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RIO DE JANEIRO

Distração sem tamanho

Búzios reserva surpresas como um piquenique somente para as crianças


    • São José do Rio Preto
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Praia de areia rosa, como Elafonisi, na Grécia, ou Komodo, na Indonésia? Temos.

Paisagem como Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha? O.k.

Feira gastronômica nos moldes da Smorgasburg, de Nova York? Sim.

Tartarugas ao mar, tal e qual em Akumal, no México? Checked.

Mangue de pedra? Bem, aí, a resposta é não. Se Búzios reúne atrações que remetem a outros pontos turísticos badalados do planeta, também tem seus cantinhos exclusivos. O Mangue de Pedra, na Praia da Gorda, no Bairro Rasa, é o principal deles. Explica-se: há apenas outros dois no mundo, um em Pernambuco e outro no Japão.

Você pode estar se perguntando o que há de tão especial neste lugar. Só mesmo vendo para entender. As árvores nascem no meio das pedras e formam um berçário para diversas espécies, graças a uma combinação de água doce e salgada que exige um certo conhecimento científico para entender. Mas não se preocupe. A paisagem é tão bonita que fala por si só.

Foi esta beleza que fez a região se tornar conhecida nas redes sociais antes mesmo de entrar no roteiro de turistas. Desde que o Mangue de Pedra"bombou", mais e mais visitantes começaram a aparecer por lá. Ao contrário de outros cartões-postais da cidade, lá não há infraestrutura alguma. Fica a recomendação também para não jogar lixo e evitar recolher "lembrancinhas" da natureza.

"Desde criança, sonhava em ver minha terra sendo reconhecida pelos turistas", observa o turismólogo Fernando Bertozzi, nascido e criado na Rasa. "As pessoas vinham a Búzios e sequer tinham a oportunidade de conhecer o Mangue de Pedra ou a história da escravidão no Pai Vitório."

As histórias da escravidão povoaram a infância de Fernando, descendente de uma escrava que desembarcou de um navio negreiro na chamada Ponta do Pai Vitório. As tristes lembranças do cativeiro e do tráfico de pessoas estão cada vez mais distantes, embora ajudem a sedimentar as tradições do quilombos da região, como o da Rasa, o da Baía Formosa e o de Maria Joaquina, entre outros. Em julho, 120 famílias de quilombolas da Baía Formosa ganharam uma área de 800 mil metros para se estabelecer definitivamente. O grupo recebe visitantes para um roteiro de turismo étnico-ecológico.

Se a ideia é fazer um programa diferente, há trilhas para a Serra das Emerências ou para o Sítio Arqueológico Pirâmide das Cobras. Do alto da serra, que abriga a maior e mais importante reserva de pau-brasil em território fluminense, pode-se ver Búzios inteira. Já o sítio arqueológico está disponível para quem se dispõe a caminhar 25 minutos pela Mata Atlântica a partir da Praia da Ferradurinha e descer um paredão de pedra equivalente a um prédio de dez andares. A recompensa está nas rochas: desenhos de cobras, dos mais variados tipos e tamanhos, mas sempre com a cabeça voltada na direção do mar.

Para pequenos

Para os aventureiros mirins, a opção é a trilha da Praia dos Amores, a tal de areia cor-de-rosa. Na chegada, além do banho de mar, um piquenique espera os pequenos. Em dias de maré baixa, um caiaque fica à disposição de quem tiver fôlego para atravessar até a Praia da Ferradurinha. Tartarugas adoram aparecer por lá. Sabe o que torna o passeio mais legal? A disposição da guia Nicole d'Alincourt de envolver a garotada na magia da natureza.

"Isso aqui é um laboratório de ciências ao ar livre", conta ela. "As crianças ficam fascinadas quando se deparam com um pequeno inseto, uma formação rochosa ou uma planta diferente."

Assim que pisam a trilha, elas são apresentadas a uma bússola e aprendem para que lado o sol nasce e para que lado morre. No caminho, um graveto vira jacaré. Ou uma lagarta pode passar lentamente, provocando muitas exclamações. Por fim, descobre-se o segredo da areia rosa.

"A areia tem essa cor por causa da erosão das rochas sedimentares que contêm granada. Costumo brincar com as crianças dizendo que essa é uma praia muito preciosa", diz Nicole.