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Arboviroses

Especialistas mundiais discutem dengue

Pesquisadores de várias partes do mundo estarão em Rio Preto para o evento


    • São José do Rio Preto
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Começa nesta quarta-feira, 4, e vai até 7 de dezembro o 4º Simpósio Famerp-UTMB: Infecções Emergentes nas Américas - Interesses comuns e colaboração entre Brasil e Estados Unidos. O evento é promovido pelo Laboratório de Pesquisa em Virologia da Famerp (LPV-Famerp) em parceria com o Departamento de Patologia da University of Texas Medical Branch (UTMB), centro de pesquisas em arboviroses.

"A dengue existe no sul dos Estados Unidos, em lugares como o Texas e a Flórida, mas obviamente em números bem menores do que aqui, até porque o clima é muito diferente", afirma Maurício Lacerda Nogueira, professor do LPV e colaborador da Secretaria de Saúde de Rio Preto.

São cerca de 150 participantes no simpósio, que já está lotado e não aceita mais inscrições. Haverá palestras de profissionais de centros brasileiros e também dos Estados Unidos, França, Argentina, Porto Rico e Reino Unido. Os pesquisadores vão discutir aspectos das doenças veiculadas por vetores, incluindo arboviroses (como dengue, zika e chikungunya), rickettsiose (doenças transmitidas por pulgas, piolhos e carrapatos, como a febre maculosa) e malária. Os especialistas vão falar sobre a biologia dos micro-organismos que causam os problemas, diferentes métodos de diagnóstico, evolução e sobre os insetos.

O Laboratório da Famerp tem parceria com o Departamento de Patologia da UTMB, um centro de excelência nas pesquisas de arbovírus, há pelo menos dez anos. Para Nogueira, Rio Preto conduz bem o diagnóstico e tratamento de dengue. "A própria realização desse evento, com as maiores autoridades do mundo dessa área estando presentes aqui, é um atestado que a cidade se tornou referência mundial nesse assunto e que isso a gente aplica dentro do sistema de saúde", pontua.

Os especialistas também vão abordar a atual situação epidemiológica e aspectos clínicos da pesquisa em arboviroses no Brasil, a interface entre o vírus, o hospedeiro e as características imunológicas, a interação entre os vírus e seus vetores e a relação com o controle dessas doenças.

Nogueira destaca que o Brasil apresenta muitos vetores, como o mosquito Aedes aegypti, por ter características tropicais - quente e bastante chuvoso. O inseto consegue se reproduzir com um ciclo curto, de cerca de uma semana, em todo o território brasileiro, o que faz com que as doenças como dengue, zika e chikungunya se espalhem.

Neste ano, Rio Preto teve a maior epidemia de dengue da história, com 32.835 casos e 19 mortes. A grande explosão se explica por três fatores: a presença do mosquito, a circulação de um vírus que há anos não provocava uma epidemia e a grande parcela da população que estava suscetível a ele.

O surto também atingiu a região e levantamento da Sucen aponta que 21 municípios estão em alerta novamente, pois foi encontrado número de larvas do Aedes acima do considerado tolerável. Além da dengue, preocupam também zika e chikungunya, também transmitidas pelo inseto, pois grande parte da população é suscetível a esses vírus - o primeiro provoca graves malformações em bebês e o segundo tem a tendência de provocar sintomas mais intensos nos pacientes.

 

IV Simpósio Famerp-UTMB

  • Tema: Infecções Emergentes nas Américas - Interesses comuns e colaboração entre Brasil e Estados Unidos

O que será discutido

  • Aspectos das doenças transmitidas por vetores, incluindo arboviroses (como dengue, zika, chikungunya e febre amarela), rickettsioses (transmitidas por pulgas e carrapatos, por exemplo, como a febre maculosa) e malária. Eles vão abordar aspectos clássicos da biologia dos micro-organismos que causam essas doenças, métodos de diagnóstico e evolução
  • Os pesquisadores vão discutir também a situação epidemiológica e aspectos clínicos da pesquisa em arboviroses no Brasil, além da interface entre vírus, hospedeiro e características imunológicas, a interação entre os vírus e seus vetores e a relação com o controle das doenças

Fonte: Famerp

 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou nesta segunda-feira, 2, da liberação dos chamados mosquitos "do bem" em Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo o Ministério da Saúde, a tecnologia já se mostrou promissora no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya). Nos primeiros resultados, os insetos infectados com a bactéria Wolbachia reduziram em 75% os casos de chikungunya, em 33 bairros da região. A tecnologia inibe a transmissão de doenças que atingem o ser humano.

A metodologia é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. A Wolbachia é uma bactéria intracelular que, quando presente nos mosquitos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro destes insetos. Não há qualquer modificação genética, nem da bactéria, nem do mosquito. A Wolbachia está naturalmente presente na maioria dos insetos, mas não é encontrada nos mosquitos Aedes aegypti.

Até o momento, o método Wolbachia já foi aplicado em 28 bairros do Rio de Janeiro e 33 de Niterói, atingindo 1,3 milhão de pessoas. Também faz parte do projeto a realização de ações prévias de engajamento e comunicação junto às comunidades locais e profissionais de saúde sobre a segurança do método e seu impacto no ecossistema. Esse processo de mobilização já se iniciou em Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG), sendo que a soltura dos mosquitos será iniciada nas três localidades no próximo ano, com o apoio do Ministério da Saúde.