grama, colocação de iluminação e implantação de bocas de lobo", afirma a nota.