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Saúde emocional

Adeus, solidão

Não deixe que a melancolia e tristeza tomem conta dos seus pensamentos


    • São José do Rio Preto
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O ano está terminando. A decoração nas ruas e nas lojas, reuniões de família, encontro com amigos, festas de confraternização. Todos esses eventos fazem parte de um ritual todos os anos. São as festividades para encerrar o ano e iniciar um próximo ano mais feliz e próspero. Para muitos, essa vibração de alegria é contagiante e animadora, traz felicidade e bem-estar. Para outros, a proximidade das festas é sinônimo de angústia, depressão e medo. Medo da solidão.

Não é para menos: o Natal e Ano Novo costumam trazer memórias de bons tempos e, quase sempre, de pessoas que amamos. Dá saudade de tudo e de todos. Mas nem todo mundo encontra refúgio e conforto no "espírito natalino" para sentir a mesma alegria que a maioria. "Enquanto alguns esperam por esse período do ano, outros desejam que ele acabe. Para muita gente, a melancolia aflorada vira sinônimo de estresse, ansiedade, dor, perda, depressão, angústia", explica a master coach Flora Victoria, mestre em psicologia positiva aplicada.

Sofrer ao sentir-se só é uma questão muito atual. Há pessoas que precisam estar ocupadas e distraídas o tempo todo. O simples fato de se perceberem sozinhas é angustiante. E isso se agrava com a proximidade do final do ano. Esse é um caso específico, "porém, há diferentes tipos de solidão. A de quem está longe da família; a de quem não tem família nem amigos; a de quem não pode mostrar fragilidade, que leva à insegurança, medo, entre outros. Assim, como cada indivíduo tem características próprias, o mesmo ocorre com essa sensação. Não podemos nos esquecer que cada um tem a sua própria e particular visão de mundo ideal", explica o psiquiatra Leonard Verea, especializado em medicina psicossomática e hipnose dinâmica.

"Nesta época a tristeza ataca, a solidão pesa e se você não se sente tão feliz quanto deveria, a sensação de fracasso se instala. Não é uma época fácil. Você se obriga a ser feliz, mas nem sempre consegue. Algumas pessoas se isolam e se recusam a comemorar o Natal", explica a psicóloga e neuropsicóloga Lucia Moyses. Mas não deveria ser assim. O fim de ano deveria ser uma época para se repensar e analisar como foi seu ano. O que você fez de bom, onde você errou, o que poderia ter feito de diferente? É o momento da introspecção, do olhar mais profundo, da absolvição das culpas internas, do crescimento.

Aproveite para reunir a família, para tornar seu coração mais leve e mais propenso a perdoar; aproveite para esquecer mágoas antigas e deixar a magia desta época entrar em você.

O fim de um ciclo, qualquer que seja ele, pode despertar diferentes tipos de emoções e pensamentos. Dos mais simples aos mais complexos. "Mas é possível trabalhar esses sentimentos para que não se tornem opressores. Não é fácil, mas buscar o autoconhecimento é o primeiro passo para identificá-los e usá-los de forma positiva em prol daquilo que se deseja", diz Flora Victoria. Você pode ainda tentar evitar que pensamentos negativos dominem sua mente. Se algo estiver ruim ou desfavorável na vida pessoal, profissional ou em qualquer outra área, mudar o foco e olhar para os aspectos que estão dando certo ajuda a encarar os desafios sobre uma perspectiva mais encorajadora e positiva.

"É natural que a virada de ciclo desperte nas pessoas o senso de avaliação de suas atitudes e comportamentos, assim como a necessidade de se estabelecer metas para o próximo ano. No entanto, é mais produtivo e saudável que tais avaliações sejam feitas constantemente ao longo dos meses, possibilitando reavaliações, reorganizações de rota e adaptações de projetos em curso. Isso evita que carreguemos aquela "mochila" pesada de frustrações por tudo aquilo que não foi conquistado ao longo do ano", afirma.

"O fim do ano e o começo de um novo são momentos que naturalmente levam as pessoas a uma reavaliação de seus projetos e planos, analisando o que foi realizado e aquilo que acabou ficando para depois. Essa avaliação pode trazer tristeza e sensação de não ter feito tudo que queria, mas também pode ser encarada de forma positiva, quando o indivíduo toma consciência de suas conquistas e projeta novas metas para o ano que se aproxima", diz o psicólogo Cláudio Melo. "É importante que esta emoção seja transformada em uma análise do que fizemos, das decisões que tomamos, do que precisamos buscar para o próximo ano", diz ainda. Desta forma, fazer este balanço e ter momentos de reflexões pode ajudar no autoconhecimento e no aprendizado.

  • Pratique a gratidão: Ser grato pelo que já tem e considera valioso, independentemente da natureza, seja um filho, um amigo, um animal de estimação ou um emprego, faz toda a diferença para o emocional. A gratidão nos mostra o valor de cada pessoa ou pequena conquista, e desperta a capacidade de criar outra relação com o mundo ao seu redor;
  • Se dê um presente: Aproveite o Natal e o Ano Novo para se dar algo importante e que tenha significado, seja uma roupa, um eletroeletrônico, uma viagem, um bichinho de estimação. Presentei-se com algo que te faça realmente feliz;
  • Socialize: Mesmo que você curta momentos a sós, evite isolar-se por muito tempo. Aproveite os dias de folga para ir ao cinema com um amigo, visitar aquele parente que faz tempo que não vê e colocar a conversa em dia, fazer atividades ao ar livre e conhecer outras pessoas. Circule;
  • Cuide de seus relacionamentos: Relacionamentos são todas as relações interpessoais que você desenvolve diariamente nas diferentes esferas da vida - seja no trabalho, academia, faculdade, em casa, com amigos ou vizinhos. Uma pessoa com uma rede saudável vive com mais qualidade e bem-estar;
  • Planeje e organize metas de forma positiva: Para a lista de desejos e objetivos do próximo ano, pense em cada item com comprometimento e consciência. Faça projeções e defina metas detalhadas, concretas e viáveis. Não torne sua lista uma fonte de frustração. Planejar e realizar gera emoções e substâncias químicas que nos impulsionam a buscar sempre mais;
  • Não se compare com os outros: Com as redes sociais é comum achar que a vida do outro é melhor do que a sua. No entanto, nem tudo o que é postado no ambiente digital retrata a realidade como ela é. Afinal, ninguém expõe nas redes suas inseguranças, tristezas e fracassos.

Fonte: Flora Victoria