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Comportamento

Música em todas as épocas

Pesquisadores de Harvard confirmam: o som é a linguagem universal


    • São José do Rio Preto
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Não há dúvida de que a música é universal. Para confirmar o que muita gente já sabia, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, fizeram o mais ambicioso estudo sobre o tema, publicado agora na revista "Science". O trabalho mostrou que existem músicas "universais", ou seja, apesar de serem compostas em locais e períodos diferentes, elas possuem algumas caraterísticas em comum, como o arranjo ou o tema.

Os pesquisadores fizeram uma análise em quase um século de etnomusicologia com mais de 315 culturas, conseguindo assim, fazer uma análise transcultural das semelhanças e diferenças das canções de cada local. Além da música em si, também foram analisadas mais de 5 mil descrições de canções, além de mais de 2 mil traduções de cerca de 60 culturas em 30 regiões geográficas diferentes.

A música pode ter um impacto fundamental e positivo no cotidiano. Médicos e terapeutas já comprovaram cientificamente que uma simples canção pode trazer benefícios para a saúde do corpo e da mente. Não é à toa que alguns filósofos descrevem a música como a linguagem da alma. "A música estimula atributos como a expressividade, a comunicação e a espontaneidade. Como uma expressão artística, comunica e desenvolve a espontaneidade quando se começa a improvisar ou criar", explica o professor de música Celso Pan.

A música traz benefícios a todas as pessoas, como redução de estresse, auxílio na concentração, estímulo à memória, relaxamento da mente e tantas outras funções. Mais do que isso, ela foi classificada como uma das nove múltiplas inteligências do ser humano, segundo o psicólogo norte-americano Howard Gardner. Isso porque cada pessoa possui mais facilidade com determinada área do conhecimento e, entre elas, está a musical.

O novo estudo

O estudo foi concebido por Samuel Mehr, membro da Harvard Data Science Initiative e pesquisador associado em psicologia, Manvir Singh, aluno de pós-graduação no departamento de Biologia Evolutiva Humana de Harvard, e Luke Glowacki, ex-aluno de Harvard e atualmente professor de antropologia na Universidade Estadual da Pensilvânia.

Os cientistas decidiram responder a grandes perguntas: a música é um bem cultural universal? Em caso afirmativo, quais qualidades musicais se sobrepõem em sociedades díspares? Em caso negativo, por que a música parece tão onipresente? Durante cinco anos, a equipe procurou centenas de gravações em bibliotecas e coleções particulares de cientistas espalhados pelo mundo.

"Estamos acostumados a encontrar qualquer peça de música que gostamos na internet", explica Samuel Mehr. Mas, segundo ele, há milhares e milhares de gravações enterradas em arquivos que não são acessíveis on-line. Mehr e Singh adicionaram bobinas a vinil, fitas cassete, CDs e gravações digitais de coleções particulares de antropólogos e etnomusicólogos à discografia da equipe. O banco de dados recebeu o nome de "A história natural da canção".

Análise criteriosa

Os pesquisadores codificaram a etnografia e a discografia em dezenas de variáveis. Eles registraram detalhes sobre cantores e membros da plateia, hora do dia, duração do canto, presença de instrumentos e mais detalhes. Os cientistas descobriram que, em todas as sociedades, a música está associada a comportamentos como cuidados infantis, cura, dança e amor (há vários outros temas, como luto, guerra, procissões e rituais), e que esses comportamentos não são muito diferentes de sociedade para sociedade.