SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 26 DE JULHO DE 2021
Editorial

Os limites do viaduto

Claudia PaixãoPublicado em 04/12/2019 às 00:00Atualizado há 08/06/2021 às 03:08

Primeiramente um engenheiro contratado pela Prefeitura de Rio Preto concede uma entrevista gravada dizendo que não vai liberar carga nenhuma no viaduto Abreu Sodré porque não pretende mandar seu Crea (registro no Conselho de Engenharia) para o espaço. Depois, o mesmo engenheiro entrega um laudo mais ameno à Prefeitura liberando o uso do local, por onde passarão simultaneamente pesados ônibus em direção ao novo terminal, dividindo espaço com veículos em geral, incluindo caminhões. A Prefeitura, porém, instala placas determinando 15 toneladas como limite de peso.

Como um único ônibus pode atingir esse limite, a Prefeitura passou a adotar a fantástica e engenhosa alegação de que a determinação vale para um veículo por vez, ou seja, ônibus podem trafegar por ali, desde que seja um atrás do outro, pois neste caso não haveria sobrecarga. Bastou o início das operações do novo terminal para que vários ônibus surgissem emparelhados, inclusive em meio a outros veículos, como mostraram reportagem e fotografias publicadas ontem pelo Diário. Como estava escrito até nas estrelas, o limite de 15 toneladas foi para o espaço, superado em ao menos três vezes.

Considerando que aquele limite determinado nas placas era para ser levado a sério, a reportagem foi questionar as autoridades municipais. Numa declaração surpreendente, para dizer o mínimo, o secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, respondeu que é para "esquecer" o tal laudo e a placa, porque o governo tem outros estudos. Portanto, aquele aviso alertando que o viaduto não comporta veículos com peso superior a 15 toneladas é só uma brincadeira, embora tenha sido fruto de um laudo que custou R$ 27 mil.

Em última análise, o que o secretário fala representa a fala do prefeito, que confiou a ele a missão de zelar pelo trânsito da cidade. Consequentemente, a responsabilidade do secretário passa pela responsabilidade e respaldo do prefeito que o nomeou. O mínimo a se esperar é que o prefeito determine aos seus subordinados o detalhamento, de forma transparente, de todos os estudos que embasam o uso irrestrito do viaduto. Uma atitude que também deve contemplar o desejo e a exigência, por exemplo, de representantes do Ministério Público.

Os milhares de motoristas e passageiros de ônibus que usam aquela via pública diariamente não podem ter qualquer sombra de dúvida sobre as condições de segurança. A certeza dessa segurança, definitivamente, não virá de lorotas nem de explicações vazias que subestimam a inteligência dos cidadãos e mudam ao sabor das conveniências de momento.

 
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