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Para encarar o futuro

Espaço de ciência, arte e inovação da Califórnia inspira criação de laboratórios semelhantes no Brasil


    • São José do Rio Preto
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É difícil imaginar o Exploratorium, umas das principais atrações de São Francisco, na Califórnia, como um museu. Às margens da Baía de São Francisco, no Píer 15, ele mais parece um grande laboratório de ciências e artes, onde é permitido mexer em tudo. Crianças, adolescentes e adultos correm de um lado para outro e desfrutam de experiências interativas com equipamentos que simulam terremotos, espelhos que deformam as imagens e criam ilusões de ótica, máquinas que seguem o ritmo do batimento do coração, painéis que mostram o movimento dos ventos e das marés no planeta.

O Exploratorim é, como o próprio nome diz, um espaço de exploração, diferente de tudo o que se espera de um museu tradicional. Todos têm permissão para experimentar e interagir com as mais de 600 exposições, instaladas num antigo armazém. "Não há categoria para o que fazemos", diz George Cogan, presidente do Exploratorium. "É um lugar para as pessoas participarem das experiências e experimentarem a inovação. Um grande laboratório de aprendizagem."

A busca da inovação motivou a criação do Exploratorium, 50 anos atrás. O local, fundado pelo físico, professor de ensino médio e pecuarista Frank Oppenheimer, foi pioneiro ao abordar a ciência e a arte de uma forma lúdica. Quando lecionava na Universidade Johns Hopkins, Oppenheimer criou uma espécie de "biblioteca de experimentos" para que seus alunos tivessem contato com a ciência e a arte. A ideia era que os estudantes explorassem os fenômenos científicos a seu próprio tempo, aguçando a curiosidade.

Oppenheimer ficou surpreso com a falta de compreensão dos estudantes com tecnologia e ciência e decidiu usar o modelo de sua biblioteca para criar o Exploratorium. Hoje, o local recebe mais de um milhão de visitantes por ano e virou referência nos Estados Unidos e no mundo como espaço de inovação e, claro, diversão. A região de São Francisco, aliás, tornou-se uma espécie de centro mundial da inovação de alta tecnologia, onde surgiram e estão instaladas empresas como Google, Facebook, Apple e Amazon.

Jovens fazem o papel de guias e explicam aos visitantes como funciona cada experiência. O Exploratorium tem ainda cerca de 300 profissionais envolvidos em desenvolver novidades. Seu interior é dividido em várias galerias, com conteúdo específico. Na Fisher Bay Observatory Gallery, por exemplo, há um observatório do meio ambiente, clima e paisagem da Baía de São Francisco. Na Osher West Gallery, há experiências com sistemas vivos, além de engenhocas em que é possível aprender mais sobre temas como eletricidade e magnetismo.

"A ideia é ir além. É fazer com que as pessoas se questionem sobre como vão se posicionar frente a assuntos complexos", conta Silva Raker, diretora de Negócios do Exploratorium, que observa que desafiar conceitos e posições preestabelecidos são chave para inovação e criação. "Queremos que os visitantes reflitam e, em situações problemáticas, decidam se vão compartilhar seus conhecimentos para resolver as dificuldades ou se apenas vão competir com outras pessoas."

Há uma programação apenas para adultos. Todas as quintas-feiras, acontece a noite After Dark. Das 18h às 22h, somente maiores de 18 anos podem entrar, tomar um drinque e ver um filme, além de se divertir em experiências como uma ponte feita de neblina ou um caleidoscópio gigante. Como a After Dark tem atraído pessoas com interesses comuns em ciência e arte, tornou-se uma espécie de local de paquera para turistas e locais da cidade.

Além das experiências em si, o Exploratorium oferece uma vista interessante do centro da cidade e da Baía de San Francisco. Localizado entre o histórico Ferry Building e o Píer 39, está perto de outras atrações turísticas como o Fisherman's Wharf, as balsas que levam a Alcatraz e o AT&T Park.

Até 2022, o modelo interativo usado pelo Exploratorium em suas exposições vai chegar ao Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) vão abrir em Brasília e em São Paulo dois espaços interativos de arte, ciência e inovação, chamados de Steam Labs, um conceito de ensino que mescla aprendizados em ciências, artes, matemática, tecnologia e engenharia de forma interligada. A consultoria dos Steam Labs brasileiros será feita pelo Exploratorium.

Em São Paulo, o espaço ficará num casarão histórico na Avenida Paulista cedido pelo governo de São Paulo. Em Brasília, a área ainda não está definida, mas deverá ficar próximo à Esplanada dos Ministérios.

"É o nosso maior projeto de colaboração internacional. O objetivo é despertar o interesse das pessoas por ciência e tecnologia através dessas experiências", explica Silva, que negociou com a CNI e o IEL a consultoria do Exploratorium para os Steam Labs brasileiros. "A missão é incentivar as pessoas a fazerem perguntas."