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LITERATURA E CULTURA

Encontros com a arte

Patrícia Reis Buzzini - 04/01/2020 00:20

Não é novidade que São José do Rio Preto alcançou a primeira colocação no Estado e a segunda no País entre as melhores cidades para se viver. Essa classificação, feita pela Firjan - Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - baseia-se em dados nas áreas de saúde, educação, emprego e geração de renda. Em busca de valorização e representatividade na economia local, cada vez mais artistas buscam curadorias especializadas, exposições colaborativas e participações em eventos comerciais e corporativos. Nesse cenário, o núcleo de economia criativa da Acirp, em parceria com o Iguatemi Rio Preto, vêm contribuindo com uma série de ações de fortalecimento do setor cultural, com a realização de exposições arrojadas e inovadoras envolvendo música, artes cênicas, artes visuais, literatura e outras expressões artísticas. Por sua vez, projetos como o "Riopreto Shopping Cultural" fomentam o conhecimento e a troca de informações com palestras inspiradoras e atividades artísticas, lúdicas e de entretenimento.

Seguindo essa onda de proatividade no meio artístico, Beto Carrazzone promoveu duas mostras intituladas Coletivo I e II em 2019, envolvendo profissionais consagrados e estreantes. O objetivo principal, segundo Beto, seria "movimentar o mercado de arte e dar mais visibilidade para aqueles que estão começando". Este ano, o artista-plástico planeja realizar mais quatro exposições envolvendo diferentes modalidades. Em entrevista especial para a Revista Vida & Arte, Fernando Silvério, Maria Cristina Saad e Telma Parizi falam sobre o primeiro contato com a arte e o que desejam expressar com suas obras.

Maria Cristina Saad

"Desde criança, a minha mãe sempre colocava a gente em cursos de artesanato. Morei 20 anos no Mato Grosso e lá eu participava de um grupo de artesãs em um projeto que auxiliava várias entidades. Quando voltei para Rio Preto, descobri a cerâmica como uma alternativa para me ajudar no processo de readaptação. Eu costumo dizer que a cerâmica tem vida própria e, ao entrar em contato com as minhas mãos, transforma-se em objetos únicos e surpreendentes. Sou uma pessoa muito ligada ao cheiro da terra, às plantas, às árvores, e o meu trabalho reflete essa minha relação com a natureza. Ao mesmo tempo, é um exercício de desapego, que nos ajuda a lidar com as mudanças da vida, com o inesperado."

Fernando Silvério

"Meu primeiro encontro com a arte ocorreu na infância, na Escola do Sítio, em Campinas, onde tive a oportunidade de conviver com um professor diferenciado, chamado Haroldo. Uma vez, esse professor nos levou em uma excursão para conhecer o trabalho da artista-plástica japonesa Akiko Fujita, e essa experiência me marcou muito. Depois de muito tempo, reencontrei o Beto Carrazzone, que acabaria sendo o meu "segundo mentor" na arte. O meu trabalho surgiu de um desconforto com relação à cultura do consumismo e ao descaso com o meio ambiente. Por isso utilizo materiais descartados na natureza, geralmente madeira, e os transformo em objetos que me sugerem imagens e sentimentos variados. É muito bacana perceber que essa visão do objeto nunca é fixa, mas dependente do olhar de cada um."

Telma Parizi

"Meu contato com a arte começou desde criança, meu avô tinha um cinema no interior do Paraná e recebia vários artistas para pintarem os painéis que eram utilizados na divulgação dos filmes. Era um momento mágico para mim. Ao me mudar para Rio Preto, comecei a fazer cursos de desenho, pintura, restauração de móveis e, mais tarde, tive a oportunidade de trabalhar com biojóias, misturando sementes com acabamentos em prata e ouro. Quando senti aquela ânsia de transformar o comum no inusitado, surgiu a motivação de criar peças com cristais, cordas, alumínio reciclável, barbantes, entre outros, transformando-os em esculturas e colares de mesa. Nesse momento, foi muito importante receber o apoio da Tida Ricco e do Beto Carrazzone. Utilizando técnicas únicas e ideias fluidas, procuro criar peças flexíveis que interajam com as pessoas, como se fossem objetos "vivos" em busca de novas formas e significados."

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