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Células-tronco para tratar seu bichinho

O uso é uma realidade e acaba de ser regulamentado no Brasil


    • São José do Rio Preto
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Apesar de ainda ser um tratamento bastante restrito para humanos, o uso terapêutico das células-tronco em animais domésticos já é uma realidade na medicina veterinária do Brasil e acaba de ser regulamentado. A empresa Regenera Stem Cell, de Campinas, foi a primeira empresa a receber o aval do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para uso.

O produto CaniStem está aprovado para tratar em cães a sequela neurológica da cinomose, infecção viral que ataca os sistemas nervoso, respiratório e gastrointestinal; a osteoartrose, que atinge as articulações e deixa o animal paraplégico e também a ceratoconjuntivite seca, quadro em que os olhos não produzem lágrimas em quantidade suficiente e pode levar à cegueira. A pesquisa acontece já há 15 anos, mas o registro Mapa foi feito há dois anos.

O tratamento com células-tronco pode beneficiar cães, gatos e cavalos. Embora o CaniStem, produto aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, seja destinado a cães, em breve os produtos para gatos e cavalos também estarão disponíveis para o mercado.

Os tratamentos exigem de uma a três aplicações. Cada dose da injeção custa R$ 3 mil. "O tempo de resposta ao tratamento vai variar de acordo com a patologia, cronicidade do caso e idade do animal. Em geral podemos dizer de 15 a 60 dias", explica a veterinária Michele Andrade de Barros, sócia-fundadora da empresa e professora do curso de medicina veterinária da PUC-Campinas. Cada dose custa R$ 3 mil. A obtenção das células-tronco é feita a partir do tecido adiposo adquirido no momento da castração de fêmeas saudáveis.

Os procedimentos trabalham as chamadas células-tronco mesenquimais. Elas são encontradas na medula óssea, na parede do cordão umbilical e no tecido adiposo, tanto de pets como de humanos. Elas têm potencial para recuperar ossos, músculos e cartilagem. Essas células estão presentes em vários tecidos do indivíduo adulto e, num machucado, por exemplo são recrutadas pelo organismo para auxiliar na recuperação. Com o passar dos anos, a produção dessas células-tronco diminui, prejudicando esse processo de regeneração natural.

As células-tronco são os coringas do organismo: elas podem se transformar em diferentes tecidos, o que ajuda o corpo a combater diversas doenças. No Brasil, o uso terapêutico é destinado, principalmente, a pequenos animais, como cachorros e gatos, mas também cresce a aplicação em cavalos de competição.

A empresa está investindo na capacitação do corpo clínico por meio de cursos e palestras sobre medicamento e também sobre as vantagens que o tratamento de células-tronco mesenquimais traz para os animais. Há pedidos de aprovação para tratamento de outras doenças em animais usando as células-tronco. "Deveremos ter novidades em breve", diz a veterinária.