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RIO DE JANEIRO

Vespúcio, Darwin e muitas histórias

Cabo Frio tem atrações culturais e bons restaurantes que completam o turismo à beira-mar


    • São José do Rio Preto
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É História que não acaba mais. Uma das cidades mais antigas do Brasil, Cabo Frio, fundada em 13 de novembro de 1615, já foi palco de guerras, de tentativas de invasão pelos franceses, de disputas entre índios e portugueses. Antes mesmo de a cidade existir oficialmente, Américo Vespúcio, no século XVI, organizou uma feitoria nas terras que se estendiam de Araruama a Arraial do Cabo. O passado glorioso ganha mais graça com a lenda que cerca a Capela de Nossa Senhora da Guia, no alto do Morro da Guia, no Centro da cidade.

"Dizem que os franciscanos, no fim do dia, fechavam o Convento de Nossa Senhora dos Anjos", conta o historiador e guia de turismo Daniel Henriques. "No dia seguinte, a imagem de Nossa Senhora que estava lá aparecia no alto do Morro da Guia. Resolveram, então, erguer uma igrejinha lá."

O morro e a capela são tombados e, na última sexta-feira de cada mês, servem de palco para o "pôr do sol histórico", evento em que se contam fatos curiosos sobre Cabo Frio - como a visita de Dom Pedro II e a origem das salinas - e que tem música ao vivo e recital de poesia.

Outra maneira de aprender sobre a cidade, de forma, digamos, mais refrescante, é fazer um passeio de barco a partir do Canal do Itajuru. Ao longo da viagem, descobre-se que antes do Forte de São Mateus havia outra fortaleza, batizada de Santo Inácio. Durou menos de um ano porque ficava num ponto muito vulnerável da costa. É possível admirar também o Morro do Telégrafo, uma reserva ambiental que deve muito de sua preservação ao artista plástico Carlos Scliar. Nos anos 1960, o pintor usou todo o seu prestígio para evitar que a área se tornasse um gigantesco condomínio.

Boa mesa

Gastronomia, cultura, história... Lógico que Cabo Frio se destaca no quesito praias. A Praia do Forte atrai centenas de turistas no verão, em especial os mineiros. Na alta temporada, depois das 9h, dificilmente se consegue um lugar para esticar uma toalha ou abrir um guarda-sol. Mas a dificuldade de uns pode ser a oportunidade de outros. O empresário Andres Nicolas dos Santos Barrios apostou na orla para realizar o sonho da mãe, Olivia Regina, de ter uma lojinha de doces. Surgia assim a Dona Farinha, que hoje atrai gente até de outros municípios da região. "No verão, a gente se desdobra para dar conta. Mas, mesmo fora da temporada, aqui tem sempre movimento, o que é bom para os negócios", ele diz.

No quesito mar e sol, porém, a Ilha do Japonês rouba a cena. Localizada no meio do canal do Itajuru, ela foi construída artificialmente, com a areia retirada do próprio canal para facilitar a navegação e o transporte das 100 mil toneladas de sal que as 41 salineiras da região produziam nos áureos tempos da exploração. A ilha tem acesso a pé ou por barco-táxi, mas é preciso ficar atento à maré.

De 2015 para cá, a cidade ganhou mais um evento de alto nível: o Festival Sabores de Cabo Frio. Na primeira edição, 33 restaurantes participaram. Este ano, 64 estabelecimentos criaram pratos especiais para receber os turistas ansiosos por uma boa mesa. As iguarias têm um tempero todo próprio: um tema único para todos os chefs. Desta vez, o mote foi bossa nova. Depois que o festival termina, os pratos favoritos do público permanecem, incorporados aos cardápios. No Cereall Gourmet, misto de empório e restaurante, desde 2017, a pedida obrigatória é o Farnel de Darwin, lasanha de palmito pupunha inspirada na passagem do naturalista Charles Darwin pela região.