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FALTA DE AVISO

Viaduto recebe triplo de peso permitido

Devido ao novo terminal, viaduto Abreu Sodré chega a receber até quatro ônibus ao mesmo tempo, que atingem peso bem acima das 15 toneladas permitidas para o local


    • São José do Rio Preto
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Com placas informando o limite de 15 toneladas, o viaduto Abreu Sodré vem recebendo pelo menos três vezes mais peso do que o tolerado, desde o início do funcionamento do novo Terminal Urbano e o consequente aumento de fluxo de ônibus pelo local. Nesta segunda-feira, 2, o Diário flagrou por diversos momentos a presença de três e até quatro veículos do transporte público simultaneamente no viaduto - segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas, cada ônibus básico tem ao menos 16 toneladas.

O viaduto, que liga as avenidas Alberto Andaló e Philadelpho, virou caminho para dar entrada e saída ao novo terminal aos ônibus das regiões sul e leste. As placas informando a capacidade foram colocadas em março deste ano, após laudo contratado pela Prefeitura de Rio Preto por R$ 27 mil afirmar "que o viaduto atende a circulação de veículos e ônibus com segurança, com até 15 toneladas de peso máximo e velocidade limitada a 40 quilômetros por hora."

À época, o engenheiro Catão Francisco Ribeiro, da Enescil Engenharia Projetos, informou ao Diário que não liberaria "carga nenhuma. De repente passa um maluco com caminhão carregado, cai uma viga e o meu Crea vai para o espaço", disse. "Ônibus pode passar, mas está fora das normas de segurança", ressaltou naquele momento. À Prefeitura, porém, ele teria alterado o discurso e permitido a passagem dos ônibus.

Um mês depois, o secretário de Obras, Sérgio Issas, enviou o laudo ao promotor de Justiça Sérgio Clementino e afirmou que o viaduto está fora das regras técnicas atuais. Issas garantiu, na época, restrições de peso no viaduto até a realização de reforma - prevista para ocorrer apenas no ano que vem.

Nesta segunda-feira, 2, primeiro dia útil de funcionamento do novo terminal, todas essas regras foram descartadas pelo secretário de Trânsito, Amaury Hernandes, ao permitir o fluxo de ônibus no trecho sem nenhum tipo de restrição. "O limite de peso de 15 toneladas foi uma questão inicial para não correr risco. Levantamentos feitos por outros engenheiros atestam que o viaduto comporta mais. O próprio calculista para ampliação foi categórico que o viaduto não corre risco de queda", disse Amaury. "Esquece aquela placa. Uma informação equivocada [primeiro laudo], que só criou tumulto, esse risco não existe."

O secretário Issas afirmou que a limitação a 15 toneladas é para cargas concentradas em um mesmo ponto. "O que o repórter fotografou sobre o viaduto foi uma carga diluída em quatro pontos distintos. Sendo assim, o município não está descumprindo a limitação imposta individualmente para cada veículo isoladamente."

Segundo a Secretaria, os coletivos que estão transitando no viaduto Abreu Sodré "estão dentro da margem de segurança estabelecida pelo poder público", afirma Issas. Sobre a reforma e expansão do pontilhão, o secretário informou que a licitação está em fase de abertura das propostas. "Após essa etapa, o prazo para execução dos serviços é de 120 dias."

Clique AQUI para ampliar a imagem  (Foto: Reprodução)

No terceiro dia de operação do novo terminal, os comentários foram de elogios ao novo espaço ampliado a reclamações de usuários perdidos para encontrar o ônibus de destino. Mapa explicativo ao lado das catracas, folhetos de orientações e monitores ajudaram os passageiros a se localizarem.

"Até que está bom, um espaço adequado, só está confuso para achar os ônibus", afirmou Débora de Souza, 20 anos. "Está difícil para achar, a gente estava acostumada com o outro terminal", completou Andreia Macedo, 46. Elas saíam do Centro em direção à Estância São Carlos.

O espaço ampliado, com estrutura alta, arejada, com bebedouro e banheiros acessíveis, recebeu elogios. "Eu gostei. Está bem organizado, para mim está bom", disse a doméstica Edileide Maria Neves, 33 anos, que sai da Vila Azul para trabalhar no Gaivotas.

Já fora do terminal, o relato é de contrariedade com o desrespeito à faixa de pedestre na rua Bernardino de Campos, em frente à saída do terminal. "O ideal é parar para a gente atravessar. Não param, não têm respeito, não sei para quê gastaram a tinta", reclamou a atendente Michele João Pereira, 29 anos, sobre os veículos que trafegam na avenida.

Nesta segunda-feira, 2, a Prefeitura informou que 15 ambulantes - proibidos de venderem seus produtos dentro do terminal - foram "instruídos a procurar os meios legais de exercer regularmente a atividade", afirma a nota. A multa para quem desrespeitar a lei é de R$ 288,75. (FP)