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Apagão


    • São José do Rio Preto
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A economia brasileira precisa voltar a crescer de forma consistente, mas isso não garante que o nível de desemprego caia a níveis aceitáveis. Precisamos considerar que boa parte do crescimento poderá vir da produtividade e de novas tecnologias. E aí reside um dos grandes gargalos da nossa economia.

Está ocorrendo um "apagão" de mão de obra qualificada no Brasil e isso poderá ser um grande obstáculo para o emprego e para o crescimento econômico. Pesquisa da empresa de recursos humanos Korn Ferry, com executivos de empresas no País, mostra que no ano que vem já teremos um déficit de 1,8 milhão de pessoas para vagas mais especializadas - considerando-se tanto as vagas abertas quanto as que não vão ser preenchidas por empregados sem a qualificação considerada ideal.

Esse número deve crescer a uma taxa de 12,4% ao ano, até alcançar 5,7 milhões de postos com funcionários sem competência ideal ou vagas até 2030. O fato de não termos uma economia competitiva levou o Brasil a ter uma severa carência de mão de obra especializada.

As empresas deixarão de faturar US$ 43,6 bilhões (cerca de R$ 183 bilhões) até o fim de 2020 justamente por não encontrarem mão de obra qualificada para atuar em áreas estratégicas do negócio responsável pelo crescimento da empresa. A demanda pode crescer, mas nem sempre será possível aumentar a produção.

Os principais desafios estão relacionados ao desenvolvimento digital e tecnológico das empresas. O estudo mostra que são profissões ainda pouco conhecidas como segurança da informação, cientista de dados, analista de marketing digital e desenvolvimento de produtos tecnológicos.

A falta de pessoal qualificado ocorre em todo o mundo, já que o nível de ensino não acompanha as rápidas transformações operacionais e tecnológicas pela qual estão passando as empresas. Há um abismo entre o que se ensina nas escolas, o chão da fábrica e o novo ambiente de negócios.

Os setores que mais sofrerão com a crise de talentos serão: tecnologia, mídia e telecomunicações; negócios e serviços bancários e manufaturas. As empresas estão tentando amenizar essa demanda por profissionais especializados investindo na formação de talentos internamente.

O Brasil precisa estar atento para as transformações radicais no mundo do trabalho trazidas pela nova economia. A sinergia entre empresas, universidades e países que já estão na cadeia global de produção poderá encurtar o espaço entre crescimento e tecnologia.

Corremos o sério risco de termos trabalho e não termos emprego. Analistas mostram que até 2030 "das ocupações que temos hoje, 47% não existirão mais" e aí o subemprego virá para ficar, poderá ocorrer um processo da "uberização da economia" .

As empresas não querem mais só os diplomas, elas estão exigindo competências. Boa parte da nossa indústria está preocupada em obter mão de obra barata; o foco deveria ser a formação de competências. Essas mudanças precisam passar também pelo apoio incondicional do governo, reorientando as políticas públicas. É um processo gradual, mas não podemos esquecer que a periferia do mundo é longe.