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Comportamento

O que te faz ser bom?

Estudo mostra que humanismo, kantismo e fé nas pessoas formam a "tríade da luz"


    • São José do Rio Preto
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Se alguém perguntar se você é uma pessoa boa, certamente não vai pensar duas vezes e dizer: - sim, sou muito boa, afinal o título de bondade é valioso. Está certo que todo mundo tem algo de bom para dar, mas acontece que a arrogância e orgulho nos impedem de ver a totalidade e a efetividade do que somos e pensamos. Sempre achamos que somos melhores do que de fato somos, embora haja efetivamente pessoas tão boas que nem se enquadram no roteiro.

A bondade é definida pelos dicionários como benignidade; inclinação para fazer o bem, a qualidade da pessoa que é boa e generosa e a ação de quem é amável e cortês. A bondade é uma virtude superior porque envolve muitas outras: o amor, o respeito, a fraternidade e a generosidade. Isso também implica uma notável evolução espiritual e mental. Graças a vários estudos, também foi demonstrado que é uma habilidade localizada no cérebro e é a base para uma qualidade de vida significativa.

Para entender a essência dessas pessoas e o que as torna especiais, o psicólogo norte-americano Scott Barry Kaufman, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, decidiu pesquisar os traços de personalidade comuns a quem só transmite sentimentos bons. "Fiquei bastante frustrado com o fato de as pessoas serem tão fascinadas com o lado sombrio, enquanto o lado da luz da personalidade estava sendo negligenciado", afirma. A conclusão dele é que são três traços: o humanismo, o kantismo (recebe o nome do filósofo Immanuel Kant) e fé na humanidade. Juntos, eles formam a "tríade de luz".

Cada um dos traços destaca um aspecto diferente de como você interage com os outros: de ver o melhor nas pessoas a ser rápido em perdoar, do aplaudir o sucesso dos outros a ficar desconfortável manipulando as pessoas. Você está no grupo dos bons se vê os humanos, e a humanidade em geral, como fundamentalmente bons - e os trata dessa maneira também.

O humanismo a que se referem o pesquisador significa acreditar que o ser humano possui valor, independentemente de erros e acertos. O segundo valor, o kantismo, refere-se à atitude de tratar bem as pessoas porque assim tem de ser feito e não porque é conveniente. A fé na humanidade - é a qualidade de acreditar que as pessoas são boas e não querem tirar vantagem de você.

O pesquisador, assim como outros já haviam comprovado em estudos pelo mundo afora, descobriram que as pessoas boas apresentam maior autoestima, senso de identidade e satisfação com seus relacionamentos e com a vida em geral. Além disso, curiosidade, entusiasmo, amor, bondade, trabalho em equipe, perdão e gratidão foram características mais comumente encontradas nesses indivíduos.

 

O psicólogo norte-americano Scott Barry Kaufman decidiu procurar os traços que tornam uma pessoa boa para confrontar a "tríade obscura", descrita anos atrás por psicólogos e composta pelos traços de narcisismo, maquiavelismo e psicopatia. Na época, os pesquisadores procuravam saber por que algumas pessoas não pensam duas vezes antes de trapacear em um teste ou de passar por cima dos outros para obter proveito. Os pesquisadores concluíram que, apesar de algumas pessoas terem traços que tendem mais para o lado da luz ou da escuridão, ninguém é totalmente bom ou ruim o tempo todo.

Em vez de ser apenas luz ou obscuridade, a maioria das pessoas sempre será uma mistura. Você pode fazer um teste (em inglês) que mostrará seus níveis de personalidade leve e sombria no site de Scott Barry Kaufman (https://scottbarrykaufman.com/lighttriadscale/). Mesmo se você se virar para o lado da luz, isso não significa que sua vida será toda iluminada.

Se você tem medo de não se sair muito bem no teste da "tríade de luz", considere que, segundo os pesquisadores, estas facetas não estão realmente em oposição direta uma à outra, apoiando a ideia de que somos todos um pouco ambos, o que pode ser uma coisa boa. Aqueles com personalidades mais sombrias tendem a ser mais corajosos e assertivos, por exemplo - dois traços que são úteis quando se tenta colocar as coisas em prática. Personalidades mais obscuras também estão correlacionadas com a criatividade e a habilidade de liderança.

O trabalho de Kaufman com a tríade de luz traz uma mensagem esperançosa sobre os humanos em geral. Mais de mil pessoas realizaram os dois testes para revelar seus traços de personalidade leves e obscuros - e em média, os testados inclinaram-se mais para o lado da luz. "Isso é uma espécie de verificação de que, apesar dos horrores do mundo, as pessoas são por padrão basicamente inclinadas para o lado da luz", explica.

Seja generoso

"Todo mundo quer ser bondoso, generoso. Mas o apego faz com que as pessoas se apeguem às coisas, às situações, aos objetos porque o ego, quando está enfraquecido, adora agregar coisas ao seu eu e isso dá a falsa sensação de fortalecimento, de poder, mas não somos donos de nada, somos posseiros transitórios de algo", diz o médico, psicoterapeuta, educador e escritor Antonio Pedreira.

A generosidade passa primeiramente pelo exercício do desapego e tem de passar pela empatia, que é se colocar no lugar do outro: como eu gostaria que a pessoa agisse comigo se fosse ao contrário? A generosidade pode gerar boa vontade, amorosidade e um respeito crescente às pessoas, elementos necessários para a transformação. "Se a pessoa se apega a padrões que são já viciados e arcaicos, não está fazendo nada de novo", diz Pedreira. Quando mais a pessoa colocar a energia da generosidade pra funcionar, melhor o mundo.