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REPÚBLICA TCHECA

A metamorfose de Praga

Em constante mudança, capital tcheca oferece roteiro alternativo repleto de arte


    • São José do Rio Preto
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O relógio astrológico, a Praça da Cidade Velha, a Ponte Carlos e o Castelo de Praga. Quatro atrações que são, sim, imperdíveis e estão no topo de todos as listas de "o que ver e fazer" na capital tcheca. Mas quem se atreve a seguir caminhos menos óbvios é recompensado por uma Praga em constante metamorfose, com esculturas inusitadas nas ruas, galerias de arte e parques que permitem observar a cidade como se fosse um silencioso quadro num museu.

No ano em que os tchecos (e seus vizinhos eslovacos) comemoraram o 30º aniversário da Revolução de Veludo, que pôs fim ao regime socialista da antiga Checoslováquia, um ótimo guia para este passeio alternativo por Praga é o escultor David Cerny, de 51 anos. Ou melhor, sua obra, espalhada pela cidade, tanto no centro histórico quanto em zonas menos turísticas.

Principal nome de uma geração de artistas plásticos que floresceu num ambiente de maior liberdade de expressão pós-1989, Cerny está presente no imaginário da cidade como símbolo de irreverência e provocação. Praga poderia, por exemplo, ter apenas um busto convencional de seu maior escritor, Franz Kafka. Mas escolheu exibir uma gigante cabeça metálica do autor, formada por dezenas de discos que se movem de forma aparentemente aleatória e, por que não, kafkaniana.

Outro exemplo é a releitura nada convencional de Cerny para uma estátua equestre de Venceslau I (ou São Venceslau, para os católicos), em que o santo padroeiro da República Tcheca aparece montado num cavalo morto.

Pinguins à beira-rio

Quem gosta de arte contemporânea encontra em Praga outros tesouros, que dialogam muito bem com o visual classudo da cidade, um dos principais centros econômicos e comerciais da Europa desde a Idade Média. É o caso dos 34 pinguins amarelos do Parque Kampa, às margens do Rio Moldava, que corta a cidade. Parte do acervo ao ar livre do Museu Kampa, a obra do coletivo italiano Cracking Art Group oferece um interessante contraste à Ponte Carlos, cartão-postal inconfundível da capital tcheca.

Atravessar o rio, aliás, é ótima opção para quem quer conhecer uma Praga menos turística e mais original. O distrito de Praga 7, onde estão os bairros de Holesovice e Letná, não costuma estar na maioria das listas de paradas obrigatórias, e talvez por isso mesmo seja, atualmente, um destino imperdível. Vale a pena explorar o clima moderninho do lugar, cheio de bares, restaurantes e lojas independentes.

Sem falar no Parque Letná, de onde se tem algumas das melhores vistas para a Staré Mesto, a Cidade Velha, onde se concentra a maior parte das dez milhões de pessoas que visitam Praga anualmente (um número três vezes maior do que no começo do século). A questão do turismo de massa, aliás, já começa a preocupar as autoridades responsáveis pelo setor no país.

"No Czech Tourism lidamos diariamente com a questão de como promover o país de maneira sustentável. Assim como tentamos mostrar que há outras lindas cidades no interior do país, fazemos o mesmo com a capital: há muito o que se ver fora do centro histórico", comentou Jan Herget, diretor do órgão de promoção turística da República Tcheca, num painel intitulado "O futuro do turismo", parte da programação do Future Port Prague, realizado em setembro.

A feira anual de tecnologia e inovação se propõe a debater e apresentar novos caminhos, inclusive para as cidades em processo de metamorfose, como Praga.