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REPÚBLICA TCHECA

Bairro de arte e hipsters

Holesovice é a região mais 'cool' da cidade de Praga


    • São José do Rio Preto
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A cidade de Praga é dividida em 22 distritos administrativos. A maioria dos visitantes acaba ficando no mais central deles, Praga 1, onde estão os bairros mais conhecidos (Staré Mesto, Nové Mesto e Malá Strana) e as principais atrações turísticas. Porém, quem quiser conhecer um lado mais autêntico e efervescente da capital tcheca pode cruzar o Rio Moldava rumo a Praga 7, região que vem trocando seu passado operário e industrial por um presente cada vez mais cool. Principalmente no bairro de Holesovice, símbolo de uma cidade sempre em transformação.

Apenas dois quilômetros separam Holesovice da Praça da Cidade Velha, por exemplo, uma distância facilmente vencida a pé ou de bonde, a bordo da onipresente linha 17. Ao mesmo tempo, quem caminha pelas ruas largas do bairro muitas vezes tem a sensação de estar em outra cidade, com muito, mas muito menos turistas.

Cafés com estilo hipster e estabelecimentos moderninhos dividem espaço com autênticos bares e restaurantes tchecos, como o Holesovická Sedma, uma cervejaria que serve pratos típicos do país. Vale a pena também visitar as cukrárnas, confeitarias tradicionais que vendem doces e tortas que não têm espaço nas zonas turísticas - aliás, deste lado do rio é quase impossível comprar um trdelník, uma espécie de rosca de origem húngara vendida aos visitantes estrangeiros como legítima iguaria tcheca.

Lojas de grifes independentes, ateliês e galerias de arte também fazem parte da paisagem. Para quem se interessa pelo assunto, um ponto de partida para conhecer o bairro é o Veletrzní Palác, a seção da Galeria Nacional dedicada aos séculos XX e XXI, com grande foco em artistas tchecos e eslovacos. O museu funciona num prédio criado para feiras e exposições, com objetivo de comercializar os produtos da indústria checoslovaca. As salas amplas e clean que hoje abrigam quadros e esculturas, portanto, foram projetadas para exibir veículos e maquinário pesado. No térreo do museu, o Cafe Jedna é um hit local, com ótimos sanduíches, saladas e generoso wi-fi.

A galeria fica numa área importante da cidade. Do outro lado da rua, uma discreta placa indica que o local foi usado como ponto de reunião dos judeus de Praga, que seguiriam para a estação de trem de Bubny, a poucos metros dali, rumo a campos de concentração nazistas. Mais de 50 mil foram expulsas da cidade por ali. Hoje, a triste lembrança é eclipsada pelo clima animado do hotel Mama Shelter, bem ao lado. Seu bar (sobretudo nas mesas ao ar livre) se converteu num popular ponto de encontro da região.

Outro importante equipamento cultural localizado no bairro é o DOX Center for Contemporary Art, um grande espaço aberto para o que de mais moderno é produzido nas artes plásticas, não apenas na República Tcheca. Desde 2016, a grande atração do centro é "Airship", um dirigível feito de aço e madeira, com 42 metros de comprimento, instalado no terraço. Além de ser um espaço altamente instagramável o ano inteiro, ele recebe eventos como pequenas apresentações musicais e rodas literárias nos meses mais quentes.

O DOX fica numa parte que se transforma a olhos vistos, onde antigas construções industriais vêm dando espaço para outros centros culturais, bares, casas noturnas e até mesmo prédios de apartamentos mais modernos. É curioso notar a convivência dos moradores mais recentes com as antigas famílias operárias que ainda vivem no local.

Esta transformação em etapas também é bem visível no Mercado de Holesovice, que ainda é o maior centro de abastecimento de produtos alimentícios da capital. A cada ano que passa, seus galpões de frutas, verduras, carnes e cereais dividem mais o espaço com novos restaurantes, galerias de arte, lojas de discos e até uma companhia de teatro. Há movimento sempre, mas, aos domingos, uma grande feira, com barracas de comidas e de antiguidades, torna-se um programa obrigatório.

Se a descrição do bairro ainda não parece hipster suficiente para você, tente o Vnitroblok, que congrega bar, lojas de roupas, sebo, brechó, estúdios para aulas de dança e pilates e, claro, hamburgueria artesanal, num conjunto de casas meio em ruínas, que mal se nota ao passar pela rua. O grande salão interno é aproveitado também como área de coworking e exposição para artistas locais. E, se a ideia é praticar um people watching da melhor qualidade, garanta um lugar no mezanino.